Urso de Ouro "Fuocoammare" é o grande vencedor da Berlinale

Goldener Bär für den Besten Film: „Fuocoammare“ von Gianfranco Rosi
Goldener Bär für den Besten Film: „Fuocoammare“ von Gianfranco Rosi | Foto (Ausschnitt): © Berlinale

Festival reafirma seu papel político ao entregar o Urso de Ouro para documentário sobre Lampedusa.

A Ilha de Lampedusa, na Itália, tornou-se um dos principais símbolos da situação crítica dos refugiados na Europa. Para retratar seu dia a dia e filmar Fuocoammare, o diretor Gianfranco Rosi viveu por mais de um ano na Ilha. O filme mostra o cotidiano de alguns habitantes do lugar, além da situação dos refugiados africanos que chegam à Ilha e as mortes que acontecem no mar com frequência. O filme também recebeu prêmios dos júris independentes: o prêmio do Júri Ecumênico, da Anistia Internacional, e do Júri de Leitores do diário Berliner Morgenpost.

Questões atuais nas telas e fora delas

A Berlinale é tradicionalmente conhecida como um festival de cinema político. Em 2016, esse conceito foi potencializado com muitos filmes instigantes, que trazem realidades duras, vistas a partir da perspectiva de quem as vive. Há relatos de zonas de guerra, narrativas sobre racismo e ainda as dificuldades dos imigrantes e refugiados, levados às telas tanto de documentários quanto de ficções. Durante o festival, foram ainda realizadas ações com grupos de refugiados, como o “sponsored cinema visit”, que contou com a participação de cerca de 900 pessoas.

Prêmios para América do Sul

Algumas produções chilenas e argentinas saem de Berlim com prêmios. Nunca vas a estar solo, de Alex Anwandter, que conta a reaproximação de um pai do filho, depois de passar por um ataque homofóbico brutal sofrido pelo último, recebeu o Prêmio Especial do Júri do Teddy Award, dedicado a temáticas queer. Já Las Plantas, exibido na mostra Geração 14plus, recebeu o Grande Prêmio do Júri Internacional e Menção Especial do Júri Jovem. A coprodução chileno-argentina Rara foi a vencedora do Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Geração Kplus. E ainda o curta-metragem argentino El inicio de Fabrizio recebeu o Urso de Cristal do júri infantil da mesma mostra.

O filme Mãe só há uma, de Ana Muylaert, recebeu o Teddy Award do júri de leitores da revista Männer. O filme trata da história de um adolescente, que descobre ter sido roubado na maternidade e precisa morar com a família biológica. O protagonista Pierre, que passa a ser chamado de Felipe na nova família, vai ao longo do filme explorando sua sexualidade de novas maneiras.