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Painel 1
De Sul a Sul

O grupo propõe dividir conhecimentos e criar uma sentença que traduza a pluralidade de suas reflexões
O grupo propõe dividir conhecimentos e criar uma sentença que traduza a pluralidade de suas reflexões | © Taylla de Paula

“Praticando o Sul - Como lidar com as diferenças por um mundo melhor”. Essa frase é resultado da discussão que une Robert F. Reid-Pharr, Selene Wendt, Nana Oforriatta Ayim, Manuel Monestel e Felix Kaputu em torno de um objetivo comum: dividir conhecimentos e criar uma sentença que traduza a pluralidade de suas reflexões.
 

A frase resume as impressões que surgem no primeiro debate da Conferência Ecos do Atlântico Sul, realizada no Instituto Goethe, em Salvador. A proposta aponta para a necessidade de repensar as relações neste hemisfério, ressignificando as diferenças para que o futuro não repita o passado e para que o norte deixe de atuar como elite dominante.
 
Cada participante tem cerca de dez minutos de fala. Depois, com ajuda da plateia e do mediador, é criado um título para o debate. Em comum, as falas abordam temas como as conexões da cultura africana, o mundo visto com outros olhos que não os das classes colonizadoras, os conceitos ocidentais, os conhecimentos do sul, a necessidade de desestabilizar o que chamamos de norte e ocidente, e a criação de estruturas do sul.

Robert Fitzgerald Reid-Pharr

O professor de inglês e Ph.D. em estudos americanos Robert Fitzgerald apresenta a problemática das representações ocidentalizadas e fantasiadas da África, que não existem, exceto dentro de concepções maquiadas, como as que estão no filme Pantera Negra. O resultado, segundo ele, é uma tendência a cair no hábito desleixado de assumir que há pouco espaço para diálogo, interação e cooperação entre as culturas do norte e do sul - ou ainda de transformar a América em um conjunto de práticas estéreis. Para o pesquisador, é preciso chacoalhar as estruturas do idealismo incapacitante e chegar aos pormenores de como privilegiar similaridades sem transformá-las em fetiches.

Selene Wendt

Curadora independente e fundadora do Global Art Project, Selene Wendt fala sobre exemplos de curadorias que desenvolveu no Brasil. Ela cita este trabalho como uma possibilidade de futuro no qual os saberes são relacionados e há interconectividade entre as várias formas de expressão criativa.

Nana Oforiatta Ayim

A escritora, cineasta e historiadora conta sobre a experiência em pesquisar as similaridades entre o Brasil e Gana, após vir ao País para fazer residência artística na ilha de Itaparica: “São tantas semelhanças que fiquei surpresa, de uma forma que é difícil expressar em palavras”.

Manuel Monestel

O músico, compositor, professor e pesquisador cultural Manuel Monestel discorre sobre o papel da música na cultura sul-americana, assim como do calypso e dos sons de origem africana como elementos de resistência. Segundo Monostel, o processo de criação e o conteúdo das letras preservam relações de dificuldade dos povos subjugados de serem reconhecidos como igual, no passado e hoje.

Felix Kaputu

Professor, PhD e pesquisador em antropologia e estudos interdisciplinares, Felix Kaputu fala sobre como o ocidente “fabricou e mercantilizou” os africanos para uso imperialista, apagando referências culturais. Disse ainda que é preciso apontar a responsabilidade do norte no modelos de ocupação reinventada e construir um futuro que não perpetue essas relações.

Por Iara Crepaldi

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