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MUSEU E REPATRIAÇÃO

MUSEUM AND REPATRIATION
© Akinbode Akinbiyi

Temas como hierarquia e simetria do pensamento acadêmico e a problemática da apropriação de objetos/sujeitos por museus são discutidos no laboratório que pretende se desdobrar na criação de um grupo de trabalho.

Após as desconferências realizadas na manhã do dia 24, novos grupos de trabalho são formados para compor os laboratórios divididos em quatro formatos: escrita criativa, intervenção artística, intervenção educacional e ação social. Nesse último grupo, o desafio dos participantes é o de elaborar uma proposta que aproveite a discussão em torno de teorias e categorias conceituais discutidas e aponte um meio prático de aplicar, ao menos inicialmente, essas ideias. Na tarde do dia 25, os grupos apresentam coletivamente os resultados dos laboratórios.

UM NOVO PENSAMENTO ACADÊMICO

Um tema convergente entre os participantes do laboratório de ação social é a necessidade de mudança no modo como o pensamento acadêmico opera em relação às ideias. O ponto central é a discussão a respeito de como os acadêmicos ainda se percebem como detentores de um conhecimento privilegiado, ao passo que poderia haver um respeito maior às outras formas de conhecimento.

“O desafio da academia é não se colocar enquanto poder diante de outras comunidades, como uma autoridade. Todos concordaram com essa agenda, mas persistiu a questão: o que vamos fazer? Uma cartilha para o acadêmico que queira ser menos hierárquico e mais simétrico?”, conta Moises Lino e Silva, mediador do Laboratório. A primeira ideia, segundo ele, é criar um  coletivo com pessoas interessadas no assunto que possam se conectar. “Decidimos que isso poderia ser feito inicialmente em uma plataforma online, onde começássemos com passos básicos como definir nossos objetivos e principais preocupações”.
 

O PROBLEMA DA REPATRIAÇÃO DE ACERVOS DE OBJETOS/SUJEITOS

O mediador conta que grupo optou por discutir as problemáticas do saber e do poder na dinâmica dos museus. São levantadas questões como: o que fazer com objetos de museus que estão na Europa, por exemplo, mas pertencem a povos africanos e indígenas? Como pensar a repatriação desses artefatos? “É preciso entender melhor o que são esses objetos, que para outros são sujeitos. É preciso trabalhar na conscientização do problema, pois talvez as pessoas ainda não o entendam bem. Pouca gente sabe que tem crânios de sul-africanos expostos em museus da Europa”, provoca Moises.

PRIMEIROS PASSOS

Como ponto de partida, os laboratoristas propõem o mapeamento dessa área de atividade, em uma pesquisa de grupos e ONGs que já trabalham ou estão preocupados com as questões relacionadas a museus e repatriação de acervos. “Pensamos em contatar os museus que guardam esses objetos/sujeitos retirados de outros lugares do mundo e organizar um evento, talvez com o apoio do Goethe Institut em Salvador, a fim de tratar desse tema localmente, trazendo gente de museus, curadores europeus e comunidades interessadas, a exemplo das indígenas e africanas”, resume.

por Cadu Oliveria
 
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