„Muito Romântico“ Berlim nas telas

Muito Romântico
Muito Romântico | © Distruktur

A mudança para a Alemanha e os primeiros anos em Berlim são o tema central de Muito Romântico, longa-metragem de Mellissa Dulius e Gustavo Jahn, exibido na mostra Forum Expanded.

O início do filme é carregado de nostalgia. A travessia do Oceano Atlântico, do Brasil para a Alemanha, é feita em um cargueiro. O casal passa os dias lendo, filmando e fotografando. A transição é lenta e tem seu tempo. “Nossas imagens são quase autorretratos que fizemos durante a viagem”, explica Jahn. Os dois cineastas trabalharam por quase dez anos no projeto. O longa mistura lembranças e eventos reais com imaginação e encenação, criando uma imagem poética em 16mm da então nova vida em Berlim. “O filme está estruturado em três eixos: a experiência do navio e associações de imagens feitas com ele, as encenações no quarto e o nosso material de arquivo”, conta Dullius. E é justamente neste material acumulado por dez anos que se vê Berlim.

O longa, apesar de falar sobre o fim do Romantismo, a partir de uma citação de Alfred Döblin, mostra a cidade com um olhar romântico – uma visão particular do casal protagonista. “Decidimos ver o filme como uma colagem e não produzir coisas novas. Mesmo nas cenas que seguiram um roteiro e foram encenadas, usamos figurinos, objetos e materiais que já tínhamos”, ressalta Jahn. Nesse sentido, quando uma abertura do enclausuramento do quarto é feita, vemos uma sequência de imagens da cidade – imagens essas já apresentadas pelos cineastas no trabalho intitulado Fotokino. Além disso, há as imagens que os próprios personagens fazem de Berlim, principalmente dos canteiros de obra que se multiplicam na cidade. Tais imagens são declaradamente uma maneira de apropriação do espaço pelos protagonistas, uma forma de assimilar a cidade sempre em movimento e em constante transformação.

Quilombolas

Outro projeto que integra a seção Forum Expanded é Mina dos Vagalumes, de Raphaël Grisey (Brasil/França). Na instalação, composta por três vídeos, o artista trata dos problemas que comunidades quilombolas enfrentam em relação à especulação imobiliária de suas terras na cidade e também às ameaças e invasões que sofrem de mineradoras no interior de Minas Gerais. Os vídeos intercalam depoimentos de descendentes de escravos, reuniões governamentais e paisagens locais, criando um mosaico que reconstrói a realidade das comunidades.