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Painel
Quatro abordagens para o Atlântico

Painel na UFBA
Painel na UFBA | © Taylla de Paula

Os participantes do último grande painel da conferência, debatido em português, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia, apontam caminhos para derrubadas de fronteiras no eixo Sul e compartilham problemáticas comuns.

Em pauta, perspectivas arquitetônicas, econômicas, artísticas e literárias sugerem uma reconfiguração estrutural. Mediados pela curadora e pesquisadora Diane Lima, a mesa traz contribuições de Filomena Carvalho, Crisanto Barros, Omar Thomaz, Claudio Furtado e Mona Suhrbier.

Economia política do sul 

O cientista político Crisanto Barros aponta que as atuais dinâmicas políticas e econômicas internacionais também são responsáveis pelas circunstâncias do eixo Sul. Para o pesquisador, uma sociedade que não possui alternativas para o capitalismo e liberalismo fez com que os dois sistemas virassem autorreferentes. Dentre as implicações desse contexto, principalmente depois da crise financeira em 2008, estão a pauperização da classe média e a precarização do proletariado. "Por isso, o Atlântico Sul precisa recentrar seus espaços econômico, político e epistemológico. Assim, conseguiremos revitalizar as nossas fragilizadas democracias. Devemos retomar o diálogo como condição indispensável para pensar o passado e construir o futuro”.

Futuros espaços urbanos da África

Em uma reflexão sobre questões de território, a arquiteta Filomena Carvalho problematizou os rumos das cidades ilustrados com exemplos de Angola. Ao apresentar o papel do Gabinete de Arquitetura Colonial, ela contou sobre o legado habitacional e institucional em todo o país. Esse o primeiro movimento criou terreno para a pesquisadora conduzir as comparações entre construções tradicionais angolanas e arquiteturas modernas. Enquanto as primeiras são estruturas que utilizam materiais locais, contam com sombreamento, e lidam com o espaço comunitário para socialização, as segundas priorizam planos livres, espaços abertos e tentam responder questões de ordem climática. Filomena enfatiza que detalhes como esses sugerem perguntas para os futuros dos espaços urbanos na África. “De que modo há um ajuste da cultura em relação às imposições sociais, dos fluxos migratórias e às preocupações que dizem respeito à natureza?”, questiona.

Poética negra

A busca por outras narrativas de fundação conduz as perspectivas do antropólogo Omar Thomaz. Se as potências europeias dominaram os circuitos de ideias nas colônias, é necessário escapar das tentativas de enquadrar sujeitos africanos ou latinos num contexto que os paralisem. A partir da ilustração sobre os eventos revolucionários no Haiti, ele apresenta como a história cria uma única voz para narrativas de tantos protagonistas. “O povo haitiano tinha uma excelente qualidade de vida no século 19. Esse exemplo mostra como é importante ficar atento aos ecos sobre lutas no processo histórico”. Thomaz acredita que é preciso conectar as trajetórias de pessoas que viveram em contextos políticos, institucionais e sociais completamente diferentes, mas encorparam uma luta de abrangência internacional. Esse movimento evidenciará as sintonias entre nomes que atuaram em regiões distantes, como a poetisa uruguaia Virginia Brindis de Salas, a escritora moçambicana Noémia de Sousa ou autor surinamês Anton de Kom. 
 
por Luis Fernando Lisboa

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