Dominik Graf “NÃO SOU UM MORALISTA”

O diretor Dominik Graf durante as filmagens de “Fabian – Der Gang vor die Hunde”, em 2019, em Görlitz
O diretor Dominik Graf durante as filmagens de “Fabian – Der Gang vor die Hunde”, em 2019, em Görlitz | Foto (detalhe): Matthias Wehnert © picture alliance/Geisler-Fotopress

O diretor alemão Dominik Graf fala sobre o papel que a reunificação alemã teve em vários de seus filmes.

“Morlock: Die Verflechtung” (1993), não foi apenas um dos primeiros filmes alemães não documentais para a televisão, cujo tema central era a reunificação alemã. Ele também foi um dos primeiros filmes de ficção sobre o tema realizados por diretores crescidos na Alemanha Ocidental. O filme foi baseado em um livro do alemão ocidental Rolf Basedow, que também assinou o roteiro. Qual foi seu objetivo ao realizar esse filme bem no meio da onda hedonistas com a qual o país unificado se inebriava à epoca?
 
 
Havia uma cena no roteiro de Basedow, na qual o personagem Morlock (representado por Götz George), um consultor alemão ocidental, quer falar com o prefeito de uma pequena localidade próxima a Leipzig, no ano de 1992. O prefeito, no entanto, não está no escritório. Em vez disso, Morlock encontra a filha do prefeito, muito jovem, atrás do prédio, golpeando a parede do edifício com um chicote. A imagem era óbvia: ela estava treinando para o trabalho em um novo clube de sexo. A cena foi cortada, pois não se deveria “ofender” os “irmãos e irmãs do Leste” (como os alemães ocientais definiam os orientais no pós-guerra). Mas não havia ofensa. Essa era simplesmente a realidade que Basedow havia registrado. Em meados de 1992, ao procurarmos locações para Morlock nas imediações de Leipzig, inclusive para a possibilidade de colocarmos o personagem vestindo um sobretudo de cashmere e se confrontando com operários na entrada de uma fábrica, achamos moradores locais dispostos a nos ajudar. Porém, quando chegamos para gravar no segundo semestre, nenhum representante dos trabalhadores se dispôs a permitir a entrada de uma grande estrela de cinema da Alemanha Ocidental nas instalações da fábrica. Vinte anos mais tarde, recriei a cena – que jamais fora gravada – como uma animação em meu filme sobre o Prêmio Grimm – Es werde Stadt: 50 Jahre Grimme-Preis in Marl, de 2014.
 
E, mesmo assim, o senhor decidiu fazer o filme: o que talvez revele que sentiu uma certa “urgência” em fazê-lo, mesmo se a versão original fosse impossível de ser realizada. 

O filme foi um massacre em termos de roteiro, semelhante a Os invencíveis (1994). Os coprodutores italianos enviavam telegramas constantes para os estúdios da Bavaria Film dizendo: “queremos mais ação externa!”. A emissora Westdeutscher Rundfunk (WDR) hesitava diante da necessidade de se ter sensibilidade em relação à Alemanha Oriental. Rolf cessou o trabalho por um curto período. Outros roteiristas foram contratados, mas a maior parte do que fizeram foi cortada. No fim, 85% do que restou foi puro Basedow. Eu mesmo cheguei a desistir do filme uma vez, mas Günter Rohrbach me fez voltar, presumindo mais tarde que eu só havia feito o filme por causa de uma única cena, na qual Stefan Reck, o lacaio de Morlock, tem que extrair informações da secretária da fábrica, que havia sido demitida. Essa cena foi escrita brilhantemente e narra uma espécie de colonialismo ocidental erótico no Leste alemão, que afinal se volta contra o ocidental, pois a secretária o engana, entregando a ele documentos falsos. Investi muito trabalho e esforço nessa cena, que amo até hoje. Mas o filme me atraiu sobretudo por causa do roteiro de Basedow: só ele consegue retratar desse jeito as paisagens, o povo e o furacão destrutivo das privatizações gerenciadas pela Treuhand (antiga instituição fiduciária estatal alemã).

