Sharing Economy Compartilhar via aplicativo em vez de possuir

Komoot: Plataforma para compartilhar experiências e rotas.
Komoot: Plataforma para compartilhar experiências e rotas. | Foto (detalhe): © Komoot.

Compartilhar é uma tendência atual. Em torno de 20% dos alemães usam aplicativos de compartilhamento, muitos deles desenvolvidos dentro do próprio país.

“Na verdade, quem pouco possui, tanto menos pode tornar-se possuído. Louvada seja a pequena pobreza!”, escreveu certa vez o filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche. Para ele, estava claro que os símbolos de status não têm apenas um valor em dinheiro, mas também prendem seus proprietários do ponto de vista psicológico. No entanto, essa “obsessão” de possuir coisas caras, querendo, com isso, se destacar, é cada vez menos comum na sociedade. Um número crescente de pessoas prefere compartilhar em vez de possuir, e isso em diversas áreas da vida cotidiana. Ou seja, a sharing economy cresce.
 
Segundo um estudo da PwC (Studie von PwC), um em cada três alemães faz uso de ofertas de compartilhamento, e a tendência é crescente. Entre estes, mais de dois terços compartilham caronas, ferramentas ou bicicletas. O car sharing (compartilhamento de carros), as bolsas de troca de roupas e o aluguel de espaços residenciais ociosos são também uma tendência. Segundo dados fornecidos pela União Europeia e pela Central de Proteção ao Consumidor, a Alemanha está bem acima da média europeia, no que diz respeito a compartilhamentos.
 
Do ponto de vista demográfico, são sobretudo os jovens com alta escolaridade que participam da economia compartilhada. Eles dão menos importância aos símbolos de status e acreditam que possuir menos coisas contribui para melhorar sua qualidade de vida. Também do ponto de vista meramente econômico, compartilhar faz sentido. Muitos objetos, como por exemplo ferramentas, permanecem a maior parte do tempo guardados sem utilidade, ocupando espaço sem necessidade. Através do compartilhamento, há um número menor de objetos sendo usados de forma contínua, o que reduz custos e não desperdiça recursos. Além disso, há vantagens para a sociedade, pois mais pessoas passam a ter acesso a determinados objetos que não poderiam comprar. Dessa forma, as redes locais vão também se fortalecendo através da interação entre as comunidades de compartilhamento.

DESENVOLVEDORES ALEMÃES DE OLHO NO COMPARTILHAMENTO DE CARROS

Os alemães não estão apenas utilizando ofertas de compartilhamento, como também exercendo um papel ativo em seu desenvolvimento. Praticamente em todos os setores da vida cotidiana há aplicativos “made in Germany” e, sobretudo quando se fala em mobilidade, a tendência de compartilhar é crescente. Aproximadamente 12 milhões de alemães têm interesse pelo car sharing ou por caronas compartilhadas. Principalmente nos centros urbanos, há uma ampla oferta de aplicativos e ofertas à disposição dos usuários. Os carros elétricos da CleverShuttle, por exemplo, circulam por Berlim, Munique, Leipzig, Hamburgo, Frankfurt, Stuttgart e Dresden sem poluir o meio ambiente. Os berlinenses têm ainda uma opção mais econômica com o Allygator, cujas vans transitam pela capital alemã por apenas cinco cents de euro por quilômetro. 

O aplicativo de compartilhamento de veículos Allygator, de Berlim, aluga vans. O aplicativo de compartilhamento de veículos Allygator, de Berlim, aluga vans. | Foto: © Allygator DriveNow vda BMW disponibiliza no momento 6 mil veículos em toda a Europa. Para que os usuários não se percam diante de tantas ofertas, a berlinense Free2Move tem um aplicativo que reúne em um mapa todas as empresas de car sharing, facilitando a comparação dos preços.
 
Quando o assunto são viagens mais longas, também não faltam ofertas: a startup Mitfahrgelegenheit.de começou em Munique como projeto de estudantes e foi pioneira no compartilhamento de viagens. A diferença é que, na plataforma Mitfahrgelegenheit.de, eram os donos dos carros que ofereciam um lugar para estranhos viajarem junto. Durante 15 anos, os alemães se acostumaram a dividir, assim, os custos de viagens de longa distância. Em 2016, a empresa introduziu um sistema de pagamento de taxas e acabou falindo em função da rejeição dos usuários. Hoje em dia, um serviço semelhante é oferecido pela francesa BlaBlaCar
 
O compartilhamento de bicicletas é, no mínimo, tão popular quanto o de carros. Há aproximadamente 15 anos funciona no país a Call a Bike, o serviço de aluguel de bicicletas da Deutsche Bahn, a companhia ferroviária alemã. Suas bicicletas estão disponíveis em mais de 50 cidades do país, e cada vez mais empresas oferecem um serviço semelhante.
 

A PROPRIEDADE ESTÁ SE TORNANDO UMA RARIDADE?

Hoje em dia, a sharing economy na Alemanha vai além do compartilhamento de carros e caronas. Restos de comida estão encontrando seu caminho até estômagos famintos via Foodsharing.de, e a Leih-ein-Buch.de se tornou uma alternativa digital que substitui as bibliotecas clássicas. Quem quiser compartilhar rotas e experiências de caminhada, tem na startup Komoot sediada em Potsdam, uma plataforma. KleiderkreiselMädchenflohmarkt e a feira online Shpock, desenvolvida pela startup austríaca Finderly, fazem com que roupas e outros acessórios consigam chegar a seus próximos usuários.
 
 A startup alemã Slock.it ficou também conhecida por seu desejo de revolucionar toda a infraestrutura da economia de compartilhamento. Com suas ideias, a empresa quer fazer com que os usuários possam alugar, vender e compartilhar objetos através da tecnologia Blockhain. Seus fundadores prometem conforto através de uma automação absoluta e de transações particularmente seguras.
 
Nikolas Beutin, professor de Administração de Empresas na Escola Superior Quadriga, em Berlim, vê na economia compartilhada uma virada decisiva que vai transformar toda a sociedade: “Da mesma forma que os smartphones afastaram do mercado, há poucos anos, as câmeras clássicas de fotografia e vídeo usadas pelo cidadão comum, a economia de compartilhamento tem o potencial disruptivo de substituir em vários setores a propriedade pelo uso temporário de produtos e serviços”.
 
Apesar de toda a disposição para compartilhar e trocar, é preciso ressaltar que os alemães preferem pegar coisas emprestadas a emprestar seus próprios pertences. Apenas 9% da população compartilha objetos com amigos, e 11% nunca emprestariam suas coisas nem a pessoas conhecidas.