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​Trabalhadores culturais, curandeiros de arte

Artistic Interventions
© Taylla de Paula

“A Bahia é um espaço excelente para exercitar a descolonização e discutir o lugar e o conceito da arte, devido a suas influências não europeias - indígenas e africanas. O conceito do que é cultura nessas influências distintas não é ocidental”, afirma o artista, curador e professor Ayrson Heráclito, no laboratório “Intervenções Artísticas”, realizado na Conferência Ecos do Atlântico, no Instituto Goethe de Salvador.
 
 

Heráclito conta que, para o índio, museu é um espaço terrível de zumbis, cheio de objetos de pessoas mortas.  Dessa forma, quando se pensa em uma intervenção artística a ser realizada em uma nação do Sul, o próprio conceito de arte precisa ser repensado. Nas culturas indígenas, por exemplo, religião, arte e filosofia se fundem. Nesse contexto, curador é também um curandeiro, um cuidador do patrimônio artístico.
 
Nanette Snoep acredita que uma intervenção artística que dê conta dessas questões precisa acontecer fora do museu, com curadores e artistas locais. “É preciso explorar os espaços públicos, as rádios, as praças e outros lugares que sejam acessíveis e possam mediar as discussões de forma não violenta”, ecoa a curadora libanesa Amanda Abi Khalil.
 
Segundo Patrick Pessoa, outra premissa para essa intervenção artística a ser concebida deve ser a questão política, uma vez que o País passa por um momento social crítico. “Sim, precisamos tocar nos conflitos que existem em Salvador e no Brasil. A cada 23 minutos um negro é assassinado no Brasil” reforça o antropólogo e curador Hélio Menezes.
 
Em resposta a essas considerações, a artista Yoland Chois propõe uma caminhada  em algum local icônico da cidade, que é aceita com entusiasmo  pelo grupo. O local escolhido é Feira de São Joaquim, e o objetivo da experiência é entrar em contato com as pessoas e a cidade, antes de pensar em criar uma intervenção capaz de abordar as reflexões levantadas.
 
Apesar do grupo não ter um produto final, o testemunho dos integrantes é de que o processo os tornou pesquisadores, intelectuais e artistas mais ricos internamente. “Dessa reflexão emergem muitas questões. Somos trabalhadores culturais, mais do que curadores ou artistas. Queremos criar projetos que sejam ferramentas políticas e sociais, como uma escola museu, por exemplo”, conta Patrick Pessoa. “Como disse Brecht, um artista que não cria outros artista não cria nada”, completa.

Participaram da conversa: Amanda Abi Khalil, Anita Ekman, Iya Adedoyin Talabi Faniyi, Ana Hupe, Nanette Snoep, Mark Nash, Patrick Pessoa, Emi Koide, Selene Wendt, Tatewaki Nio, Jane de Hohenstein, Detlef Diederichsen, Hélio Menezes, Ayrson Heráclito, Akinbode Akinbiyi, Emeka Ogboh, Sarojini Lewis, Yoland Chois
 
por Iara Crepaldi

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