Fevereiro 22. 2017 Dica de leitura: Nova obra do austríaco Stefan Zweig

Stefan Zweig
© Goethe-Institut Rio de Janeiro

O autor austríaco Stefan Zweig e sua esposa cometeram suicídio em Petrópolis, no ano de 1942. Até hoje, ele é conhecido por aqui, não pelo fim trágico, mas por ter criado a expressão "Brasil, um país do futuro". Setenta anos após a primeira vinda dele ao Brasil, o Goethe-Institut e a Versal Editores lançam o novo livro "Pequena viagem ao Brasil", com impressões do autor a respeito do território nacional.

A notória expressão "Brasil, o país do futuro" foi ouvida pela primeira vez em 1941, com o lançamento do livro do renomado autor austríaco Stefan Zweig. Esse era o título da obra, que foi traduzida em diversos idiomas, editada e reeditada. Zweig não só escreveu o livro como viveu no Brasil, mais especificamente em Petrópolis, no Rio de Janeiro, refugiado durante a II Guerra Mundial. Foi na Cidade Imperial que, em fevereiro de 1942, ele e sua esposa, Lotte, cometeram suicídio. Setenta e cinco anos após a edição da célebre obra, o Goethe-Institut e a Versal Editores lançam o novo livro "Pequena viagem ao Brasil" (2016, Versal Editores, organizada por Heike Muranyi e traduzida por Petê Rissatti), com as impressões registradas por Zweig em sua primeira vinda ao Brasil, em 1936.

Como diz trecho do prefácio escrito por Alberto Dines para a obra "Brasil, o país do futuro", "fascinado com aquela sociedade multicolorida, generosa, pacata, alegre porém tocada por uma certa melancolia, Zweig enxergou uma possibilidade de conciliação. Combinado às extraordinárias riquezas do país, o pacto de convivência oferecia-se como um paradigma racial e ao desvario político imposto pelo nazismo. (...) Melhor momento não poderia haver para perguntar: Zweig errou ou foi o Brasil que escolheu o modelo errado?"

Stefan Zweig era judeu e austríaco, filho de um industrial. Estudou Filologia Germânica e Românica em Viena e Berlim e viajou o mundo. Na I Guerra Mundial, mudou-se para a Suíça. Depois, instalou-se em Salzburg, obrigado a fugir de Hitler e, em seguida, em Londres, Nova York e, por fim, no Brasil. Em seu tempo de vida, foi o autor de língua alemã mais traduzido. Apesar disso, seu nome constava na lista dos autores proibidos do Terceiro Reich. No exterior, era famoso e valorizado, o que o permitiu dar sequência aos trabalhos literários, mesmo em exílio, de forma bem-sucedida, o que costumava ser raramente possível com pessoas politicamente perseguidas.

Mesmo assim, em 1942, Zweig cometeu suicídio, junto da esposa Lotte. Os motivos permanecem enigmáticos, devido a uma vida aparentemente boa. Se a guerra e a destruição das ciências humanas na Europa despertaram uma melancolia incurável no espírito convictamente pacífico e humanista do autor, ou se outros fatores determinaram o acontecimento, sobre isso, só restam especulações.