Dominik Graf und Marco Abel Dominik Graf und Marco Abel im Pressebereich vor Grafs Vorstellung beim moving history Film Festival im September 2019 | © moving history – Foto: Juergen Keiper Eine Stadt wird erpresst, filmado em 20016 antes da “fábula de verão” que foi a Copa do Mundo de Futebol, na Alemanha, e baseado mais uma vez em um livro de Basedow, retorna à região de Leipzig. O filme retoma alguns motes de Morlock, mas me parece ainda mais sombrio em seu ponto de vista narrativo sobre a Reunificação. Morlock tem ao menos um final feliz, ainda que muito especial. Em Eine Stadt wird erpresst, por outro lado, o final feliz só pode ser imaginado na negação radical que une o protagonista ao antagonista no fim. Como no maravilhoso policial Kiss Me Deadly (1955), de Robert Aldrich, tudo explode, embora isso aconteça de forma menos espetacular no seu filme. A granada de mão mortal só detona fora da tela, mas assim mesmo sente-se a consequência desastrosa, sobre a qual o inspetor Kalinke já falara anteriormente  – que “o país todo está ferrado”.
 
Nesse filme, as pessoas do Oeste e do Leste da Alemanha engalfinham-se 15 anos depois da reunificação, porque a traição cometida em 1990 contra o povo no Leste permanece impune. Sinto a amargura, antes consoladora, na maioria das vezes, de filmes políticos como os de Aldrich, Stone ou Yves Boisset (que também dirigiu um Morlock!), porque você ode ver e sentir com esses diretores. Você não está sozinho com seu sentimentos frente ao estado catastrófico das coisas.
 
O não estar só é um dos temas principais do filme, “solidariedade”, o que não é um termo totalmente neutro. Esse termo é questionado de forma crítica pelo filme – tanto enquanto conceito como sentimento. O filme o complica e, por fim, o afirma. É à solidariedade ao que os traídos se apegam, a algo que os “Wessies” (alemães ocidentais) não podem tirar deles. É algo também importante para a polícia, mas que é minado pelo promotor público carreirista. No fim das contas, é o que une os dois adversários de muitas formas. Em princípio, embora Naumann acuse Kalinke de não ter sido “solidário” com ele nos anos anteriores à reunificação, no fim ele sente, apesar de tudo, que Kalinke é seu reflexo no espelho. Ou que há uma ligação “afetiva” mais profunda que todas as diferenças que os separam na Alemanha pós-unificação. Em suma, parece-me que o jeito desse filme explorar a questão da solidariedade é uma das maiores diferenças em relação a Morlock.

Eine Stadt wird erpresst é, digamos, uma luta “das pessoas pobres de Gralwitz” contra o sistema implantado na nova Alemanha. Kalinke é encarregado de investigá-las. Embora ele esteja, na realidade, do lado delas, ele é atingido, na figura de Naumann, por um antigo acobertamento da Stasi. “O Estado sempre toma o que quer”, diz um dos moradores de Gralwitz, soando quase como no século 18. O Estado como senhor feudal, contra o qual é preciso ir ao campo de batalha. E no meio disso tudo, pessoas indecisas como Kalinke são trituradas. Acredito que o humor e a ironia de Basedow funcionam, em parte, como elos de ligação aqui. Também as disputas com o promotor público ocidental são amargas, mas não desprovidas de humor. 

“Eine Reise nach Weimar” (1996), baseado no livro de Johannes Reben, é uma comédia romântica que, no entanto, lança um olhar implacável sobre a reunificação. Em última instância, o filme apenas soluciona a amargura do protagonista, que cresceu no Leste, em uma reviravolta da narrativa que quase resvala para uma fábula, cujo fim é apenas aparentemente feliz. Apenas “aparentemente”, porque a relação sexual fora da tela dos dois no fim do filme parece absolutamente absurda – enquanto os “maquinadores” pan-europeus, mais velhos e bem-intencionados, que juntam nossos dois “heróis” contra todas as bizarrices, escutam prazerosamente os sons do sexo no quarto ao lado. Tipo, não é possível haver final feliz em vidas erradas, mas se vocês quiserem um happy end de qualquer maneira, então, vamos lá. O que motivou o senhor a realizar esse filme, sobretudo tendo em vista o tema da reunificação, que é o cerne dele?
 
