Tendências literárias 2019 O livro infantojuvenil adota posições claras

Lixo, a coisa mais inconveniente do mundo: temas ecológicos continuam em voga em 2019.
Lixo, a coisa mais inconveniente do mundo: temas ecológicos continuam em voga em 2019. | Foto (detalhe): © Beltz und Gelberg Verlag

Em 2019, o mercado de livros infantojuvenis em língua alemã continua apostando em temas socialmente relevantes, e destaca a proteção da natureza e do meio ambiente, bem como os modelos femininos de comportamento.

No início de 2019, quem desse uma volta pelos pavilhões e uma olhada nas estantes da Feira do Livro de Leipzig percebia claramente um fato: a literatura infantojuvenil em língua alemã está se posicionando. Ela continua fiel à tendência dos anos anteriores, garantindo a temas como igualdade de direitos, proteção do meio ambiente e da natureza bem como política um lugar permanente no mercado de literatura infantojuvenil, ao lado das séries de fantasia e narrativas que tratam dos temas família, amizade, brigas, amor, adolescência, doenças e morte. Esses temas novos ou redescobertos encontram espaço tanto no catálogo de ficção – de livros ilustrados a livros para jovens – quanto no de não ficção.

Meio ambiente e diversidade

O fato de que as crianças e adolescentes se interessam por seu meio ambiente, pela proteção da natureza e do clima também é atestado pelo movimento Fridays for Future, através do qual jovens do mundo todo elevam suas vozes e se manifestam para reivindicar mais proteção para o clima. O mercado de literatura infantojuvenil reflete há muitos anos esse interesse crescente e trata da indiscutível e urgente necessidade de proteção à natureza e aos animais, diversidade das espécies, sustentabilidade e consciência ambiental.
Temas relacionados ao meio ambiente e ao clima são importantes para crianças e adolescentes. Isso fica claro tanto nos livros de histórias quanto nos de não ficção. Temas relacionados ao meio ambiente e ao clima são importantes para crianças e adolescentes. Isso fica claro tanto nos livros de histórias quanto nos de não ficção. | Foto: © Thienemann Verlag | Oetinger Verlag | Beltz und Gelberg Verlag Livros de não ficção lançados no início deste ano, como Müll: Alles über die lästigste Sache der Welt (Lixo: tudo sobre a coisa mais inconveniente do mundo), Paulas Reise: oder Wie ein Huhn uns zu Klimaschützern machte (A viagem de Paula ou como uma galinha nos transformou em defensores do clima) e Seltene Tiere. Atlas der bedrohten Arten (Animais raros. Atlas das espécies ameaçadas), procuram informar e sensibilizar sobre temas ligados ao meio ambiente e ao clima. O programa das editoras para o segundo semestre promete novos livros de não ficção sobre o tema aquecimento terrestre e proteção da natureza. Também os livros ilustrados, por exemplo, Der grüne Riese (O gigante verde) ou Juju und Jojô. Eine Geschichte aus der Großstadt (Juju e Jojô. Uma história da cidade grande) evidenciam a beleza dos ambientes naturais e a necessidade de preservá-los. Os últimos dois livros citados demonstram ainda que o mercado livreiro se preocupa com a diversidade de protagonistas infantis: as garotas Bea, Juju e Jojô são negras.

Mulheres fortes e exemplos de coragem

Enquanto as diversidades étnica e cultural só ingressam de maneira hesitante e vagarosa na literatura infantojuvenil, a igualdade de direitos é um dos temas constantes dos últimos anos. Não há apenas os livros de não ficção, como Feminismus (Feminismo), da série Carlsen Klartext, mas também todas as biografias que narram histórias de mulheres extraordinárias em séries ou compilações – frequentemente seguindo o padrão do best-seller de 2017 Good Night Stories for Rebel Girls (Histórias de ninar para garotas rebeldes). Volumes como Frauenpower made in Europe: Große europäische Frauen im Porträt (Poder feminino feito na Europa: perfis de grandes mulheres europeias) ou a graphic novel Rebellische Frauen – Women in Battle: 150 Jahre Kampf für Freiheit, Gleichheit, Schwesterlichkeit (Mulheres rebeldes – mulheres em batalha: 150 anos de luta por liberdade, igualdade, sororidade) retratam mulheres fortes e batalhadoras que lutam por seus direitos, ideais e sonhos. O intuito é que elas sirvam de exemplo para adolescentes de qualquer gênero. Os perfis são escolhidos e apresentados de forma a oferecer um panorama interessante e possibilitar comparações históricas.
Pessoas de famílias de imigrantes como protagonistas e compilações sobre mulheres fortes – temas político-sociais atuais também encontram espaço na literatura infantojuvenil. Pessoas de famílias de imigrantes como protagonistas e compilações sobre mulheres fortes – temas político-sociais atuais também encontram espaço na literatura infantojuvenil. | Foto: © Baobab books | Elisabeth Sandmann Verlag Um público alvo sensivelmente mais jovem é visado pela série de livros com foco internacional Little People, Big Dreams (Pessoas pequenas, grandes sonhos), publicada em alemão desde o início de 2019. Em volumes de 32 páginas, o público leitor é apresentado a “mulheres rebeldes que mudaram o mundo com seus sonhos de infância” – entre elas estão Marie Curie, Rosa Parks, Coco Chanel, Frida Kahlo e Anne Frank. Também títulos como Stories for Kids Who Dare to be Different – Vom Mut, anders zu sein (Histórias de crianças que ousam ser diferentes – Da coragem de ser diferente) querem mostrar que o que mais importa para gerar mudanças são a coragem e a vontade.

Atualmente muitos livros ilustrados e romances infantojuvenis também narram sobre como é importante ter coragem, tomar posição em relação à própria e às outras pessoas e levar a vida de maneira autônoma. Eles tratam de temas políticos, sociais e históricos, bem como de preocupações pessoais, sofrimentos e desvantagens enfrentadas por protagonistas. Também desta forma, a literatura infantojuvenil assume posição numa época marcada por medos e inseguranças.