Acesso rápido:
Ir diretamente ao contéudo (Alt 1)Ir diretamente à navegação secundária (Alt 3)Ir diretamente à navegação principal (Alt 2)

Algoritmos e liberdade de escolha
O Eu calculado

Existem programas de computador que calculam os perfis dos usuários e determinam nosso papel e comportamento na internet. Será que os algoritmos limitam nossa liberdade? A discussão também diz respeito aos usuários alemães que vêem sobretudo os aspectos vantajosos.

Algoritmos, programas de computador com base em séries de indicações, calculam nossos hábitos de consumo e nosso comportamento de comunicação através dos rastros de dados que deixamos na internet. Eles conduzem os resultados das buscas na internet ou dão informações sobre o modo de pagamento em lojas online através de nosso endereço, do qual certamente se pode deduzir com grande probabilidade a situação econômica pessoal.

Esta discussão sobre o efeito dos algoritmos é frequente na Alemanha. Muitas pessoas questionam-se se estão realmente sendo conduzidas por computadores. A ideia de estar sendo influenciado por algo que não é palpável nem compreensível para leigos, produz insegurança e, por vezes, até medo.

As máquinas também decidem

Os algoritmos são eficazes: através de processos matemático-estatísticos é possível fazer afirmações de probabilidade em relação aos mais variados assuntos com base no comportamento do usuário até aquele momento. Aquilo que consultamos no Facebook é aquilo que o algoritmo do Facebook calculou para nós e sempre depende da maneira como interagimos com os conteúdos dessa plataforma.

Assim, até seria teoricamente possível influenciar uma opinião política. Discutido há muito tempo, este fenômeno designado filterbubble ficou conhecido como a tese de Eli Parker, um ativista norte-americano da internet. Em seu livro homônimo de 2011, Pariser verificou que o news-stream personalizado do Facebook lhe mostrava majoritariamente conteúdos que refletiam sua própria opinião política. Desta forma, o usuário fica isolado numa “bolha”, que bloqueia as informações que são contrárias às suas convicções. Mas a influência dos algoritmos vai mais longe. Hoje em dia já existem prognósticos feitos por máquinas que ajudam a decidir se uma pessoa tem condições para receber um crédito ou qual o valor da prestação de seguro que deve pagar. A partir do endereço residencial é feito um cálculo sobre o risco de falta de pagamento e a partir da situação de saúde, um cálculo sobre o risco de doença.

Mas existem mesmo razões para ficarmos preocupados com a perda de controle das pessoas sobre as suas decisões? O que pode ser calculado com algoritmos são valores prováveis e não prognósticos certos. Os algoritmos também não representam nosso complexo sistema de valores, através do qual tomamos decisões em certas situações. Os algoritmos mantêm-se ao nível de ações simples, quando clicamos um texto ou fazemos uma compra.

Exigência de transparência

A realidade filtrada através de uma linha do tempo do Facebook também não é um problema novo produzido pelos algoritmos. “Na realidade, a filterbubble é apenas uma bolha entre muitas. Nosso ambiente social também exerce uma influência específica sobre nossa percepção”, diz Ben Wagner, diretor do Gabinete de Pesquisa de Internet e Direitos Humanos na Universidade Europeia Viadrina, em Frankfurt an der Oder. “Decisiva é apenas a questão de ter consciência dessas situações.” Além disso, muitos algoritmos, como os do Facebook e do Google, não são transparentes. Os usuários desses serviços não sabem como as “pré-decisões” são tomadas por eles nestes casos. “Neste momento existe o perigo de discriminação de grupos marginais, ou seja, daquelas pessoas que não conseguem obter um contrato de seguro de saúde devido a seus dados de saúde”, alertam estudiosos como Ben Wagner. Assim, a exigência para haver mais transparência continua a ser a tarefa principal de uma “ética algorítmica”.

Um debate alemão

Na opinião pública alemã, são muitos os críticos de uma “algoritmização” das pessoas. Frank Schirrmacher, jornalista e editor adjunto do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, que faleceu em meados de 2014, era um de seus mais famosos críticos. Em seus bestsellers “Payback” (2009) e “Ego” (2013), Schirrmacher defende a ideia de que a internet seria uma droga e os computadores mudariam nossa forma de pensar. Alguns políticos alemães alertam há anos para a “ditadura dos dados”. Em seu livro “Finger weg von meinen Daten” (2014), o deputado europeu do Partido Verde Jan Philipp Albrecht descreve as pessoas como sendo cada vez menos emancipadas ao deixarem-se degradar a sistemas auto-optimizadores e calculados matematicamente.

Por outro lado, existem tentativas de questionar essas advertências de forma crítica. Qual o verdadeiro poder dos algoritmos? Porque direcionamos nossas críticas para supostos desenvolvimentos negativos, que ainda nem sequer tiveram início, em vez de sublinhar também aspectos positivos da digitalização, questiona a escritora Kathrin Passig na Berliner Gazette, uma revista de cultura na internet. Por outro lado, o historiador da ciência Klaus Mainzer, professor na Universidade Técnica de Munique, defende uma “destecnização” da discussão. Em sua opinião, os algoritmos não são nem uma invenção do Silicon Valley, nem “maus” por si só. De acordo com o que Mainzer escreve em seu livro “Die Berechnung der Welt”, os algoritmos têm sua origem na procura da possibilidade de uma descrição matemática de fenômenos e num desejo científico de criação de uma teoria sobre o mundo. Algo que as pessoas já praticam há milhões de anos.

Ao mesmo tempo, pode observar-se que os usuários alemães realmente se queixam da falta de transparência do Google e do Facebook, mas utilizam cada vez mais seus serviços. Atualmente não existe uma consciência mais ampla sobre os riscos, ou mesmo um movimento político. “Qual a razão para tal?”, foi perguntado à professora alemã de Direito, Indra Spiecker, do jornal Frankfuerter Allgemeine Zeitung. Sua resposta: “A técnica é simplesmente bela demais.” No entanto, a questão talvez seja muito mais simples. A utilidade concreta de manter contatos e redes a grandes distâncias sem muito custo é para muitas pessoas mais forte do que os riscos, que são bastante abstratos.

Top