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Blog da Berlinale: Opinião
O que deveria mudar na Berlinale de 2020?

Mariette Rissenbeek e Carlo Chatrian assumem juntos a direção da Berlinale.
Mariette Rissenbeek e Carlo Chatrian assumem juntos a direção da Berlinale. | Foto (detalhe): Christoph Soeder/dpa

Tempo de mudança na Berlinale: a partir de 2020, o duo Carlo Chatrian e Mariette Rissenbeek assume o lugar do atual diretor Dieter Kosslick. O que deveria mudar a partir de então? Nossos jornalistas e críticos do Blog da Berlinale fazem suas sugestões.


Philipp Bühler Foto: Arquivo particular Philipp Bühler – Alemanha: Durante anos, esse brincalhão – em férrea autoabnegação? – fez do Festival um lugar para masoquistas. Ao mesmo tempo, formatos como o do “Cinema Culinário” ou as belas homenagens às estrelas presentes serviram de recompensa. Desejo à nova equipe, na direção da Berlinale, um equilíbrio melhor entre temas relevantes e qualidade estética. Resumindo: um gosto mais apurado na seleção de filmes. Em Locarno, diz-se que Carlo Chatrian consegiu fazer isso muito bem.

Sarah Ward Foto: Arquivo particular Sarah Ward - Austrália: A mostra competitiva pode ser a estrela do show, mas, nos últimos anos, o Forum e o Panorama apresentaram filmes que intrigam, excitam, provocam e desafiam para além das escolhas frequentemente seguras de uma programação mais destacada do festival. Seria fantástico ver na competição filmes mais arriscados, com mais arestas e pontas. O termo “filme em competição” passou a designar todo tipo de filme com conteúdo típico da Berlinale, o que não deveria ocorrer.


Egor Moskvitin Foto: Arquivo particular Egor Moskvitin - Rússia: Quero que o festival continue como ele é, ou seja, absolutamente imprevisível. Quando críticos de cinema viajam para Veneza ou Toronto, eles já sabem que precisam enfrentar uma série de filmes intelectuais, com potencial de público, numa espécie de repetição do Oscar. Em Sundance, esperam histórias simples entremeadas de humanismo. E quando, por fim, seguem para Cannes, estão preparados para que algum diretor deste mundo tenha feito para eles o filme do ano. Só Berlim permanece uma surpresa: na cidade, cada espectador ou espectadora é também diretor(a) de programação.  

Camila Gonzatto Foto: Arquivo particular Camila Gonzatto - Brasil: Seria ótimo que a nova gestão pensasse em estratégias para ampliar ainda mais a presença e o envolvimento do público local, seja com mais sessões ou estendendo a programação. Essas ações passam também por repensar o preço dos ingressos, para que o festival se torne mais acessível. Afinal, o grande desejo dos cineastas é que os filmes sejam vistos pela maior quantidade possível de pessoas. 

Joseph Walsh Foto: Arquivo particular Joseph Walsh - Reino Unido: Durante seu tempo à frente da Berlinale, Dieter Kosslick fez o Festival crescer, focando cada vez mais na formação de um público local – algo que os outros festivais considerados “classe A” poderiam aprender. Sempre admirei a abordagem igualitária de Kosslick e, para mim, é uma prioridade que o Festival continue aberto ao púbico. Entre críticos e jornalistas, houve muita discussão sobre a mudança da Berlinale, a partir do próximo ano, para fins de fevereiro/início de março, deslocando o Festival para depois das premiações do Oscar e do BAFTA (British Academy Film Awards, o Oscar britânico). Essa é uma boa decisão, pois não só tira a pressão sobre a premiação, como dá também a Berlim uma maior distância de Sundance. Essa será, talvez, a oportunidade para uma mudança radical. Eu diria que a Berlinale deveria ver a si mesma como o pontapé inicial do “ano cinematográfico”. Isso dará ao novo diretor, Carlo Chatrian, a oportunidade de repaginar o Festival.
Berlinale-Blogger Alva Gehrmann Foto (detalhe): Einar Aslaksen

Alva Gehrmann - Noruega: Espero que a Berlinale consiga de qualquer forma continuar sendo um festival de público, pois é o que a diferencia de festivais em Cannes ou Veneza. Através de uma ampliação constante da programação, mais gente poderá ver filmes extraordinários no cinema, embora tudo seja um pouco confuso em função das diferentes seções do Festival. Por isso desejaria uma seleção mais reduzida, com mais do que duas ou três exibições abertas ao público.

Berlinale-Blogger Gerasimos Bekas Foto (detalhe): Vangelis Patsialos

Gerasimos Bekas - Grécia: Acredito que essa mudança na direção não vá ficar tão evidente no próximo ano. Talvez haja mais estrelas conhecidas, a fim de garantir a atenção internacional. Vai haver um número maior de mulheres em posições de responsabilidade e espero que também filmes melhores. Espero que a nova direção tenha liberdade para experimentar e estou curioso para saber o que vai sair daí.  

Berlinale-Bloggerin Noha Abdelrassoul Foto (detalhe): Arquivo particular Noha Abdelrassoul - Egito: Minha experiência na Berlinale foi ótima e achei a equipe do Festival sempre muito solícita. As salas de cinema são um pouco espalhadas, o que às vezes dificulta você assistir a um filme atrás do outro em lugares diferentes. Mas isso é compreensível. Seria bom se as salas disponibilizadas para entrevistas não ficassem abertas somente até às 18h, mas até mais tarde.

Berlinale-Bloggerin Jutta Brendemühl Foto (detalhe): © Goethe-Institut Jutta Brendemühl - Canadá: Espero a mistura certa entre risco e gestão de qualidade. E (ainda) mais filmes da Ásia, pois deste continente vêm no momento algumas das melhores contribuições de todas.
 

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