Desde Morlock, eu estava infectado pela Alemanha Oriental. Eu percebia lugares, paisagens e pessoas não apenas como dimensão política, mas também como fator estético. Em outras palavras, a arquitetura, o estilo de vida e a linguagem da RDA foram se tornando cada vez mais familiares e compreensíveis para mim. Nos anos 1990, sentia que eles eram mais sinceros do que no Oeste. Reformas e reestruturações pressurosas me pareciam um disfarce, uma falsidade. 
 
Isso é algo que o senhor também aborda em seu curta Den Weg, den wir nicht zusammen gehen (2009), uma contribuição para a compilação Deutschland 09. Mas voltando ao assunto: considerando que a Alemanha Oriental e sua população seria mais sincera – até mesmo “mais autêntica” – isso poderia talvez ser interpretado como uma “orientalização” do Leste do país. Sendo um diretor que reflete profundamente as coisas, o senhor certamente esteve ciente desse “perigo”. Como tentou se colocar contra isso no sentido narrativo e cinematográfico?
 
Em tudo isso, é claro que Basedow foi, afinal, a força-motriz que, em suma, me introduziu ao Leste alemão. Por muitos anos ele trabalhou como montador nos meus filmes (em Treffer, de 1984, por exemplo). Assim como eu, ele havia estudado na Escola Superior de Cinema e Televisão de Munique (HFF) e, a partir do fim dos anos 1980, começou de repente a escrever roteiros sensacionais. Seu primeiro trabalho como roteirista foi um episódio da série Fahnder, em 1990, intitulado Bis ans Ende der Nacht, no qual trabalhamos juntos. Basedow utilizou, por assim dizer, a autenticidade de suas pesquisas sobre a polícia e a sociedade do Leste alemão para dela fazer poesia. Até a reunificação, acho que boa parte de nós, da geração nascida no Oeste nos anos 1950, não fazíamos absolutamente ideia do que se passava na RDA. No entanto, isso nos proporcionou uma outra visão da RDA, de seu presente de então e suas consequências. Considero a mineração de lignito (forma de carvão mineral de baixa qualidade, que aparece tanto em Morlock, quanto em Eine Stadt wird erpresst – nota da redação) como uma exploração cruel da natureza, mas não posso negar sua dimensão estética. As paisagens lunares e as grandes escavadeiras também foram imagens simbólicas do que aconteceu com as pessoas por causa dos sistemas – do Leste e do capitalismo do Oeste. E mais: existe uma beleza fascinante nesta destruição.
 
Como o senhor vê a relação entre os três filmes?
 
Talvez pudéssemos incluir também Der Rote Kakadu (2006). Um filme idealizado por Michael Klier, no qual a RDA – antes da construção do Muro de Berlim – ainda tinha uma chance real de ser a “Alemanha melhor” para os jovens. Acredito que rivalidades ideológicas são produtivas e positivas. O capitalismo sufoca o mundo e precisa urgentemente de um contraponto. Mas as esquerdas sempre ficaram brigando entre si, em vez de destruir o adversário político. Talvez elas tenham mais uma oportunidade de lutar. A luta pela melhor forma de sociedade e pelo melhor estilo de vida deve permanecer em equilíbrio, nenhum lado deve ser o vencedor.  

