Exposição em Belém Artistas “no limite”​​

Exposição "No limite", em Belém.
Exposição "No limite", em Belém. | Foto: Octavio Cardoso

A exposição “No Limite”, com curadoria de Marisa Mokarzel e Martin Juef, reúne obras de artistas de Berlim e Belém e pode ser vista no Museu da Universidade Federal do Pará.

Experiências-limite e a superação de limites podem ser entendidas como técnicas culturais que, por exemplo, na época das “grandes descobertas” levaram não apenas ao desenho de novos mapas geográficos, mas também a uma completa redefinição das imagens do mundo.

Limites delineiam um “dentro” e um “fora”, sendo contornos que dão forma a situações existenciais. Limites são dinâmicos e, por isso, nunca definitivos – apenas a morte representa um último limite. Segundo Karl Jaspers (1883-1969), a experiência com situações-limite leva a mudanças internas que favorecem “o surgimento de uma existência possível dentro de nós”. Desenvolvemos, portanto, formas de conduta que favorecem nossa própria autonomia.

A exposição No Limite aborda os limites e as experiências relacionadas a situações-limite através de doze obras selecionadas, criadas por artistas mulheres: oito de Berlim e quatro de Belém. As obras referem-se a experiências pessoais com situações-limite ou criam situações-limite através de estratégias e abordagens artísticas específicas.
 

  • No centro: Zorka Lednarova, “Só um instante”, instalação com desenhos (grafite sobre papel), 2017 Foto: Octavio Cardoso
    No centro: Zorka Lednarova, “Só um instante”, instalação com desenhos (grafite sobre papel), 2017
  • Nadine Fecht, "Histeria" (detalhe), tinta preta sobre papel, 2017 Foto: Octavio Cardoso
    Nadine Fecht, "Histeria" (detalhe), tinta preta sobre papel, 2017
  • Esq.: Isabelle Borges, "Sete Elementos", diversas mídias, 2017 Foto: Octavio Cardoso
    Esq.: Isabelle Borges, "Sete Elementos", diversas mídias, 2017
  • Chan Sook Choi, "forgotten", impressões de tinta pigmentada em folha transparente e água, 2016 Foto: Octavio Cardoso
    Chan Sook Choi, "forgotten", impressões de tinta pigmentada em folha transparente e água, 2016
  • Esq.: Keyla Sobral, "Meu coração está aberto, pode entrar", luminoso em LED, 2015 Foto: Octavio Cardoso
    Esq.: Keyla Sobral, "Meu coração está aberto, pode entrar", luminoso em LED, 2015
  • Danielle Fonseca, "O Martelo sem Mestre", série de fotografias, 2015 Foto: Octavio Cardoso
    Danielle Fonseca, "O Martelo sem Mestre", série de fotografias, 2015
  • Esq.: Kirsten Heuschen, "Instalação na parede com cianótipos em porta-copos , 2013 Foto: Roman März.
    Esq.: Kirsten Heuschen, "Instalação na parede com cianótipos em porta-copos , 2013
  • Luciana Magno, "Corpus Christi", vídeo, 2016 Foto: Octavio Cardoso
    Luciana Magno, "Corpus Christi", vídeo, 2016
  • Zuzanna Skiba, "O círculo se fechou", instalação com fotografias, um desenho e texto, 2016 Foto: Octavio Cardoso
    Zuzanna Skiba, "O círculo se fechou", instalação com fotografias, um desenho e texto, 2016
  • Zuzanna Skiba (texto) e Monika Rechsteiner, "Como se fosse por si mesmo", vídeo, 2009 Foto: Octavio Cardoso
    Zuzanna Skiba (texto) e Monika Rechsteiner, "Como se fosse por si mesmo", vídeo, 2009
  • Silvia Beck, "feat. Viola Kamp – A Inauguração", vídeo, 2016 Foto: Octavio Cardoso
    Silvia Beck, "feat. Viola Kamp – A Inauguração", vídeo, 2016
  • Lúcia Gomes, "EU Sempre vou CHE Amar", instalação performática, 2017 Foto: Octavio Cardoso
    Lúcia Gomes, "EU Sempre vou CHE Amar", instalação performática, 2017


A variedade dos trabalhos expostos vai desde a ampla reconstrução de uma autêntica experiência de quase-morte, até experimentos fotoquímicos com os contornos de objetos banais do cotidiano. Dentre deste espectro, encontramos reminiscências de confrontação ideológica, como por exemplo no rosto de Che Guevara, guardado em um freezer. Ou em retratos depositados em recipientes com água e, portanto, em processo de dissolução, que integram uma pesquisa sobre a perseguição e discriminação de mulheres japonesas na Coreia do pós-guerra.

Vemos em um vídeo a conduta de blasfêmia frente a símbolos religiosos e nos defrontamos com a “elaboração construtiva” das chamadas “fake news” em uma instalação constituída de objetos afixados a uma parede.

Desenhos de grande formato nos fazem lembrar um estereótipo de gênero, proveniente dos primórdios da psicanálise: “I am not hysterical”. Tomamos conhecimento do medo de uma artista durante sua estadia em “Fruholmen”, uma pequena ilha no litoral norueguês, a qual, até o final do século 17, serviu de exílio para mulheres que eram relacionadas com a “aparição de espíritos malignos”.

Acompanhados pelo monólogo interior de uma autodescoberta artística, seguimos uma câmera durante seu percurso pela ruína de concreto de uma usina nuclear que nunca esteve em funcionamento. E ficamos conhecendo a personagem fictícia “Viola Kamp”, uma agente e dublê que observamos durante seu jogo críptico de autoencenação artística, cuja estratégia de juventude eterna se deve também à necessidade de um marketing bem-sucedido de si própria.

Por fim, somos conduzidos com segurança por um terreno cartografado, passando por áreas marcadas pelo rancor, pela saudade vã e pelos “corações oprimidos” pela solidão. Assim, chegamos às margens longínquas da dissolução de fronteiras, onde artistas tocam com virtuosismo o teclado de ondas retumbantes.

Artistas participantes: Chan Sook Choi, Danielle Fonseca, Isabelle Borges, Keyla Sobral, Kirsten Heuschen, Lúcia Gomes, Luciana Magno, Monika Rechsteiner, Nadine Fecht, Silvia Beck, Zorka Lednarova und Zuzanna Skiba.



 
Data: De 1º a 30 de setembro
Local: Museu da UFPA - Av. Gov. José Malcher, 1192; Belém, PA

Horários de visita: Terça a sexta, das 10h às 17h / sábado e domingo, das 10h às 14h.
Entrada franca. Visitas monitoradas.