Acesso rápido:

Ir diretamente ao contéudo (Alt 1)Ir diretamente à navegação secundária (Alt 3)Ir diretamente à navegação principal (Alt 2)

Blog da Berlinale 2020
Berlim, Berlim

O filme da competição “Undine”, de Christian Petzold, trata da história de Berlim.
O filme da competição “Undine”, de Christian Petzold, trata da história de Berlim. | Foto: © Christian Schulz/Schramm Film

Este ano, a programação escolhida para o Festival Internacional de Cinema de Berlim inclui muitos filmes nos quais a cidade ocupa o papel principal. O que estes filmes falam sobre Berlim? E que efeito Berlim exerce sobre o público?

Gabriele Magro Foto: © arquivo pessoal. Gabriele Magro - Itália: O fato de Berlim estar desempenhando o papel principal em muitos dos filmes é um sinal claro da forte conexão entre o festival e a cidade. Muitos outros festivais ao redor do mundo acontecem em cidades bem menores, sem muito envolvimento das pessoas locais com o evento. A Berlinale, porém, tem uma identidade própria e parece ter encontrado o equilíbrio perfeito entre “global” e “bairrista”, com berlinenses na fila com turistas e profissionais do mundo inteiro. Isso gera um forte senso de comunidade e a atmosfera especial da Berlinale que nós todos amamos.

Ieva Šukytė Foto: © arquivo pessoal. Ieva Šukytė - Lituânia: O filme Undine, de Christian Petzold, mostra o amor pela cidade. A personagem de Paula Beer, que é guia no Museu da Cidade de Berlim, conta às pessoas que o visitam sobre a longa e complicada história da cidade. Petzold traz o antigo mito de Ondina para Berlim, criando uma história de amor não apenas entre duas pessoas, mas que também envolve a cidade. Em contraste, Berlin Alexanderplatz mostra um lado diferente da Berlim de hoje, onde pessoas sem passaporte não podem encontrar um emprego oficial e precisam trabalhar como traficantes de drogas para sobreviver, sendo obrigadas a encarar o fato de que a maioria das pessoas não as considera seres humanos com o mesmo valor.

Erick Estrada Foto: © arquivo pessoal. Erick Estrada - México: Como qualquer cidade grande, vibrante e interessante do mundo, Berlim é um local em constante transformação, com muitos altos e baixos, cores e tons de cinza, histórias e imagens. Os filmes falam sobre novos tempos que estão intimamente relacionados a velhos tempos e velhas luzes, como  fantasmas encantadores que vivem em uma cidade que caminha para o futuro. Ver Berlim em tantos filmes diferentes dá uma boa ideia de quanta inspiração é possível encontrar em suas ruas.

Sarah Ward Foto: © arquivo pessoal. Sarah Ward - Austrália: Uma das grandes alegrias de Berlim é que, como as outras cidades grandes, prósperas e agitadas do mundo – Tóquio e Nova York, por exemplo – ela assume constantemente significados diferentes para pessoas distintas. É a diversidade natural de Berlim que transparece nas exibições da Berlinale 2020, seja na representação de uma vida que a infeliz personagem de Nina Hoss gostaria de recuperar, no filme com boas atuações e bem filmado, mas dramaticamente clichê Schwesterlein (My Little Sister), ou como espelho de um presente onde é impossível escapar do passado, como no encantador Undine, de Christian Petzold (com muito mais ênfase na história arquitetônica da cidade do que se esperaria em um festival).

Javier H. Estrada Foto: © arquivo pessoal. Javier H. Estrada - Espanha: Na minha opinião, a representação da cidade transpareceu especialmente em Undine, de Christian Petzold, um filme que definitivamente espelha a história e a construção de Berlim. A personagem principal mostra a visitantes estrangeiros como os responsáveis idealizaram o lugar para dotá-lo de uma identidade tanto no lado ocidental quanto no oriental. Além disso, o filme desloca-se para os subúrbios de Berlim, mostrando a imensa variedade de paisagens e sombras da cidade.

Yun-hua Chen Foto: © arquivo pessoal. Yun-hua Chen - China: Em Berlin Alexanderplatz, Berlim é um lugar de desespero e esperança, violência e amor, luta e redenção. É um lugar onde alguns grupos e comunidades podem parecer invisíveis para a maioria da sociedade, mas todos lutam para construir suas próprias vidas e encontram seus nichos na cidade. Também é um lugar onde tudo acaba em uma festa de música tecno. Começando a trabalhar na gangue de um chefão das drogas? Vá para a balada. Recuperando-se depois de uma amputação? Vá para a balada. Comprou um canhão prateado que cospe dinheiro? Vá para a balada!

Michal Zielinski Foto: © particular. Michal Zielinski - Polônia: Tive duas experiências marcantes na Berlinale. Um dia, conheci um produtor meio-alemão, meio-peruano que estava desenvolvendo um filme de ficção científica no estilo de um mangá japonês em colaboração com artistas húngaros. “Ok, estou definitivamente em Berlim”, pensei. Uma das cidades mais cosmopolitas do mundo. Dois dias depois, vi o filme Purple Sea – a filmagem feita com um smartphone de uma menina síria refugiada, enquanto ela lutava pela vida em um barco de contrabandistas que estava afundando a caminho da Europa. Berlim apareceu algumas vezes. Como uma terra de sonhos, um lugar de amor e felicidade. Pode escrever: somos as pessoas de sorte na cidade da sorte.

