Literatura infantojuvenil Oh, que lindo é o mundo digital

Hoje formatos digitais como o SuperBuch são naturais até para os menores leitores
Hoje formatos digitais como o SuperBuch são naturais até para os menores leitores | Foto (detalhe) : © Thienemann-Esslinger Verlag

A demanda de formatos de leitura digital é maior do que nunca até mesmo entre os menores leitores e leitoras. Mas a transição para aplicativos, jogos ou formatos de realidade virtual traz grandes desafios, especialmente para as pequenas editoras.

Píppi Meialonga, Pettersson e Findus, Tigre e Urso, o Pequeno Urso Polar,  Rapunzel, Cinderela,  – a lista de personagens de contos de fadas e livros infantis e de heróis de quadrinhos que não têm mais uma vida somente no mundo dos livros, filmes e dramas radiofônicos, mas também em formatos digitais, pode ser ampliada à vontade. Há muito tempo, programas didáticos, jogos para PC ou consoles, aplicativos para smartphones e tablets, bem como produtos trans ou crossmídia que unem formatos analógicos e digitais, já pertencem ao repertório fixo do sistema multimídia de livros infantojuvenis. Editoras e empresas de mídia tentam assim reagir às oportunidades e desafios da digitalização.

Com o pequeno Tigre e o pequeno Urso pelo mundo afora: mas onde fica mesmo o Panamá? Com o pequeno Tigre e o pequeno Urso pelo mundo afora: mas onde fica mesmo o Panamá? | Foto (detalhe): © Mixtvision

Aprendendo de maneira lúdica

Editoras como Beltz & Gelberg, Carlsen, Coppenrath, Knesebeck, mixtvision, Oetinger, Ravensburger e Tulipan querem oferecer a seus leitores e fregueses mais do que as hoje quase obrigatórias versões digitais de seus livros. Games para consoles, PCs ou em forma de aplicativos, por exemplo, utilizam personagens populares de livros infantis e suas histórias como pontos de partida para aventuras emocionantes ou complicadas: Pettersson, o inventor dos livros ilustrados de Sven Nordqvist, é padrinho de  complicadas charadas de lógica, a lagarta Raupe Nimmersatt, de Eric Carle, o vaqueiro Cowboy Klaus, de Eva Muszynski e Karsten Teichund, o esquilo e a bolinha Kosmo und Klax, de Alexandra Helmig e Timo Becker, transformam-se em heróis de minigames que, por exemplo, recolhem determinados objetos. Isso contribui para o aprendizado lúdico, pois incentiva a percepção, as habilidades motoras e a capacidade de concentração. 

Contos de fadas modernos: a Cinderela também existe em versão digital lúdica Contos de fadas modernos: a Cinderela também existe em versão digital lúdica | Foto: © Marlene Zöhrer Personagens populares de livros ilustrados e infantis muitas vezes aparecem também em jogos didáticos que treinam a capacidade de ler e fazer contas ou fornecem primeiros conhecimentos de uma língua estrangeira. Entre eles estão, por exemplo, o Leão, de Martin Baltscheit, a princesinha Prinzessin Lillifee, os Olchis, pequenos seres fictícios verdes, e a menina Conni. Há adaptações que tentam colocar as histórias contadas em livros através de palavras e ilustrações em uma forma adequada às novas mídias, como, por exemplo, os contos de Grimm e outros contos de fadas, A grande fábrica de palavras, EmmaOh, que lindo é o Panamá e Píppi Meialonga. Esses aplicativos mantêm-se com frequência conscientemente a alguma distância do texto narrativo original e integram elementos lúdicos, minijogos ou outros tipos de interação.
 
Além disso, há histórias interativas para crianças e adolescentes que são publicadas exclusivamente em formato digital, bem como produtos que vão além de uma só mídia, conectando livro e aplicativo. Com sua série LeYo! (hoje série Carlsen Clever), a editora Carlsen, por exemplo, investiu na realidade aumentada e virtual (respectivamente AR e VR) no setor de livros ilustrados e de não ficção. Neste caso, o aplicativo complementa o livro impresso com conteúdos adicionais exibidos via smartphone ou tablet. As histórias em aplicativos publicadas pela editora Knesebeck, bem como os livros ilustrados de diversas editoras compilados sob o selo SuperBuch também se baseiam nessa ideia. Isso já é diferente em Was ist denn hier passiert? (O que aconteceu aqui?), de Julia Neuhaus e Till Penzek (editora Tulipan), onde, ao lado de doze cenas ilustradas enigmáticas e bizarras, há um código QR impresso, que leva o leitor a pequenos filmes de animação que revelam o que aconteceu antes das respectivas situações ilustradas. Desta forma, a combinação analógico-digital de mídias proporciona uma mais-valia com pronunciado caráter de entretenimento.

Wenn die App das gedruckte Buch ergänzt: Einsatz von Augmented Reality beim Knesebeck Verlag. Wenn die App das gedruckte Buch ergänzt: Einsatz von Augmented Reality beim Knesebeck Verlag. | Foto (Zuschnitt): © Marlene Zöhrer


O desenvolvimento de aplicativos de alta qualidade tem seu preço

Mas mesmo que a oferta para crianças pequenas e de idade pré-escolar seja particularmente notável e multifacetada, não são todas as editoras de livros infantojuvenis que participam dessa ciranda digital. Algumas, por convicção, outras, simplesmente porque os produtos digitais são caros. Falta justamente às pequenas e às microeditoras uma reserva financeira para, por exemplo, desenvolver um aplicativo para um de seus livros ilustrados. Pois mesmo calculando custos mínimos – quem quiser lançar no mercado e divulgar em pequena escala um produto que funcione, seja esteticamente atraente e tenha um conceito coerente vai ter de investir um valor de cinco dígitos. Um risco financeiro respeitável, levando-se em consideração que o produto final não deve custar mais de 3,49 euros na app store. Um aplicativo cuja produção custe, por exemplo, 50 mil euros (aí estão incluídos cerca de 20 pacotes de tarefas, que vão desde a elaboração da ideia do projeto e da linha narrativa, passando pela animação, gravações de som e voz, até o gamedesign, a própria programação, bem como o teste do produto e seu posicionamento nas respectivas lojas) terá de ser baixado pelo menos 25.126 vezes por um preço de venda de 1,99 euro antes que os produtores ou as editoras comecem a ter lucro com ele. 
 
A editora Tulipan complementa seus livros ilustrados com códigos QR A editora Tulipan complementa seus livros ilustrados com códigos QR | Foto: © Tulipan Verlag Jogos digitais, ofertas didáticas e histórias interativas para crianças também se transformam num risco devido à falta de possibilidades de apresentação e comercialização. Ainda não existe nenhuma plataforma que dê aos pais, professores e mediadores a sensação de encontrar de maneira rápida e confiável aplicativos para crianças bons ou adequados. Assim, apresentar com perspectiva de êxito seus produtos desenvolvidos com tanto trabalho também é difícil para as editoras.