Acesso rápido:

Ir diretamente ao contéudo (Alt 1) Ir diretamente à navegação principal (Alt 2)

Ndidi Dike
Bens de consumo e locais de extração no Sul Global

Still extraído da instalação Bens de consumo e sítios de extração no Sul Global, Ndidi Dike (2020)
Still extraído da instalação Bens de consumo e sítios de extração no Sul Global, Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike

“Minha pergunta, então, é: enquanto consumimos esses produtos, como podemos lembrar das condições desumanas sob as quais eles foram adquiridos ou produzidos? Nós nos lembramos das atrocidades cometidas durante o processo de extração?” – Ndidi Dike

Esta instalação digital em 3D exibe os bens de consumo ligados ao comércio transatlântico de pessoas escravizadas – juntamente com os atuais mercados globais de mercadorias – e destaca sua materialidade como metáfora potente.
 


“Este trabalho fala tanto com o colonizador quanto com a cumplicidade dos colonizados, ao examinar as estruturas dominantes de poder econômico e político derivadas do comércio transatlântico de pessoas escravizadas. A chave aqui é o fato de que não se tratava apenas de um grande número de pessoas escravizadas e forçadas a migrar, mas também do impacto que esse movimento teve sobre o significado dos objetos que se transformaram em recursos e mercadorias durante essa história sombria. Trata-se, também, dos espaços geográficos que passaram a ser locais de extração, não apenas de pessoas, mas também de bens.” – Ndidi Dike

Envolvimento material: pondo a mesa

Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike Eu uso o suporte para bolo de três andares e toalinhas de renda de papel, comuns no cerimonial britânico do chá, como forma recorrente de exposição no trabalho. O suporte para bolo simboliza metonimicamente as potências coloniais no espaço transatlântico e o empilhamento de recursos usados por elas para sustentar e alimentar as economias industriais europeias. 

No meu trabalho, conecto esses dispositivos e essas metáforas com a materialidade dos produtos de alguns dos portos marítimos e “sítios de extração” ao longo da costa da África Ocidental, comumente chamada de Golfo da Guiné.
 
O resultado final permite aos visitantes atravessar a instalação, experimentando ao mesmo tempo os produtos reais, os recursos naturais e as representações fotográficas desses objetos através de imagens que detalham sua produção (da matéria-prima ao produto processado), seus locais geográficos de origem e seu movimento em todo o mundo. O movimento do corpo do visitante e seu olhar ao percorrer a instalação trabalham para modelar as ligações específicas entre locais e portos, do início ao fim. Cada suporte repousa sobre mesas cuidadosamente cobertas por uma toalha, na qual estão impressos corpos, que evocam os infames Planos de Escravos de Brooks, o que ressalta o ponto de que a produção e o consumo de mercadorias dependiam historicamente do trabalho e da terra dos escravizados.

Narrativas materiais


Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike Quatro produtos principais são abordados no trabalho, cada um deles ligado a um suporte para bolo feito sob medida e dedicado a produtos específicos: ouro, algodão, índigo e baunilha. Cada unidade de suporte para um bolo-recurso exposto na instalação retrata as várias etapas e processos do ciclo de vida que transforma as matérias-primas em bens de consumo. Os suportes estão situados dentro de um quadro de transparências fotográficas penduradas, cada uma igualmente dedicada a um dos quatro produtos ou recursos naturais. Essas transparências penduradas apresentam fotografias sobrepostas, colagens, imagens retrabalhadas e símbolos, provenientes tanto do meu arquivo pessoal de imagens reunidas através de pesquisas e visitas aos locais, como de imagens digitais disponíveis online de acesso público.

Algodão 

Meu interesse pela cultura do algodão decorre de sua história agrícola e de seu cultivo como mercadoria de luxo, que também transformou os seres humanos em bens de consumo de massa durante o comércio transatlântico de pessoas escravizadas. Esses são dois dos produtos que lançaram as bases para a industrialização e para a ascensão do capitalismo moderno no mundo, a partir de um sistema promulgado pelas potências imperiais no Norte Global.

Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike O algodão possibilitou o avanço industrial e seu subsequente lucro nos EUA para dominar o comércio deste recurso natural por séculos através da exportação do mesmo para a Grã-Bretanha e outros países. Isso não teria sido possível sem o sistema de plantações – que usava indivíduos sequestrados, raptados e escravizados, forçados a migrar a partir da costa oeste da África. Esses indivíduos foram forçados a trabalhar em plantações estadunidenses, particularmente na região Sul do país, em estados como Alabama, Mississippi, Arkansas, Carolina do Sul e Tennessee, entre outros, a fim de cultivar a terra fértil, processar o algodão e prepará-lo para a exportação para a Europa através dos portos de Nova Orleans, Charleston e Nova York.
 
Em suma, o “acúmulo de capital na produção periférica de mercadorias” era, segundo Merivale, “necessário para a expansão econômica da metrópole, e o acesso ao trabalho, por coerção, se necessário fosse, era um pré-requisito para transformar terras abundantes em fornecedoras produtivas de recursos”. Como forma de aumentar a produtividade e o rendimento – os lucros quase dobraram –, a invenção do descaroçador de algodão ampliou o processamento do algodão cru, removendo as sementes da fibra da planta. No entanto, isso não reduziu o número de trabalhadores escravizados necessários para cultivar e colher o algodão. Os escravizados vestiam osnaburg, um linho grosseiro. Suas condições de trabalho eram abusivas, para afirmar a dominação. Mais tarde, o sistema escravagista foi substituído pelo sistema de exploração de meeiros, onde um agricultor inquilino cultivava lavouras para o proprietário de um pedaço de terra e recebia parte do dinheiro da venda das colheitas.

Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike O suporte exibe uma mistura de algodão refinado com sementes orgânicas de algodão não processado, bem como uma gama de produtos acabados que denotam o valor de uso do algodão cru, como o fio de algodão, usado na indústria têxtil global de fast fashion (moda descartável). Essas referências às plantações desumanas de algodão, que formaram as bases do trabalho escravo, refletem as formas atuais de mão de obra explorada, chamando a atenção para o que aconteceu com os trabalhadores da indústria têxtil na Índia durante o confinamento da Covid-19. A indústria têxtil e de tingimento, notoriamente o maior consumidor de água no processo de fabricação, é conhecida por seus problemas de descarte de resíduos não reciclados, muitas vezes despejados nos rios. A realidade condenável desses métodos não é apenas a poluição e a destruição da biodiversidade local, mas também o sustento das comunidades que dependem da água para a agricultura e para outras atividades econômicas.

Ouro

Resumindo, a indústria transatlântica do comércio de pessoas escravizadas foi inaugurada pelos portugueses – tendo contado mais tarde com a adesão de outros europeus – no século 15, quando pessoas africanas, ao longo da costa da África Ocidental, foram sequestradas – e também trocadas por produtos –, tendo sido transportadas compulsoriamente e forçadas a trabalhar nas plantações nas Américas.

Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike Historicamente é pouco reconhecido e comentado que o número de indivíduos escravizados enviados ao Brasil e à América do Sul foi o dobro daquele enviado à América do Norte. O castelo de Elmina, em Gana, construído pelos portugueses em 1482, foi um dos primeiros grandes entrepostos comerciais a negociar e lidar com pessoas escravizadas nessa área então conhecida como Costa do Ouro, por ser um importante centro de armazenagem de ouro e marfim. O castelo também serviu como cárcere para o alojamento provisório de pessoas escravizadas que aguardavam transporte para a América do Norte e do Sul. Em vários estágios de seu tempo de uso, as instalações foram disputadas pelos holandeses e por outros europeus, tendo depois pertencido aos britânicos até a época da independência, em 1957 — daí a imagem da rainha representando a conquista e o império coloniais. Pessoas escravizadas levadas do castelo de Elmina, em Gana, para o Brasil, eram conhecidas e escolhidas por suas habilidades em garimpar o ouro. Embora o ouro seja comumente citado como produto da escravidão, me interessei particularmente pela história desse recurso durante minha viagem à cidade brasileira de Belo Horizonte em 2017.
 
