Sustentabilidade Filosofia da empresa: progresso social

Empresas sociais combinam empreendedorismo com metas de desenvolvimento sustentável.
Empresas sociais combinam empreendedorismo com metas de desenvolvimento sustentável. | Foto (detalhe): © Adobe

Para as empresas sociais, o mais importante não é o dinheiro, mas um mundo melhor. Muitas vezes, elas apostam nas tecnologias digitais.

Cerca de um terço de todos os alimentos produzidos vai parar no lixo, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Se fosse possível impedir só meio por cento desses alimentos de serem desperdiçados, isso não seria apenas ecológico, mas também economizaria muito dinheiro. Foi a partir desta ideia que surgiu na Eslovênia a plataforma Food+X, que pretende fazer algo contra o desperdício de alimentos, usando para isso uma tecnologia baseada no blockchain.

Food+X estabelece uma rede entre produtores de alimentos, restaurantes e supermercados com os compradores de alimentos – as empresas podem assim distribuir facilmente os alimentos e pratos excedentes aos clientes de maneira simples e rápida. Atualmente 120 comerciantes participam da rede na Europa, entre eles, muitos grandes nomes, como Henkel, Danone e Dr. Oetker. Os alimentos que não podem mais ser oferecidos com descontos aos clientes são doados a pessoas necessitadas.

Food+X é um ótimo exemplo de uma empresa social. Esta empresa não está interessada apenas no dinheiro, mas também em resolver problemas sociais – neste caso, a maneira de lidar com alimentos que leva ao desperdício. Com seu modelo empresarial, a Food+X também consegue atrair para sua ideia empresas orientadas ao lucro: vendedores fazem dinheiro com o que teriam jogado fora e clientes lucram com os preços baixos. “Como jovens empreendedores, tentamos exercer uma influência positiva no mundo, inspirar outras pessoas”, afirma Dalibor Matijevic, fundador da Food+X.

Vencer a fome mundial até 2030

Em 2015, o Ministério da Economia e Tecnologia da Alemanha estimou o número de empresas sociais do país em cerca de 70 mil – isso equivale a por volta de 2% do total de empresas. Desde então, foram fundadas várias organizações novas. Muitas delas são empresas, mas algumas são organizadas sob a forma de organizações sem fins lucrativos ou entidades filantrópicas. Mas o que faz com que uma empresa ou uma organização sem fins lucrativos constitua uma empresa social?

As Nações Unidas definiram 17 metas para o desenvolvimento sustentável (Sustainable development goals, SDGs), que a humanidade deve atingir até 2030. Entre elas, está o fim da pobreza e da fome mundial, o fomento da igualdade de direitos e educação, bem como o acesso a água potável e instalações sanitárias para todas as pessoas. Empresas, associações e projetos que sustentam economicamente a si mesmos e, ao mesmo tempo, prestam um serviço às SDGs entram na categoria das empresas sociais.


Conceitos como lojas de produtos sem embalagens também fazem parte das empresas sociais. Conceitos como lojas de produtos sem embalagens também fazem parte das empresas sociais. | Foto (detalhe): © Adobe O conceito da Food+X já aborda cinco das 17 SDGs, pelo fato de trabalhar ativamente contra a fome, criar uma infraestrutura inovadora, advertir para o consumo responsável, contribuir para a proteção do clima e agir a favor do meio ambiente. Outras empresas sociais se dedicam a temas diferentes: empresas fair-trade, como a marca Armed Angels, ou o fabricante de bebidas Lemonaid cuidam de criar condições de trabalho justas na cadeia de fornecimento e garantem uma produção ecológica. 

Em seus projetos, empreendedoras e empreendedores sociais apostam frequentemente em ideias inovativas e novas tecnologias. Food+X e o aplicativo correspondente, por exemplo, utilizam a tecnologia blockchain para conseguir custos de transporte menores, alta eficiência e transparência. A empresa Atmosfair oferece compensações de CO2 pelas quais os clientes podem optar através de um clique adicional durante a compra de passagens de avião, entre outros. O aplicativo de realidade virtual da Rehago oferece treinamento de reabilitação para, por exemplo, pessoas que tiveram um AVC, a fim de compensar a falta de terapeutas. A associação Mobile Retter utiliza a função GPS do Smartphone de pessoas aptas a prestar  primeiros socorros, a fim de organizar uma ajuda mais rápida em casos de emergência. E a startup My Müsli, que no início ainda não distribuía suas granolas regionais produzidas ecologicamente nos supermercados de toda a Alemanha, tendo se tornado conhecida através de seu site na internet, onde clientes podiam fazer individualmente sua própria mistura predileta de ingredientes.

Desde 2012, o European Youth Award premia projetos de empreendimento social de jovens equipes europeias que se empenham ativamente pelo desenvolvimento sustentável, na maioria das vezes com o auxílio de tecnologias digitais. “Estou convencida de que toda empresa, seja com orientação comercial ou não, e cada indivíduo podem prestar uma contribuição sustentável para as SDGs”, afirma Birgit Kolb, gerente de projetos do European Youth Awards. A premiada de 2018 foi, aliás, a empresa Food+X.