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Entrevista
​O QUILOMBO COMO SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA NO ATLÂNTICO SUL

Elisa Larkin Nascimento
Elisa Larkin Nascimento e Cadu Oliveira | © Taylla de Paula

Elisa Larkin Nascimento defende que a mobilização é uma forma eficiente de alertar a sociedade quanto à grave situação do Quilombo Rio dos Macacos.
 

A diretora do Ipeafro também avalia o saldo das discussões da Conferência Ecos do Atlântico Sul.
 
Doutora em psicologia e mestre em direitos humanos,Elisa Larkin Nascimento dirige o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, o Ipeafro, com sede no Rio de Janeiro, que guarda o acervo de Abdias Nascimento e promove ações educacionais e culturais. Em entrevista, ela defende que o engajamento social pode transformar a realidade do Quilombo Rio dos Macacos, em Simões Filho. 

UM TEMA CARO

O tema dos quilombos não é caro só para mim, mas para a própria história do Atlântico Sul. O fenômeno dos quilombos permeia a existência afrodescendente no Brasil até hoje como uma questão urgente. Me parece importante que as pessoas que vieram para esta conferência em Salvador conheçam esse fenômeno histórico do quilombos e que, para além de discursos e reflexões sobre os temas emergentes, todos possamos nos engajar de alguma forma mais concreta e específica, no sentido de contribuir para a melhoria das condições de vida do Rio dos Macacos e da própria maneira como a sociedade encara a questão dos quilombos. 

Durante a conferência, demos continuidade a uma ação que o Ipeafro já havia promovido durante o Fórum Social Mundial, realizado em Salvador em março passado, quando fizemos ações de apoio ao quilombo em três eventos diferentes. O Quilombo Rio dos Macacos, que fica perto da capital baiana, está vivendo uma situação extremamente precária de agressão e está tentando defender a sua sobrevivência e o seu direito mais básico às condições de vida, como a própria água, além de outras formas de subsistência e de continuidade da sua cultura.

ECOS NA CONFERÊNCIA

Eu sinto que houve por parte da maioria dos participantes da conferência uma simpatia e um acolhimento muito evidentes sobre essa causa. Realmente, algumas pessoas não conheciam nada sobre o assunto. O nosso objetivo foi o de dar alguma informação para fazer com que as pessoas tivessem um início de conhecimento - e reconhecimento - desse tema. Eu sinto que houve um acolhimento entusiasmado e bastante empático. A nossa ação mais específica aqui foi colher assinaturas em uma declaração pública de apoio à luta do Quilombo Rio dos Macacos. Quem quiser saber mais sobre essa causa e acessar essa declaração, pode acessar o site do Ipeafro (www.ipeafro.org.br).

SALDO POSITIVO

A conferência foi capaz de trazer um conjunto muito diverso de pessoas, que foram instigadas a pensar juntas de formas diferentes. Em vez de se definir temáticas para depois pedir para as pessoas falarem a respeito, houve uma chamada aberta, que consistiu em juntar várias pessoas em uma mesa para discutirem suas ideias e depois definirem conjuntamente o título do painel. Esse formato me pareceu muito interessante. Nós esperamos que desse intercâmbio entre os convidados nasça uma série de novas ações, além de exposições e performances artísticas como as que vimos aqui. Todo esse momento de intercâmbio, reflexões e de produção artística e cultural deixa um saldo muito rico para a cidade de Salvador.

por Cadu Oliveira

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