Grupo Zero Recomeço brilhante

Arte “à la Zero”: “Visão cósmica / disco de vidro” por Günther Uecker.
Arte “à la Zero”: “Visão cósmica / disco de vidro” por Günther Uecker. | Foto (detalhe): © picture-alliance/AP Photo/Markus Schreiber

O movimento artístico Zero celebrou a luz, o movimento e os materiais, reunindo numerosos artistas ao longo de quase dez anos em meados do século 20. Uma exposição do trabalho do grupo foi recentemente inaugurada no Pohang Steel Art Museum, na Coreia do Sul.

Os artistas do Grupo Zero realizavam em seus ateliês experimentos ousados para a época, inserindo novos princípios de design, movimento e luz como conceitos estéticos determinantes. Quando Heinz Mack e Otto Piene fundaram o grupo, em 1957, eles estavam interessados em um recomeço sem culpa: para eles, a arte do pós-guerra estava “sobrecarregada com um excesso de lastro”. Junto com o artista Günther Uecker, que aderiu ao grupo em 1961, eles trabalharam para desenvolver uma estética que pudesse se contrapor, com algo mais puro, aos horrores da guerra que havia sido encerrada. E encontraram a resposta para essa busca em objetos de luz cinética tais como relevos de luz vibrantes que, oscilando entre quadro e escultura, pareciam tomar todo o espaço. O trabalho do grupo envolvia rotores cinéticos e estelas de luz monumentais, bem como experimentos com efeitos luminosos, movimento e materiais diversos.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

O Grupo Zero tornou-se rapidamente muito conhecido: para a documenta de 1964, eles desenvolveram o Espaço Zero, um espaço de luz com sete objetos rotatórios, sendo que cada um deles incluía trabalhos dos três artistas. O grupo expôs em Amsterdã e Antuérpia, e logo depois em Nova York e Washington. Suas obras começaram então a alcançar valores de cinco dígitos. Além de seus experimentos, o Zero organizava ações espetaculares e reunia artistas como Yves Klein, Enrico Castellani e Jean Tinguely para trocas mútuas e inspiração.
O trio de artistas Heinz Mack, Otto Piene e Günther Uecker na abertura de uma exposição do Grupo Zero em Düsseldorf, no ano de 2006. O trio de artistas Heinz Mack, Otto Piene e Günther Uecker na abertura de uma exposição do Grupo Zero em Düsseldorf, no ano de 2006. | Foto (detalhe): © picture- alliance/dpa/Horst Ossinger

FIM LIBERTADOR

Em 1966, o grupo se dissolveu e cada artista seguiu seu próprio caminho. Antes disso, aconteceu uma última exposição conjunta no museu Städtische Kunstsammlungen, em Bonn, acompanhada pelo que se chamou de “Manifestação Zero” – um festival noturno sob o mote “Zero é bom para você”, que ocorreu na estação ferroviária Rolandseck, próxima a Bad Godesberg. O destaque da encenação foi um vagão incendiado que rolou da estação para o Reno até afundar no rio. Mack mais tarde descreveria esse último ato como um final positivo para o grupo. Exatamente o tipo de fim que ele havia sempre vislumbrado, na verdade: “um fim que achei tão libertador quanto o começo do Grupo Zero”.

PRIMEIRA GRANDE EXPOSIÇÃO DO ZERO NA ÁSIA

No dia 3 de setembro de 2019, o Pohang Steel Art Museum (Museu Pohang de Arte em Metal – POMA), na Coreia do Sul, inaugurou a maior exposição do Grupo Zero já ocorrida na Ásia. A curadoria é dividida entre o POMA e a Fundação Zero de Düsseldorf. Um total de 50 obras dos três artistas estão sendo exibidas, incluindo esculturas cinéticas de luz e aéreas, além de grandes instalações que preenchem salas inteiras.