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Julho 26. 2018
Defa: tesouro cinematográfico revelado

Cena do filme 'Os assassinos estão entre nós'
Cena de 'Os assassinos estão entre nós', primeiro longa produzido pela Defa | Eugen Klagemann ©DEFA Stiftung

A queda do Muro de Berlim está às vésperas de completar 30 anos. Levou muito mais tempo, entretanto, para cair o silêncio em torno do tesouro cinematográfico da Deutsche Film AG (DEFA), produtora de cinema estatal da extinta Alemanha Oriental, como destacou a jornalista e curadora Betch Kleiman, em “Atrás do muro havia cinema”, texto publicado no site da produtora Imagem Tempo.

“Fundada em 17 de maio de 1946, três anos antes da criação da República Democrática Alemã (RDA), ela desapareceria em 1992, três anos após a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989. Os embates ideológicos da Guerra Fria e as versões vencedoras da Reunificação das duas Alemanha soterraram 46 anos de sua existência. Durante esse tempo, foi produzida uma coleção de filmes, composta de 750 longas metragens, 200 filmes de animação e mais de 3 mil documentários”, escreveu.
 
De 31 de julho a 19 de agosto de 2018, o público poderá acompanhar parte dessa trajetória, assistindo a filmes produzidos entre as décadas de 1940 e 1980 e acompanhando o desenvolvimento, auge e fim da República Democrática Alemã, durante a mostra “Imagens para o Futuro – A Alemanha Oriental no cinema”. Os filmes, de uma maneira ou de outra, refletem o caminhar de um país, seus sonhos e pesadelos. Organizada e produzida pela Dilúvio Produções, com curadoria de Pedro Henrique Ferreira e Thiago Brito, produção de Eduardo Cantarino, com o apoio e parceria do Goethe-Institut, apoio da DEFA Film Library e da DEFA Foundation, a mostra leva à Caixa Cultural do Rio de Janeiro 25 obras.
 
"Em nossa mostra, o espectador terá a oportunidade de assistir a um leque bem diverso dos gêneros realizados dentro da lógica desse cinema alemão, do musical ao documentário, da adaptação literária até a ficção científica. Achamos importante olhar para a DEFA em sua complexidade e diversidade. É uma filmografia rica e interessante, que pode lançar luz a um experimento que tentou aliar ideologia, indústria e reflexão social. Olhar aos filmes da mostra é também olhar um tipo alternativo de produção e de criação de cinema”, analisa Thiago Brito, curador da mostra ao lado de Pedro Henrique Ferreira. 

O primeiro longa produzido pela DEFA foi “Os assassinos estão entre nós” (1946), de Wolfgang Staudte. Filmado em uma cidade em ruínas, ele conta a história do cirurgião Dr. Mertens (Wilhelm Borchert) que é obrigado a dividir seu apartamento com Susanne Wallner (Hildegard Knef), recém-saída do campo de concentração. O médico encontra seu ex-capitão, Brückner (Arno Paulsen), que considerava morto, e que foi o responsável pela execução de mais de 100 civis durante a guerra. Bückner agora é um empresário de sucesso e Mertens decide fazer justiça com as próprias mãos. "É uma verdadeira obra-prima e um sucesso de bilheteria na época. Sem este longa-metragem de Wolfgang Staudte, talvez a aventura que foi a DEFA não tivesse saído do papel”, acredita Pedro Henrique Ferreira.

Já “Os arquitetos” (1990), de Peter Kahane, é o último longa-metragem produzido pela DEFA e conta a história de Daniel Brenner (Kurt Naumann), um comprometido arquiteto de 30 anos que trabalha desenvolvendo paradas de ônibus e cabines telefônicas e vê a possibilidade de ascender finalmente na carreira quando é convidado para construir um centro cultural. É a oportunidade da promoção desejada, mas seus sonhos esbarram na burocracia. "Ele contrasta largamente com o otimismo do início da DEFA, apontado a desilusão da juventude frente ao autoritarismo governamental e a falta de perspectiva com relação ao futuro”, finaliza Pedro Henrique Ferreira.
 
Confira a programação completa da mostra.

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