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​Em busca da decolonização de conhecimentos

Em busca da decolonização de conhecimentos
© Taylla de Paula

A ideia de constituir uma rede de intercâmbio de materiais didáticos produzidos por núcleos no eixo Atlântico Sul, motiva as articulações no laboratório de intervenções educacionais.
 

Seis participantes da conferência debatem projetos que privilegiam o diálogo entre diferentes tipos de conhecimento. No grupo, a arquiteta e pesquisadora angolana Filomena Carvalho, a agente cultural Luciana Modé, a professora de artes visuais Emi Koide (UFRB), o pesquisador Nicolas Wasser, a antropóloga e curadora alemã Mona Suhrbier e o professor doutor Félix Kaputu (UFMG). 

Paulo Freire no Brasil 

Resgatando ideias do educador e filósofo Paulo Freire (1927-1991) dos anos 1960, Emi Koide lembra que, no Brasil, as perspectivas do autor vêm sendo sistematicamente atacadas. A partir do pensamento de Freire, a pesquisadora ressalta o papel de uma dinâmica pautada no protagonismo de agentes locais sobre os materiais didáticos escolhidos para a formação infanto-juvenil. “Como esses assuntos dialogam com o entorno das comunidades?”, questiona.

Para Koide, é preciso que conteúdos estudados nas zonas rurais, por exemplo, incorporem as circunstâncias e saberes daquela região. “Desse modo, escolas urbanas podem, sim, enviar seus livros, mas também devem receber produções de áreas que, supostamente, não estão no centro”. Segundo a pesquisadora, esse movimento seria capaz de oxigenar as redes de conhecimentos já acomodadas numa visão hierárquica da educação.

Diversos saberes 

Uma dos aspectos citados por Filomena Carvalho tangencia a noção de decolonizar saberes. Ao ressaltar o valor da autoestima no processo educativo de crianças, ela afirma que é necessário ensiná-las a sentir orgulho de si. “Quando a gente se conhece, se respeita. Ao lidar com outras epistemologias, vamos conhecer novos modos de convivência”. Para isso, é preciso borrar os papéis de produtor e consumidor, diluindo fronteiras.

Filomena também destaca a importância do suporte financeiro e da estrutura logística para a circulação desses outros conhecimentos. Para Nicolas Wasser, a tradição pode ser capaz de anular debates educacionais, também tornando-se corresponsável por violações humanitárias, como nos casos de assassinatos de mulheres e da população LGBTT. “Não podemos enxergar a tradição como algo congelado no tempo”, observa. 

Viver junto  

A importância das noções de comunidade e convivência é posta em cena por Luciana Modé. Pensando na relação entre educação e desvalorização dos saberes comunitários, ela ressalta que o academicismo pode afastar a ideia de coexistência com outras abordagens de mundo, além de impedir a formação de outras redes. “Conviver com a diferença em nossos países, lidar com outros olhares, perpassa as dinâmicas de decolonização. Algumas comunidades indígenas, por exemplo, compreendem de modo bastante diferente a formação educativa de um sujeito”, completa.

As discussões no laboratório propõe uma abordagem horizontal de educação, em que sejam consideradas muitos tipos de escrita e de transmissão do conhecimento. Por isso, o resultado do grupo vai na direção de uma rede que faça circular saberes não-ocidentais e tradicionais, produzidos por mediadores locais. Cidades do Brasil, como Cachoeira (BA) e Belo Horizonte (MG), e em Angola, como Luanda, receberiam materiais didáticos produzidos em âmbitos diferentes do eixo Sul.

por Luis Fernando Lisboa 

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