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Podcasts
Com a língua afiada

Ao contrário da maioria dos formatos de mídia, o cenário dos podcasts é bastante diverso.
Ao contrário da maioria dos formatos de mídia, o cenário dos podcasts é bastante diverso. | Foto (detalhe): © picture alliance/Zoonar/Lev Dolgachov

O fato de a Alemanha ser um país colorido e diverso reflete-se de maneira apenas discreta na mídia. A cena dos podcasts, porém, é diferente: ali as minorias expressam sobre o que de fato interessa a elas.

A sociedade alemã é hoje tão diversa como nunca havia sido ao longo de sua história. No entanto, embora pessoas com diferentes origens étnicas e culturais vivam juntas no país, as minorias conseguem dificilmente fazer ecoar sua voz na mídia. As redações da maioria dos jornais, das rádios e das emissoras de televisão continuam sendo muito menos diversas que a sociedade em geral. No caso dos podcasts, é possível perceber, ou melhor, ouvir que a situação é diferente. Hoje em dia há uma série de podcasts populares, criados por pessoas com histórico de migração ou que são, por alguma razão, consideradas parte integrante de uma minoria. Muitas dessas pessoas abordam a diversidade no material que produzem.

assuntos do bate-papo surgem do nada

Oliver Polak não é apenas podcaster, mas também escritor e comediante. Oliver Polak não é apenas podcaster, mas também escritor e comediante. | Foto (detalhe): © picture alliance/SvenSimon/Elmar Kremser Oliver Polak consegue fazer isso de forma particularmente elegante em seu podcast Besser als Krieg  (Melhor que guerra), produzido para a emissora de direito público RBB. Polak é filho de um judeu que sobreviveu à deportação e ao campo de concentração. Em cada episódio de seu podcast, ele convida duas pessoas que não representam a parte majoritária da sociedade alemã e conversa com elas sobre quatro assuntos diferentes definidos através de um sorteio. Às vezes falam de humor, às vezes sobre racismo, às vezes sobre pátria. Ou seja, o podcast não trata apenas de questões que afetam principalmente as minorias – como exclusão, identidade ou igualdade de oportunidades –, mas também de assuntos que dizem respeito a todos. Besser als Krieg permite uma visão diversificada de questões que não têm necessariamente a ver com a diversidade em si.

As primeiras convidadas de Besser als Krieg foram Anna Dushime e Alice Hasters. As duas mulheres produzem seus próprios podcasts, onde discutem os acontecimentos atuais a partir de suas próprias perspectivas. A afro-alemã Anna Dushime critica regularmente, ao lado de Yelda Türkmen e Ari Christmann, o racismo e o sexismo na sociedade alemã no podcast Hart unfair (Duramente injusto). O nome do podcast lembra um programa de entrevistas sobre política da televisão alemã – Hart aber fair (Duro, mas justo). Em entrevista ao diário taz, Dushime declarou que o nome do podcast não é uma crítica direta ao formato do Hart aber fair na TV. No entanto, o trio de mulheres quis adotar uma perspectiva contrária à dos talk shows da televisão, nos quais sempre aparecem as mesmas pessoas brancas expressando suas opiniões. O título Hart unfair refere-se, por um lado, ao fato de que as três mulheres vêm sendo frequentemente criticadas de maneira ofensiva. Por outro lado, elas próprias não têm medo de atacar com dureza quem se opõe à integração e à diversidade.

A jornalista Alice Hasters, por sua vez, produz desde 2016 o podcast Feuer und Brot (Fogo e pão) juntamente com a locutora Maximiliane Häcke. Em 2020, Hasters publicou o best-seller Was weiße Menschen nicht über Rassismus hören wollen, aber wissen sollten (O que as pessoas brancas não querem ouvir sobre o racismo, mas deveriam saber). Em Feuer und Brot, as duas mulheres conversam sobre temas socialmente relevantes ou debatem assuntos ligados à cultura pop e a suas vidas pessoais. E mesmo quando querem aparentemente apenas entreter ou falar algo pessoal, questões como o feminismo, o problema da apropriação cultural, a masculinidade tóxica ou a identidade afro-alemã de Haster vêm à tona.
Alice Hasters (à esq.) produz desde 2016 o podcast “Feuer und Brot” juntamente com Maximiliane Häcke (à dir.). No programa, a identidade afro-alemã de Hasters é discutida repetidamente. Alice Hasters (à esq.) produz desde 2016 o podcast “Feuer und Brot” juntamente com Maximiliane Häcke (à dir.). No programa, a identidade afro-alemã de Hasters é discutida repetidamente. | Foto (detalhe): © picture alliance/Geisler-Fotopress/Jens Krick und © picture alliance/BREUEL-BILD

A diversidade diz respeito a todos

O podcast de entrevistas Kompressor prova que os debates sobre racismo, sexismo e falta de igualdade e pluralidade não são conduzidos apenas por pessoas diretamente afetadas por essas questões. Kompressor é disponibilizado pela emissora pública de rádio Deutschlandfunk Kultur – sendo que a maioria tanto de apresentadores quanto de pessoas entrevistadas pertence principalmente à sociedade majoritária. Mesmo assim, as entrevistas, que duram entre seis e dez minutos, tratam muitas vezes de temas ligados à cultura, incluindo também questões de diversidade: racismo em livros infantis, canções pop de viés político ou debates sobre quem pode traduzir os textos de uma poeta negra.

A escritora e jornalista Sibel Schick escolheu um formato especial que não inclui convidados ou diálogos. Os episódios de seu podcast Scharf mit alles (Afiado com tudo) consistem em monólogos que podem durar até 20 minutos. Mesmo com esse formato, as pessoas gostam de ouvir a apresentadora, que nasceu na Turquia e vive na Alemanha desde 2009. Scharf mit alles aborda muitas vezes a violência e as questões de gênero. Schick analisa, por exemplo, se a crise do coronavírus surte efeitos diferentes sobre homens e mulheres e como, em alguns debates, as vítimas são frequentemente transformadas em algozes – e vice-versa.

Todos esses podcasts questionam opiniões que ainda estão firmemente arraigadas na sociedade alemã. As autoras e os autores querem mudar a maneira de pensar das pessoas – e começam nomeando os problemas e falando sobre eles. E se preciso for, com a língua bem afiada.

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