Anjana Singh Foto: © arquivo pessoal. Anjana Singh - Índia: Berlim representa diversidade, abertura, liberdade e multiculturalismo e também é o centro político do país. Especialmente em cidades multiculturais como Berlim, é possível sentir as mudanças políticas, sociais e sociológicas constantes, repletas de conflito. O filme Berlin Alexanderplatz me comoveu; ele conta a história de Francis, um homem de 30 anos de Guiné-Bissau que acabou na prisão. Em uma cidade como Berlim, também é muito difícil para pessoas recém-chegadas conseguir se estabelecer. Historicamente, Berlim representa a mudança para o bem democrático, mas muitas vezes continua exibindo os muros nas cabeças das pessoas; ainda há bastante espaço para se ampliar a integração social.

Egor Moskvitin Foto: © arquivo pessoal. Egor Moskvitin - Rússia: Esta Berlinale é diferente para mim do ponto de vista pessoal, pois há pouco comecei a correr regularmente. E como a programação do festival é bem estressante, às vezes corro depois da meia-noite e às vezes ao nascer do Sol. Imagine o quão diferente a cidade pode parecer quando você corre no meio da noite através da Alexanderplatz, poucas horas após haver assistido à nova adaptação do filme Berlin Alexanderplatz! Como o filme atualiza uma história contada quase 90 anos atrás, não pude deixar de lembrar de quando a recém-lançada série televisiva M for Murder foi exibida na Berlinale do ano passado. Ambas as atualizações de materiais clássicos me fazem lembrar do poder do passado para definir o futuro. Undine explora o mesmo tópico. Este filme me fez pensar em como a experiência urbana molda as experiências pessoais e nacionais – e fico grato por isso.

Hyunjin Park Foto: © arquivo pessoal. Hyunjin Park - Coreia: Dos três filmes encenados em Berlim, a forma como Undine tratou a cidade foi impressionante. A história da construção de Berlim descrita pela heroína-historiadora nos deu uma nova ideia da interação entre o passado e o presente. Para mim, Berlim é uma cidade fascinante, uma mistura de passado e presente dinâmico que merece ser recordada.

Andrea D'Addio Foto: © arquivo pessoal. Andrea D’Addio - Itália: A principal característica de Berlim é que cada pessoa pode experienciar a mesma cidade de maneira diferente – e sempre de forma autêntica. Os filmes na competição do festival atestam isso. Berlim é o inferno para o protagonista clandestino de Berlin Alexanderplatz e, como vemos em Undine, continua sendo uma cidade dividida entre leste e oeste, mesmo que esta ambivalência agora seja projetada no futuro. A cidade é um cenário a céu aberto: toda pessoa que dirige e roteiriza filmes pode encontrar as histórias e os cenários que está procurando.
Camila Gonzatto Foto: © arquivo pessoal.
Camila Gonzatto - Brasil: Berlim é uma cidade diversa e os filmes refletem esse caráter. Embora ambientados nos dias de hoje, Berlin Alexanderplatz e Undine, por exemplo, mostram aspectos muito diferentes da cidade. Enquanto em Undine está em cena uma Berlim quase tradicional, com seus museus e prédios históricos, Berlin Alexanderplatz traz à tona a veia underground da cidade. O que se vê em ambos são prédios em construção – característica dessa cidade que não para de se reinventar. Já em Die letzte Stadt (The Last City), vê-se aflorar a arquitetura da RDA ainda presente da cidade. Berlim pode ser, portanto, palco das mais variadas narrativas, justamente pelas diversas camadas de história ainda presentes na paisagem urbana. As constantes transformações pelas quais a cidade passa não apagam totalmente os traços de seu passado

Philipp Bühler Foto: © arquivo pessoal. Philipp Bühler - Alemanha: Com a nova filmagem de Berlin Alexanderplatz, Burhan Qurbani fez uma declaração forte. Franz Biberkopf, personagem de Alfred Döblin e figura central da literatura de Weimar, vira um refugiado africano no ano 2020. Apesar da enorme estilização, há muita realidade nisso. Em Undine, de Christian Petzold, acontece o contrário. Apesar de uma encenação sóbria e excursos na história de Berlim, o mito romântico mantém seu caráter de conto de fadas. Mas não vi nenhum filme que um dia marcará a imagem de Berlim como Lola rennt (Corra, Lola, corra) conseguiu fazer nos anos 1990. 



Jutta Brendemühl Foto (detalhe): © Goethe-Institut Jutta Brendemühl - Canadá: A gente sabe que está no coração da Europa quando uma italiana e uma holandesa convidam para ver Berlim na tela, incluindo um diretor estadunidense que segue os rastros do Muro em The American Sector. A Berlinale 2020 nos mostrou muitas “Berlins” diferentes: Undine, uma aquática e mágica Berlim (e sua história); Berlin Alexanderplatz virou Berlim Hasenheide. Hoss e Eidinger circundaram seu teatro Schaubühne em Berlim Charlottenburg. Não há necessidade de paisagens urbanas substitutas, como Toronto ou Montreal para Nova York. Berlim permanece Berlim, afinal, como diz a antiga canção.

Top