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Equipe
Curadoria

© António Ole
© António Ole | © António Ole

Posição curatorial

A equipe em vibe de encontro online 2021 A equipe em vibe de encontro online 2021 | © Fareda Khan Imaginamos um espaço virtual de acolhimento, suspenso no tempo, um contramuseu despudorado de projetos, performances, filmes e instalações inacabados, pulsando com a expectativa de serem – algum dia – reimaginados, reformulados e realizados. Anotações, rabiscos, esboços, imagens, melodias entoadas pela metade, pés dançantes. Um “Carnaval em construção”, que exala as reverberações de um futuro imprevisível, porém esperançoso por todo o Atlântico Sul e para além dele.

Nossa atual situação global está evoluindo para muitas permutações. O “novo normal” parece eternamente fora de alcance – repleto de ansiedades e incertezas, mas também de infinitas possibilidades. Nas formas como criamos, comunicamos e percorremos nossas jornadas, em nossos modos de encontro, nossa espacialidade em cenários urbanos ou rurais, dos conceitos em torno da distância social e física a simplesmente como adornamos nossos corpos com máscaras, coberturas faciais ou roupas de proteção, e reimaginamos os ritos de passagem do nascimento à morte, à vacinação: novas formas de ser alteram-se constantemente. 
 
Essa situação imposta globalmente a nós pela pandemia apresenta numerosos desafios à medida que as restrições que enfrentamos continuam se alterando e seguimos adaptando nossa abordagem e prática. Desde o início da pandemia, em março de 2020, temos criado, individual, coletiva e globalmente novos caminhos e estruturas, enquanto separamos mitos e realidade. Como as comunidades e pessoas que colaboraram com o projeto Ecos do Atlântico Sul reagiram a esses desafios? De que forma nós, como equipe curatorial, recuperamos nossos planos originais a partir dessas respostas, mesmo aceitando os inevitáveis desvios e os adiamentos indeterminados? Como converter desapontamento em esperança?
 
Carnaval em construção é nosso conceito curatorial para a publicação digital que emerge da fase final do projeto Ecos do Atlântico Sul. Ele se desenvolveu em conselho com as colaborações artísticas dentro do projeto e sob o conhecimento das restrições de entrega impostas pelo período particular pelo qual estamos passando. Ele apresenta o estado em grande parte inacabado da maioria dos projetos originais como trabalhos em processamento, que refletem de diversas formas o espírito de resistência alegre, criativa, improvisada que é a história profunda do mundo afro-atlântico, e que se manifesta com a maior evidência no fenômeno do “Carnaval”.
 
Afastando-se da ideia de um carnaval vinculado a um ponto preciso do calendário, mantemos a promessa de um eterno retorno e o ato de fazer isso acontecer – em todos os sentidos do termo. Investindo significado e agência no trabalho de artistas, colocamos a obra ainda inacabada junto aos projetos que foram concluídos apesar da pandemia. Esta publicação digital documenta, portanto, a jornada percorrida por cada artista, iniciada há três anos na Bahia, e que teve que acabar, por enquanto, no curso de um desenvolvimento extraordinário e imprevisto em escala global.
 
Mesmo quando as linhas de demarcação de nosso incerto e fraturado mundo se alteram rapidamente, as implacáveis consequências da Covid-19 combinam-se a ataques a minorias no mundo todo e a restrições crescentes ao direito de protestar contra desigualdades sociais. Comunidades negras e asiáticas são algumas das mais vulneráveis do mundo ocidental, uma consequência da desigualdade histórica, da pobreza e do racismo estrutural. Existir nesse “novo normal” é inevitavelmente se deparar com injustiças complexas, tópicas e societais. Em particular, a fim de responder adequadamente ao Black Lives Matter (BLM) em tempos de Covid-19, invocamos Carnaval como emblema da cultura que se situa em um contínuo histórico com o movimento BLM.

Na arte e através dela, é possível reimaginar uma sociedade após a nuvem da Covid-19: isso é o que planeja “Carnaval em construção”. Fermentando uma utopia alternativa e equitativa, artistas do projeto revelam novas maneiras de ser, coletando memórias de injustiças históricas e verdades em meio ao mito e à magia do reino das promessas.

Olhando para trás, quais foram os desafios que enfrentamos?

Os projetos de diferentes artistas, a natureza de sua interrupção, o que já foi realizado e seus planos para o futuro, tudo isso mostra claramente que há em jogo muitos estágios diferentes de (in)completude. Além disso, alguns poucos projetos foram concluídos até o momento da organização da publicação. Ao mesmo tempo, todos os projetos foram guiados por uma vertiginosa gama de arquiteturas conceituais e uma série de mídias. Finalmente, tivemos que lutar com os parâmetros do formato digital, navegando através de fusos horários, telas e idiomas, na ausência da comunicação face a face. Nestas circunstâncias, como deveríamos garantir a paridade da representação? 
 
Nossas soluções incluem o uso criativo do formato do trailer, a interação de nossos comentários curatoriais com as vozes de artistas, mostrando o próprio processo criativo, mesmo enquanto ele ainda está sendo desenvolvido. As páginas do projeto celebram os muitos spin-offs de colaborações e parcerias vinculados às reverberações transatlânticas do Ecos do Atlântico Sul
 
Jornada e Recolhimento; Encontro e Reconhecimento; Transformação e Festa: convidamos você a explorar o jogo dinâmico de semelhanças e diferenças através das conexões que ligam os projetos.

Equipe de curadoria

A equipe em vibe de encontro online (2021) A equipe em vibe de encontro online (2021) | © Camilo Caicedo Nossa equipe de pesquisa e curadoria é multilíngue, multiétnica e multisituada. Ela foi capaz de trazer uma riqueza de experiências pessoais e profissionais para o diálogo com as pessoas que participam e colaboram com o “Ecos do Atlântico Sul”.

A parceria entre as cocuradoras Ananya Kabir e Fareda Khan remonta ao ano 2000, quando elas começaram a colaborar em diversos projetos que culminaram em uma parceria de grande sucesso financiada por uma bolsa de transferência de conhecimento concedida a Ananya Kabir pelo Conselho de Pesquisa em Artes e Humanidades do Reino Unido. Esta bolsa permitiu que Fareda Khan e Ananya Kabir assumissem a curadoria do ambicioso programa multilocalizado Between Kismet and Karma: South Asian Women Artists Respond to Conflict (Entre Kismet e Karma: artistas mulheres do Sul da Ásia respondem ao conflito), realizado em 2012 por todo o Reino Unido. Ananya Kabir e Fareda Khan cultivam uma longa amizade e uma relação de trabalho simbiótica fundamentada no compromisso com a diversidade, a criatividade e a justiça através da arte – visão compartilhada por toda a equipe de curadoria do Ecos do Atlântico Sul e que constitui o elemento que garante sua coesão.

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