Janeiro 04. 2018 Especial: estudando alemão na Alemanha (1)

Bolsista do Goethe-Institut com sua turma, na Alemanha
Arquivo pessoal

São diversas as vantagens de se aprender um idioma no país onde ele é falado. A imersão propicia uma absorção do conhecimento mais rápida e mais efetiva, mas não é só isso. É a chance de descobrir o país e sua cultura, de conhecer melhor as pessoas e seu cotidiano e ter novas experiências. Diante disso, o Goethe-Institut Rio de Janeiro distribui, por ano, sete bolsas de estudos para seus alunos mais motivados estudarem na Alemanha.
 

Os últimos contemplados contam um pouco de suas experiências estudando no país europeu, em uma série de entrevistas para o blog Estação Alemanha. Luísa Marins vivenciou todo o frio de dezembro na cidade de Dresden. Ela começou a estudar alemão ainda na escola e, em 2014, ingressou no Goethe-Institut. Fez dois cursos intensivos e quatro cursos extensivos até ganhar a bolsa por desempenho. Em Dresden, concluiu o nível B1 de conhecimentos da língua (veja o Quadro Europeu Comum de Referência).
 
O que mais te encanta na língua alemã?
 
Algo que me interessa muito é a flexibilidade imensa da língua e a consequente praticidade, a precisão comunicativa que isso possibilita. O fato de ser uma língua muito difícil também é estimulante, porque aprender se torna um desafio. Outro fator é a quantidade de obras literárias relevantes escritas em alemão.
 
Essa foi sua primeira experiência na Alemanha?
 
Não. Estive na Alemanha pela primeira em 2014, com meus pais. A viagem foi um presente de aniversário pelos meus 15 anos. Conhecemos Berlim, Munique e o Castelo Neuschwanstein. Com esse curso, tive a oportunidade de visitar o país uma segunda vez e conhecer uma nova região.

Luísa Marins, aluna do Goethe-Institut Rio de Janeiro e bolsista na Alemanha
 
Por que você decidiu aprender alemão?
 
Aprender uma nova língua é um exercício incrível para o desenvolvimento pessoal e comunicativo, faz bem ao raciocínio e possibilita entrar em contato com lugares, pessoas e ideias antes inalcançáveis. Além disso, uma parte da minha família tem origem alemã. Então, sempre tivemos uma ligação com o país. O conhecimento de alemão também é uma ferramenta muito interessante para minha vida profissional. Atualmente, estudo Biologia na UFRJ e me animo com a perspectiva de uma pós-graduação na Alemanha, por conta da excelência de suas universidades e da valorização muito maior dessa ciência, se comparado com o Brasil.
 
Como foi a escolha da cidade na qual você fez o curso, na Alemanha? 
 
Fiz o curso em Dresden, a capital da Saxônia. Escolhi essa cidade pela riqueza histórica e cultural, além da beleza das paisagens (à beira do rio Elbe) e da proximidade a outros destinos de meu interesse como Praga, Berlim, Leipzig...
 
Qual foi a sua impressão da cidade?
 
Dresden é uma cidade linda, dinâmica e muito rica culturalmente - a quantidade e qualidade dos museus é realmente impressionante. A extensa história da cidade também é interessante e se reflete na arquitetura, com prédios barrocos dividindo espaço com construções típicas do período da DDR, e a memória da destruição de 1945 se fazendo presentes até hoje. Dresden tem dimensões bastante agradáveis: não é tão pequena, nem tão grande, um sistema de transporte público excelente e custo de vida satisfatório em relação a locais mais visados como Munique, por exemplo.
 
O que você mais gostou nessa cidade?
 
A quantidade de opções culturais (os muitos museus, igrejas, prédios históricos...); a proximidade a outros destinos turísticos como Berlim, Leipzig, Praga, Breslávia; e a combinação de uma vida cultural mais tradicional com uma cena jovem, representada sobretudo pelo bairro Neustadt, onde se encontra o Goethe-Institut.
 
Qual é o seu local preferido nessa cidade?
 
Tive a sorte de passar dezembro em Dresden, conhecida pelas tradicionais (e enormes) feiras de Natal. Talvez essa tenha sido minha experiência favorita: passear pelas lojas das várias feiras de Natal espalhadas pelo centro histórico, provar as comidas típicas e testemunhar a empolgação dos alemães com o  Natal. Os museus da cidade também estão entre os favoritos: contam com coleções impressionantes e guardam obras de Raffael e El Greco a Van Gogh, Gauguin e Degas.
 
Qual foi seu maior desafio nessa experiência?
 
Sou uma pessoa um pouco tímida, então chegar sozinha num outro país foi motivo de certa apreensão. Essa foi minha primeira vez viajando totalmente sozinha e isso foi sem dúvidas um desafio. Na hora, tudo deu certo e me surpreendi com a simpatia da minha professora e do pessoal da minha turma.
 
Que dica você daria para os próximos bolsistas?
 
A dica principal é tentar sempre se comunicar, além de estar aberto aos outros. É importante falar com todo mundo sem ter medo, todos estão no curso para aprender e a maioria das alunos está também sozinha e disposta a conhecer novas pessoas para falar alemão e visitar a cidade. Além disso, o próprio pessoal do instituto é bastante atencioso e disposto a ajudar. 
 
Conte um pouco sobre como foi o seu curso?
 
O curso segue um estilo de ensino muito parecido ao do Goethe-Institut Rio de Janeiro. Adorei minha professora, Ute. Ela é excelente e muito criativa ao transmitir o conteúdo. O curso tem excelente material didático e não fica preso somente ao livro. A atmosfera multicultural e o interesse compartilhado por todos em descobrir Dresden e a Alemanha tornam as discussões e o aprendizado muito mais interessantes e dinâmicos.
 
Como é um típico dia de curso no Goethe-Institut na Alemanha?
 
Tínhamos aulas de 8h30 às 13h, com dois intervalos. Inicialmente, havia um revisão dos conteúdos da aula anterior, e prosseguíamos com a matéria, usando o livro didático. O foco nas aulas estava no desenvolvimento da capacidade de fala. Isso foi bastante importante para mim, pois, ao fazer um curso no Brasil, há poucas oportunidades de conversar em alemão fora da sala de aula, o que dificulta a aplicação da gramática aprendida na fala. É muito bom sentir o conhecimento da língua sendo aplicado na vida, usado para fazer amigos, obter informações e entender melhor como a Alemanha funciona e se organiza.
 
O que você mais gostou no curso?
 
O que mais me agradou foi o contato direto com pessoas de vários países: minha turma era totalmente multicultural e eu era a única brasileira entre pessoas do Japão, Polônia, EUA, Índia, Grécia, Coreia... Aprendi não só alemão, mas também muito sobre contrastes culturais e trajetórias de vida distintas e interessantes. Esse tipo de ambiente é extremamente estimulante ao estudo, temos vontade de compartilhar quem somos e como é viver no Brasil.
 
Qual foi o maior desafio para você durante o curso?
 
Talvez o maior desafio tenha sido conciliar a vontade de conhecer Dresden e a necessidade de estudar e fazer deveres para o curso. Mas acho que consegui lidar bem com isso e estou satisfeita com o quanto da cidade consegui conhecer nesse mês.
 
Você gostou da estrutura do Instituto?
 
Sim. O Instituto é muito amplo, confortável e incrivelmente organizado. A Mediateca (de uso livre para participantes de cursos) oferece muito material para estudo, não somente livros didáticos, mas também literatura, filmes, jornais e revistas. São oferecidos passeios, que são ótimas oportunidades para conhecer a cidade e outros estudantes do instituto.