“Der Rote Kakadu” trata de um período de transição: a começar do momento em que ainda havia esperança, representada pelo entusiasmo da juventude – se não pela própria Alemanha Oriental, ao menos pela possibilidade de uma vida melhor, outra (tanto no Leste quanto no Oeste do país) – até o momento da “queda”, do fim do amor ou, mais até, da experiência de que, depois da separação (Siggi consegue migrar para o Oeste, Luise não), resta apenas a lembrança do amor e da esperança. Essa esperança e sua destruição real também aparecem em breves, mas intensos, momentos em Reise nach Weimar, Eine Stadt wird erpresst e Morlock – neste último no personagem do trabalhador incorruptível, que ajuda Morlock a desvendar o crime misterioso. Essa é uma repetição importante que perpassa os quatro filmes.
 
Sim, resumindo, a história do Leste e do Oeste é toda uma série de mentiras, traição e corrupção, exploração mútua e conluios. Olhando retrospectivamente, talvez exista um punhado de pessoas decentes no Leste alemão a serem celebradas. Esse país que existiu nos ideais dessas pessoas decentes ainda é, como foi, merecedor de ser celebrado como um sonho, e desse sonho também fazem parte a solidariedade de uma comunidade. Havia razões para que a RDA se considerasse a Alemanha “melhor”. Mas, em longo prazo, isso deu tão pouco certo quanto todas as outras situações históricas de toda a batalha entre a direita e a esquerda nos últimos 150 anos. A RDA seguiu o mesmo caminho da derrota devastadora dos guerrilheiros anarco-socialistas na Guerra Civil Espanhola: foi esmagada por burocratas e potentados
 
Quando assistimos a esses quatro filmes – ou mesmo a “Die Sieger” (1994), “Im Angesicht des Verbrechens” (2010) ou “Der rote Schatten” (2017), que abordam implicitamente também os efeitos da reunificação e explicitamente a situação da República de Berlim – não se pode evitar a impressão de que o senhor não foi nem é um grande entusiasta do que ocorreu em 1990 e depois.

A meu ver, a reunificação foi uma declaração da falência moral da Alemanha Ocidental – um Estado que, apesar da histeria frente à Facção do Exército Vermelho (RAF) e da enorme corrupção durante os anos 1980 sob o governo de Helmut Kohl, eu já ainda até aceitava como minha pátria. Desde a reunificação, desprezo essa pátria profundamente. No entanto, prezo as pessoas que foram feridas, que se tornaram vítimas. Esses filmes foram feitos para elas – e para mim.  Dominik Graf und Marco Abel Dominik Graf und Marco Abel in einer Diskussionsrunde beim Filmfestival moving history im September 2019 | © moving history – Foto: Juergen Keiper Nasci na Alemanha Ocidental em 1969, cresci em Colônia nos anos 1980 (com lembranças do Outono Alemão em 1977, do voto de desconfiança em 1983 e, de certa forma, com a sensação de que havia algo por que se lutar na Alemanha Ocidental). A reunificação me deixou frio. A sensação, da qual não consigo me livrar até hoje, é a de que perdi um país – meu país, mesmo que eu visse a Alemanha Ocidental com uma certa distância emocional, o que sem dúvida era resultado da minha educação escolar pós-1968. Não sei se existe algum outro filme sobre esse sentimento, essa experiência, algo correspondente à sua representação dos alemães orientais traídos e também como contraponto à narrativa de vencedores da história, que apresenta a reunificação como a salvação do povo alemão de maneira isenta de reflexão.
 
Berlim e Brandemburgo depois da reunificação não estão de certa forma dentro da narrativa de Angesicht des Verbrechens? Onde prefeitos do Leste alemão se envolvem em acordos duvidosos com antigos ricaços da Alemanha Oriental que, por sua vez, estavam envolvidos com a máfia russa? O Exército russo se retirou e, logo depois, mafiosos ucranianos foram recebidos de braços abertos pelos (talvez) inocentes governantes alemães ocidentais nos anos 1990. E em que abismos das antigas “Zonenrandgebiete“ (as zonas ao longo da fronteira entre as duas Alemanhas) a pobre Peggy Knobloch, de nove anos, desaparece em 2001 em Das unsichtbare Mädchen (2011)?

