Contemporary And América Latina Mais que uma revista

LaunchC&AL Bogotá2018.jpg
Lançamento da C&AL em Bogotá, Colômbia, 2018. Foto: Jana Burbach. | Foto: Jana Burbach

Completando um  ano de existência, a revista online “Contemporary And América Latina (C&AL)”, publicada pelo Goethe-Institut e pelo Instituto de Relações Internacionais (ifa), traz um olhar crítico sobre a arte contemporânea latino-americana de matriz africana.

A revista online “Contemporary And América Latina (C&AL)” mantém seu enfoque nas posições da arte contemporânea latino-americana de matrizes africana e indígena, claramente subrepresentadas no discurso oficial e nas instituições. Com este perfil, a revista oferece a seus leitores um acesso crítico às conexões artísticas entre a América Latina, o Caribe e a África. Criada como edição latino-americana da revista “Contemporary And (C&)”, que desde 2015 investiga os vínculos entre a África e sua Diáspora global, a C&AL foi lançada em abril de 2018, sob a editoria de Julia Grosse e Yvette Mutumba. A revista online é publicada pelo Goethe-Institut e pelo Instituto de Relações Internacionais (ifa). Para comemorar seu primeiro ano de existência, ouvimos artistas, curadoras e curadores latino-americanos sobre a importância desta publicação.

Revelar dinâmicas paralelas

Fabio Melecio Palacios, artista, vive em Palmira, Colômbia:
 
“São poucas as publicações que falam das posturas afro-latino-americanas e negras em relação à arte. Estes são temas contra os quais sempre houve preconceito. Por isso, a ' C&AL’ é bastante importante, pois ela possibilita abordar tais eventos artísticos sem a pecha do exótico.  Só assim torna-se possível nossa inserção no discurso crítico e analítico geral. Também é interessante rastrear os paralelos entre os continentes a partir da perspectiva de matriz africana. Às vezes, acreditamos que as dinâmicas são diferentes, quando, na verdade, são muito semelhantes.”

SubobjekBildt01 - Fabio Melecio Palacios - de BMR (Bamba, martillo y refilón) 05 - Performance2011 Fabio Melecio Palacios, imagem da performance BMR (“Bamba, martillo y refilón”), 2011. Cortesia do artista. | Cortesia do artista. Aldeide Delgado, curadora e escritora cubana, vive em Miami, Estados Unidos:
 
“Desde seu lançamento, a 'C&AL’ tem sido uma plataforma de amplo alcance e visibilidade na América do Sul. Ela estimula a análise crítica das contribuições estéticas de comunidades negras e indígenas. Além disso, a publicação fomenta debates importantes sobre problemas cruciais na América do Sul, como colonialidade, poder, identidade e o próprio conceito de 'América Latina’.”

Tornar audíveis diversas vozes

Rosana Paulino, artista, vive em São Paulo, Brasil:
 
“Creio que, neste primeiro ano de existência, a ' C&AL’ tem sido uma voz relevante na interlocução com outros artistas da Diáspora Africana. Particularmente no caso brasileiro, sendo o único país da América Latina a falar o português e, considerando-se que boa parte das/dos produtores negras/os infelizmente têm problemas com a língua inglesa, a revista tem cumprido o papel de nos colocar em contato com outras realidades da produção da Diáspora e, ao mesmo tempo, fazer com que as vozes das/dos artistas afrobrasileiras/os sejam ouvidas em outras paragens.”


Rosana Paulino, A permanência das estruturas. Impressão digital sobre tecido, recorte e costura, 2017. Cortesia da artista. Rosana Paulino, A permanência das estruturas. Impressão digital sobre tecido, recorte e costura, 2017. Cortesia da artista. | Cortesia da artista.

Frescor e originalidade no cenário de arte e crítica

Adriana Bustos, artista, vive em Buenos Aires, Argentina:

“A 'C&AL’ é mais que uma revista. É um espaço, a partir do qual se pode ver e rever, com um olhar agudo e novo, a cena de arte contemporânea. É imprescindível passar a usar esta nova 'lente afro’, ou seja, enxergar o planeta a partir da perspectiva das posições artísticas africanas, para que se possa compreender as tensões e dinâmicas no mundo atual. Quase não existem publicações que se pronunciam, do ponto de vista social e político, neste sentido, superando a censura que a própria história soube articular. Isso é o que torna a 'C&AL' tão importante.”

Adriana Bustos, El mar y sus múltiples afluentes (detalhe), parte do projeto “El retorno de lo preprimido”, 2017. Cortesia da artista. Adriana Bustos, El mar y sus múltiples afluentes (detalhe), parte do projeto “El retorno de lo preprimido”, 2017. Cortesia da artista. | Cortesia da artista. Hélio Menezes, curador e antropólogo brasileiro, vive em São Paulo, Brasil:
 
“A ' C&AL’ tem trazido frescor e originalidade ao cenário artístico e da crítica no Brasil. Artistas até então pouco conhecidos passaram a circular e ser comentados por uma audiência mais ampla a partir das publicações da revista. Em tempos de cerceamento e censura à arte no Brasil, trata-se de uma publicação absolutamente necessária.”