Lá aprendi sobre as minas de ouro historicamente desativadas em Ouro Preto, cidade fundada em 1698 em uma região rica em minério, no estado de Minas Gerais, área de então colonização portuguesa na região leste do Brasil. Nosso guia nos informou que grande parte da população escravizada havia chegado especificamente de Gana, tendo sido escolhida pelos portugueses devido a seu conhecimento prévio e histórico nas técnicas de exploração de ouro – que poderiam ser utilizados na indústria de mineração, escavação, lavagem e forjamento no Brasil.
 
A história, a memória e a exploração atual de outros grupos étnicos – entre eles Bantu, Iorubá, da atual Cotonu, entre outros – caminham lado a lado. As minas de ouro de Ouro Preto, no Brasil, usavam infamemente crianças pequenas, em particular meninos castrados. A Igreja no Brasil, por sua vez, nunca condenou abertamente a escravidão – até fazê-lo, irresolutamente, no século 17 – e via o controle sobre os africanos escravizados como uma forma de exploração “civilizadora”. No entanto, os escravizados encontraram formas de subverter a situação, a fim de adaptar e praticar suas crenças, tradições e religiões, que deram à luz diferentes tipos de culto religioso, como o Candomblé, uma combinação de religiões estrangeiras e africanas tradicionais.
 
O suporte do ouro apresenta aos espectadores narrativas materiais que se voltam para a sólida indústria que explora esse recurso, um dos mais rentáveis do planeta: as maiores jazidas do mundo se encontram na África do Sul, em Gana, Mali e no Congo (RDC).

Para as elites, o ouro é a manifestação externa do luxo e o símbolo máximo de status e da riqueza, ao lado de diamantes e de outros minerais, como a platina. O ouro significa opulência, poder e prestígio. Ele representa a insciência, o total desrespeito que é a desapropriação de terras das populações originárias indígenas, a poluição ambiental e a devastação, e as condições sociais desumanas dos mineiros encarregados de trazer esse material à superfície.

 “É um dos mais valiosos minerais preciosos do planeta, já que estoques de barras de ouro são mantidos por países do Norte Global como garantia do cumprimento de compromissos financeiros e como reserva de valor para a moeda nacional, em caso de desastre econômico ou pandemia, como a da Covid-19 nos dias de hoje.” “É um dos mais valiosos minerais preciosos do planeta, já que estoques de barras de ouro são mantidos por países do Norte Global como garantia do cumprimento de compromissos financeiros e como reserva de valor para a moeda nacional, em caso de desastre econômico ou pandemia, como a da Covid-19 nos dias de hoje.” | © Ndidi Dike

Índigo

Esse corante oriundo da África é uma substância azul orgânica extraída de uma planta (folhas), cujo gênero é conhecido como Indigofera.

Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike “Meu interesse na baunilha deriva de um desejo de pensar seriamente sobre as possibilidades inerentes à percepção olfativa. Eu quero repensar e imaginar mais profundamente os sacrifícios que as pessoas fizeram e a maneira como banalizamos e desfrutamos coisas tão ‘simples’ como odores e sabores.”
 
Quando ouvimos a palavra baunilha – talvez o aroma e sabor favoritos do mundo –, nossas associações imediatas são o gosto agradável de sorvete ou o sabor de um lindo bolo leve e macio, com um aroma maravilhoso. A baunilha, como o tempero mais amado depois do açafrão, é usada e consumida globalmente, em escala industrial, em doces, cosméticos, perfumes, aromaterapia, velas, bebidas, sabonetes, purificadores de ar e incenso, entre outros produtos.
 