E quando ocidentais se encontram em uma mansão luxuosamente reformada no estado da Turíngia, na minha contribuição para Dreileben – Komm mir nicht nach (2011)? Todas essas são histórias acontecidas depois da reunificação. Não sou “moralista”, como Kästner designa seu alterego “Fabian” (o próximo filme de Graf, Fabian – Der Gang vor die Hunde, irá retratá-lo em 2020 – nota da redação). Essa é, a meu ver, uma postura vã. Observo apenas, com a ajuda do olhar de telescópio de bons roteiristas, as estruturas de destruição que testemunhei.
 
Sim, isso é iluminador. Mas acredito que haja uma experiência “ocidental” da reunificação que, sem ter nada a ver com o Leste, tem algo a ver com perda e confusão. A perda do próprio país (indiferentemente da posição que se pudesse ter tido frente a ele), a confusão de subitamente viver em um outro país, de ser cidadão de um país de certa forma estrangeiro, sem que tivessem perguntado às pessoas se elas queriam isso assim ou não. Na verdade esse é um tipo de história que seria ambientada no Oeste. Precisamente entre a geração de esquerda pós-1968, que havia depositado suas esperanças em Oskar Lafontaine – que, com seu estilo Dom Quixote, de alguma forma se posicionou contra uma unificação direta, mas era a favor de reparações –, mas teve que encarar o fato de que seu habitat ocidental, por mais problemático que pudesse ser, havia desaparecido de um dia para o outro. Como lidar com isso do ponto de vista emocional, psicológico e assim por diante? Isso é o que eu quis dizer com a “imagem correspondente” àquela da experiência dos alemães orientais. Como ocidentais, as pessoas (mas, claro, longe de serem todas) também se sentiram traídas de certa forma. No entanto, você era: a) culpado por associação (o Oeste explora o Leste e, na condição de ocidental, é tão difícil escapar dessas implicações quanto um estadunidense branco liberal de esquerda pode fugir da constatação de que parte de sua linhagem genealógica exterminou populações indígenas ou escravizou africanos), b) relativamente privilegiado, mas com certeza economicamente e c) não reconhecido ou mesmo simplesmente ignorado. De certa forma, talvez seja mesmo absurdo dizer que a reunificação levou alguém a perder o país...
 
Sim, está certo. A Alemanha Ocidental foi roubada de nós. Também acho isso interessante. Talvez, subliminarmente, também venha daí minha identificação com os alemães orientais, que também foram roubados. Esses dois Estados tinham muito mais identidade do que os políticos e a cultura “mainstream” queriam concedê-los em retrospectiva. Berlim ocidental talvez seja o exemplo mais extremo disso. Era um construto subsidiado do qual pessoas como Oskar Röhler nunca se cansam de zombar – mas me lembro de outra forma. Aconchegante, sim. Mas também incrivelmente dura: a luta pelas casas ocupadas, a RAF, drogas, ruínas em Kottbusser Tor, onde os estadunidenses treinavam guerra urbana. Eu adorava.
 

autor


Marco Abel

Marco Abel é professor de Filologia Inglesa e Ciências Cinematográficas do Departamento de Inglês da Universidade de Nebraska. Atualmente é bolsista da Academia Americana em Berlim,  sendo responsável por diversas publicações sobre cinema alemão pós-reunificação, entre elas The Counter-Cinema of the Berlin School, (Editora Camden House, 2013), que ganhou o Prêmio de melhor livro do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) em 2014, Im Angesicht des Fernsehens: Der Filmemacher Dominik Graf (Editora text + kritik, 2012), co-editado por ele, e a primeira introdução em inglês ao trabalho do diretor Dominik Graf, „I Build a Jigsaw Puzzle of a Dream-Germany’: An Interview with German Filmmaker Dominik Graf” (Senses of Cinema 55, 2010). Mais informações sobre Marco Abel em seu site: www.marcoabel.com.