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Sebastião Salgado
À serviço da humanidade

Sebastião Salgado cria mundos fascinantes com suas fotografias.
Sebastião Salgado cria mundos fascinantes com suas fotografias. | Foto (detalhe): © picture alliance/TT News Agency

O Prêmio do Comércio Livreiro Alemão vai em 2019 para o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Um artista comprometido com a proteção ambiental e que faz do sofrimento humano tema de suas fotografias.

Por Eva Fritsch

Sebastião Salgado é o primeiro fotógrafo a receber o Prêmio do Comércio Livreiro Alemão, no valor de 25 mil euros, sucedendo o casal de pesquisadores Aleida e Jan Assmann, vencedores da premiação em 2018. A homenagem, contudo, não diz respeito apenas ao trabalho de Salgado como fotógrafo e à estética de suas reproduções em preto e branco, visto que o brasileiro é também um ativista ambiental: através de sua obra, ele vem chamando a atenção para diversas tragédias que ocorrem no mundo e também para a beleza da natureza, como se pode ver por exemplo em seu livro Gênesis, publicado em 2013.

Salgado retrata sobretudo pessoas em regiões de crise, refugiados e aqueles que estão em fuga. Depois de trabalhar em projetos de ajuda humanitária pela organização Médicos Sem Fronteiras, o fotógrafo documentou a fome na África e plantou 2,5 milhões de árvores na fazenda de sua família no Brasil, a fim de revitalizar uma área desmatada.

ARTISTa e ATIVISTa

No contexto de todas as greves climáticas e do Movimento Fridays for Future (Sextas-feiras para o futuro), é uma consequência lógica que um artista como Salgado seja escolhido como homenageado: um artista que, “através de suas fotografias, reivindica a paz e a justiça social, dando ao debate global em torno da preservação da natureza e da proteção climática um senso de urgência”.

A justificativa do júri remete sobretudo ao engajamento de Salgado em prol dos direitos humanos, que ele defende por meio de seu trabalho: “Em sua obra fotográfica, que tem sido publicada em inúmeras exposições e livros, ele destaca tanto indivíduos desenraizados pela guerra ou por catástrofes climáticas, quanto aqueles que se mantêm desenraizados em seus ambientes de origem. Desta forma, Salgado consegue sensibilizar pessoas em todo o mundo a respeito do destino de trabalhadores e migrantes e das condições em que vivem os povos indígenas”.

Visitantes em frente a uma foto de Sebastião Salgado na exposição "Êxodo", no Museu Kunsthalle, na cidade de Erfurt. Foto (detalhe): © picture alliance / AP Photo

Fuga da ditadura militar

Salgado conhece muito bem o significado da fuga: ele e sua esposa, a pianista Lélia Deluiz Wanick, fugiram da ditadura militar brasileira em 1969, quando passaram a viver em Paris. Graduado em Economia na época, ele escreveu sua tese de doutorado na cidade. A fotografia só viria mais tarde. Em Londres, Salgado trabalhou para a Organização Internacional do Café (ICO), quando fez diversas viagens à África e começou a fotografar. Em 1973, aos 29 anos, retornou a Paris e deu início a sua carreira como fotógrafo profissional. Entre seus clientes estavam organizações de renome como a Agência Magnum. Junto com sua esposa, Salgado fundou, em 1994, a Amazonas Images, uma agência que publica única e exclusivamente seus próprios trabalhos.

O discurso em homenagem a Sebastião Salgado será proferido por Wim Wenders na entrega do Prêmio, que acontece na Igreja de São Paulo, em Frankfurt, no dia 20 de outubro. Ao lado de Juliano Ribeiro, filho de Salgado, o cineasta alemão realizou, em 2014, um documentário sobre o fotógrafo: O Sal da Terra aborda a vida e o trabalho de Sebastião Salgado.

Tendo em vista seu ativismo e seus trabalhos, sempre carregados de uma mensagem evidente, a escolha de seu nome para o Prêmio do Comércio Livreiro Alemão de 2019 pode ser considerada um ato absolutamente político: trata-se de um apelo em prol da proteção da humanidade e da natureza em toda a sua integridade.

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