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Blog da Berlinale 2021
O processo da descoberta

Rolla Tahir
© Rolla Tahir

Registramos aqui a presença na Berlinale de Rolla Tahir, uma entre as muitas pessoas que fazem da Berlinale um dos eventos mais importantes do calendário internacional do cinema. São cineastas, programadores, curadores, agentes da indústria e fãs da sétima arte – de novatos a veteranos – que fazem o festival acontecer.

Por Jutta Brendemühl

Emocionante nos filmes árabes da Berlinale este ano é que a maioria foi feita por cineastas novos. Mais uma razão pela qual eu respeito tanto o festival: ele promove e amplifica novas e diversas vozes.

Rolla Tahir

Rolla Tahir, uma dos cofundadoras e diretora artística do Festival de Cinema Árabe de Toronto, o primeiro do gênero a exibir anualmente filmes pan-árabes na cidade canadense, é uma das visitantes da Berlinale no contexto da Iniciativa de Diversidade e Inclusão do Mercado Europeu do Cinema, em cooperação com o Goethe-Institut.

Rolla é também cineasta Rolla Tahir Rolla Tahir no set de Jamie Whitecrow | © Stan Williams independente e diretora de fotografia. Seu curta-metragem Sira estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto e foi exibido em vários festivais, incluindo o Open City Docs. Ela já assumiu muitas funções como administradora de projetos de arte e educadora na área de cinema – mais recentemente na Liaison of Independent Filmmakers of Toronto, Regent Park Film Festival e Innis Town Hall. Sua paixão pelo cinema vem da necessidade de dar vida a histórias únicas, trabalhar com profissionais criativos visionários, além de querer entender e ser compreendida.
 
Por que o acesso à Berlinale (Mercado) é importante para seu trabalho?
 
É difícil encontrar cineastas emergentes que não tenham laços com a Berlinale. Tenho estado envolvida com o circuito de festivais de cinema há mais de uma década, em várias funções, mas na maior parte do tempo estive confinada ao circuito local. O Canadá, sem dúvida, tem uma cena robusta e próspera de festivais de cinema, mas, quando se trata de cinema árabe, a Berlinale é incomparável, tanto em programação quanto em oportunidades disponíveis através de seu mercado.

Como diretora artística e cofundadora do Festival de Cinema Árabe de Toronto, falo com muitos cineastas, emergentes e estabelecidos, e estou sempre fascinada com as oportunidades às quais eles tiveram acesso. A maioria deles participou da seção Berlinale Talents ou do Mercado, ou simplesmente teve seus filmes exibidos em Berlim, o que impulsionou suas carreiras daí em adiante. Quando estou programando nosso festival, minha primeira parada de pesquisa é a seleção da Berlinale. Foi assim que fui apresentada ao premiado filme sudanês-alemão Talking About Trees (Falando sobre árvores), que abriu nosso festival inaugural no ano passado.

cinema, para mim, é uma janela para lugares e pessoas

O cinema árabe tem boa representação na seleção das diversas seções da Berlinale este ano. O que você procura e o que você espera?
 
A meu ver, a parte favorita de qualquer festival de cinema é o processo de descoberta. Eu, definitivamente, faço minha “auditoria” ao percorrer as programações antes de participar de qualquer festival, mas sempre gosto de ser surpreendida. Emocionante nos filmes árabes da Berlinale deste ano é que a maioria foi feita por cineastas novos. Mais uma razão pela qual eu respeito tanto o festival: ele promove e amplifica novas e diversas vozes.

Estou particularmente animada para ver Seven Years Around the Delta Nile, de Sharief Zohairy. Não é sempre que consigo assistir a trabalhos experimentais de cineastas árabes, e adoro ensaios e relatos de viagem. Também gosto de focar o máximo possível no que chamo, por falta de um termo melhor, de cinemas “nacionais”, a fim de explorar as novas ondas de cinema provenientes de determinadas regiões – as semelhanças, a ruptura com as tradições. Espero me conectar com esses cineastas e trazer seus filmes para o público de Toronto.
 
Se você estivesse fisicamente em Berlim, você...

A Berlinale deste ano é particularmente interessante para mim, como diretora de festivais. Desnecessário dizer que o esforço de apresentar um festival online é um desafio, por muitas razões, entre elas a potencial falta de engajamento, que é tão crucial para os festivais de cinema e, por extensão, para os cineastas que estreiam filmes neles. No entanto, por outro lado, há muito menos pressão sobre a logística e mais foco no conteúdo real. Uma coisa positiva que descobri como resultado dessa mudança para o virtual é que muitos cineastas podem agora “participar”, apesar de possíveis desafios com fronteiras e vistos. Assim, dedico minha atenção a todas as conversas em torno dos filmes, ainda que virtuais.
 
Dito isso, nada, na minha opinião pessoal, substituirá a experiência do festival físico. Eu adoraria ver Berlim através dos olhos do festival, digamos. O cinema, para mim, é uma janela para lugares e pessoas e eu teria adorado a oportunidade de andar pelas ruas da cidade com muitos amigos que vão regularmente à Berlinale. No ano passado, me conectei online com muitos cineastas, e todos eles estariam na Berlinale deste ano, que teria sido uma espécie de reunião. De qualquer forma, esta edição virtual pode facilitar a minha compreensão sobre os prós e os contras do festival, para que eu esteja melhor preparada no próximo ano, se tiver a sorte de participar.
 
Sua experiência com o mercado da Berlinale 2021 terá sido boa se...
 
Para mim, a Berlinale 2021 seria uma experiência de mercado bem-sucedida se eu encontrasse três ou quatro grandes filmes para o Festival de Cinema Árabe de Toronto deste ano. E também adoraria obter mais informações sobre o Talents para me conectar com cineastas emergentes. Coproduções são agora uma pedra angular para os filmes árabes, em especial os independentes, mais experimentais, e eu gostaria de estar em posição de reunir cineastas árabes do Canadá e diretores, escritores e, particularmente, produtores internacionais.

 
 
 

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