O maior produtor mundial de baunilha é Madagascar, uma ilha situada na costa sudeste da África, em frente a Moçambique. Madagascar tem uma população de mais de 26 milhões de pessoas e abriga a cobiçada especiaria da baunilha, representando 75% da produção mundial. A baunilha também é o segundo cultivo agrícola mais intensivo em mão-de-obra no mundo, pois, para otimizar o processo de polinização das abelhas, é meticulosa e habilmente polinizada à mão, o que resulta em uma indústria que supostamente emprega uma força de trabalho de 80 mil agricultores. Todo o processo leva cerca de um ano – depois que a lavoura é polinizada e a colheita é curada, seca, e, finalmente, preparada para exportação.

O gosto e o desejo sem precedentes do Ocidente pela baunilha levam a guerras, mortes, assassinatos extrajudiciais e, significativamente, ao desmatamento – em um cenário, no qual as árvores são derrubadas para abrir caminho para a produção lucrativa de fazendas de baunilha, prejudicando consequentemente ecossistemas que já são frágeis. Os agricultores tendem a se armar para proteger suas plantações contra ladrões que tentam roubar baunilha na calada da noite. Vigílias de 24 horas são comuns. Instigados por demandas externas e controle de preços nos mercados do Norte Global, agentes corruptos e políticos fraudulentos da elite local ou internacional se beneficiam do dinheiro vivo que flui dos cartéis exploratórios. Isso tem levado a uma atmosfera em que as pessoas estão dispostas a correr riscos devido às altas margens de lucro e às vantagens econômicas extraordinárias. Povos originários que denunciam a situação, assim como organizações e ativistas ambientais ou de direitos humanos, são frequentemente assediados com acusações forjadas e jogados na cadeia por diversas sentenças de prisão. É irônico que a baunilha sintética ou artificial possa ser facilmente produzida em massa, mas os industriais preferem a fava de baunilha natural, cultivada organicamente, um cenário que lembra o comércio global de marfim. Tudo isso explica por que a baunilha tem um valor alto e por que as pessoas estão dispostas a arriscar suas vidas para obtê-la por qualquer meio possível. O uso da fragrância da baunilha permeará o local da exposição, não apenas para lembrar a exploração dos recursos naturais, mas também para destacar as condições desumanas, os abusos dos direitos humanos, o roubo das vagens de baunilha por grupos armados, o desmatamento e a instabilidade política dos agricultores pobres que cultivam a baunilha em Madagascar.

O suporte da baunilha mostra favas processadas dentro de tubos de ensaio com códigos de barra. Junto com as favas de baunilha feitas de metal, espalhadas pelos diferentes níveis do suporte, estão três garrafas em miniatura de essência de baunilha, adquiridas em lojas de Lagos, na Nigéria. Em um outro suporte, as favas de metal aparecem ao lado de wafers de baunilha e chás aromatizados com baunilha. No centro das sete transparências suspensas, vê-se pendurada uma cortina de vagens de baunilha feitas de metal com aspecto hiper-realista, como um truque ótico. As miniesculturas metálicas evocam a baunilha, mas também trazem à mente corpos suspensos e as histórias sombrias de linchamento e morte, outra referência à violência que caracteriza tanto o trabalho humano quanto as atitudes desrespeitosas em relação às terras de onde provêm esses recursos.


Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike O suporte do índigo exibe folhas secas da planta índigo, moldadas em bolas para armazenamento futuro – essas folhas podem ser regeneradas quando há demanda, desde que sejam encharcadas com água por um longo período de tempo – ao lado de outros elementos que auxiliam no processo químico de oxidação que tem como produto final o rico corante índigo, como alume azul e branco, casca de coco, cinzas etc.

Baunilha

Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) Bens de consumo e locais de extração – instalação – Ndidi Dike (2020) | © Ndidi Dike “Meu interesse na baunilha deriva de um desejo de pensar seriamente sobre as possibilidades inerentes à percepção olfativa. Eu quero repensar e imaginar mais profundamente os sacrifícios que as pessoas fizeram e a maneira como banalizamos e desfrutamos coisas tão ‘simples’ como odores e sabores.”
 
Quando ouvimos a palavra baunilha – talvez o aroma e sabor favoritos do mundo –, nossas associações imediatas são o gosto agradável de sorvete ou o sabor de um lindo bolo leve e macio, com um aroma maravilhoso. A baunilha, como o tempero mais amado depois do açafrão, é usada e consumida globalmente, em escala industrial, em doces, cosméticos, perfumes, aromaterapia, velas, bebidas, sabonetes, purificadores de ar e incenso, entre outros produtos.
 
O maior produtor mundial de baunilha é Madagascar, uma ilha situada na costa sudeste da África, em frente a Moçambique. Madagascar tem uma população de mais de 26 milhões de pessoas e abriga a cobiçada especiaria da baunilha, representando 75% da produção mundial. A baunilha também é o segundo cultivo agrícola mais intensivo em mão-de-obra no mundo, pois, para otimizar o processo de polinização das abelhas, é meticulosa e habilmente polinizada à mão, o que resulta em uma indústria que supostamente emprega uma força de trabalho de 80 mil agricultores. Todo o processo leva cerca de um ano – depois que a lavoura é polinizada e a colheita é curada, seca, e, finalmente, preparada para exportação.

O gosto e o desejo sem precedentes do Ocidente pela baunilha levam a guerras, mortes, assassinatos extrajudiciais e, significativamente, ao desmatamento – em um cenário, no qual as árvores são derrubadas para abrir caminho para a produção lucrativa de fazendas de baunilha, prejudicando consequentemente ecossistemas que já são frágeis. Os agricultores tendem a se armar para proteger suas plantações contra ladrões que tentam roubar baunilha na calada da noite. Vigílias de 24 horas são comuns. Instigados por demandas externas e controle de preços nos mercados do Norte Global, agentes corruptos e políticos fraudulentos da elite local ou internacional se beneficiam do dinheiro vivo que flui dos cartéis exploratórios. Isso tem levado a uma atmosfera em que as pessoas estão dispostas a correr riscos devido às altas margens de lucro e às vantagens econômicas extraordinárias. Povos originários que denunciam a situação, assim como organizações e ativistas ambientais ou de direitos humanos, são frequentemente assediados com acusações forjadas e jogados na cadeia por diversas sentenças de prisão. É irônico que a baunilha sintética ou artificial possa ser facilmente produzida em massa, mas os industriais preferem a fava de baunilha natural, cultivada organicamente, um cenário que lembra o comércio global de marfim. Tudo isso explica por que a baunilha tem um valor alto e por que as pessoas estão dispostas a arriscar suas vidas para obtê-la por qualquer meio possível. O uso da fragrância da baunilha permeará o local da exposição, não apenas para lembrar a exploração dos recursos naturais, mas também para destacar as condições desumanas, os abusos dos direitos humanos, o roubo das vagens de baunilha por grupos armados, o desmatamento e a instabilidade política dos agricultores pobres que cultivam a baunilha em Madagascar.

O suporte da baunilha mostra favas processadas dentro de tubos de ensaio com códigos de barra. Junto com as favas de baunilha feitas de metal, espalhadas pelos diferentes níveis do suporte, estão três garrafas em miniatura de essência de baunilha, adquiridas em lojas de Lagos, na Nigéria. Em um outro suporte, as favas de metal aparecem ao lado de wafers de baunilha e chás aromatizados com baunilha. No centro das sete transparências suspensas, vê-se pendurada uma cortina de vagens de baunilha feitas de metal com aspecto hiper-realista, como um truque ótico. As miniesculturas metálicas evocam a baunilha, mas também trazem à mente corpos suspensos e as histórias sombrias de linchamento e morte, outra referência à violência que caracteriza tanto o trabalho humano quanto as atitudes desrespeitosas em relação às terras de onde provêm esses recursos.

Processo

Produção de toalhas de mesa

Processamento da baunilha
 

Criação de suportes para produtos

Detalhe das transparências

Agradecimentos e colaboração:
Goethe-Institut
Niyi Omoniyi Adebayo
awhitespacelagos
Taiwo Ayedegbon
ooa_ visual
Kelechi Amadi-Obi Studios
Benjamin E. Ukoh

Top