O futuro da memória Bogotá

A capital colombiana é o ponto de partida do projeto regional O futuro da memória. Sob a curadoria do Mapa Teatro, artistas e especialistas ligados a diferentes disciplinas refletem a respeito da dor, da lembrança e do esquecimento que as vítimas do conflito armado no país enfrentam. Paralelamente, uma ação performática abre o diálogo entre os participantes, a fim de repensar essas memórias em conflito e seus territórios. Sendo assim, o relato, a marca por ele deixada e sua reinterpretação poética serão os dispositivos centrais deste encontro, que procura criar um espaço de intercâmbio artístico distanciado dos discursos e das práticas oficiais. 

Laboratório Mnemofilia e lotofagia: consumo de memória e pulsão do esquecimento

O futuro da memória Bogotá 1

Depois de ouvir o testemunho de uma vítima do conflito armado na Colômbia, no contexto da Experimenta/Sur, cinco especialistas latino-americanos de diversas disciplinas – uma antropóloga brasileira-argentina (Ludmila Da Silva), um escritor do Caribe (Roberto Burgos Cantor), uma juíza colombiana (Gloria Guzmán), uma psicanalista brasileira (Suely Rolnik) e um cientista político colombiano (Iván Orozco) – apresentam seus respectivos procedimentos de memória: a memória antropológica, a memória poética, a memória judicial, a memória do trauma e a memória histórica.
 
O testemunho, coletado como parte do projeto da Comissão da Verdade e da Memória das Mulheres da Rota Pacífica, é introduzido por Alejandro Valencia Villa, advogado colombiano especialista em comissões da verdade, em companhia da filósofa Adriana Urrea.
 
Posteriormente, os especialistas e artistas bolsistas ativam juntos os respectivos procedimentos através de cinco máquinas de memória/esquecimento, desenhadas pelo Mapa Teatro. O objetivo é restituir espacial, temporal e poeticamente o relato inaugural, para assim tornar visível e problematizar o amplo e complexo dispositivo da memória, em particular em contextos de violência como aquele pelo qual passou a Colômbia. O laboratório conta com a participação de 20 artistas bolsistas, seis especialistas, artistas e curadores convidados, e dez testemunhas. Por fim, o público pode ver em cena este exercício real e coletivo de elaboração simbólica.  

Curadores

Heidi Abderhalen Foto: © Mapa Teatro ​Heidi e Rolf Abderhalden são artistas cênicos e visuais. Fundadores e diretores do Mapa Teatro-Laboratório de Artistas, sede da Experimenta/Sul na Colômbia. Curadores desta plataforma artística e acadêmica, eles desenvolveram durante mais de 30 anos um pensamento próprio sobre as artes vivas no continente. Desde 2009, também são gestores e docentes do Mestrado Interdisciplinar de Teatro e Artes Vivas da Universidade Nacional da Colômbia. 





Rolf Abderhalen Foto: © Mapa Teatro Mapa Teatro Foto: © Mapa Teatro

Convidados

Ludmila da Silva Catela Foto: © Santiago Sepúlveda Profesora e pesquisadora, é atualmente diretora do Museu de Antropologia da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina. Doutora em Antropologia Cultural e mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de textos sobre temas como violências, situações-limite e memória. Entre suas publicações, estão Não haverá flores na tumba do passado. A experiência de reconstrução do mundo de familiares de desaparecidos, e Os arquivos da repressão: documentos, memória e verdade, uma compilação realizada junto com a socióloga Elizabeht Jelin. 
 
Roberto Burgos Cantor Foto: © Santiago Sepúlveda Escritor e advogado. Autor de romances como El patio de los vientos perdidos, El vuelo de la paloma e La ceiba de la memoria, este último vencedor do Prêmio de Narrativa Casa das Américas de 2009 e finalista do Rómulo Gallegos de 2010, por sua maneira de abordar temas como a escravidão, o colonialismo e a identidade americana. Sua obra inclui também sete libros de contos, entre eles Lo amador, De gozos y desvelos e Juego de niños
Gloria Guzmán Foto: © Santiago Sepúlveda Juíza e promotora. Nos últimos 25 anos, participou da desarticulação e de ações judiciais contra grupos criminosos na Colômbia, bem como doa  combate a delitos contra o Direito Internacional Humanitário e de tráfico de seres humanos. Professora universitária e autora de Técnicas de investigación de la explotación sexual infantil, Guzmán iniciou o primeiro modelo de atenção a meninas, meninos e adolescentes vítimas de delitos sexuais no país.
​Suely Rolnik Foto: © Santiago Sepúlveda Psicoanalista, curadora y crítica de arte. Profesora titular del posgrado en Psicología Clínica de la Pontificia Universidad Católica de São Paulo. Su trabajo tiene como principal foco las políticas de subjetivación en diferentes contextos. Creadora y realizadora de “Archivo para una obra-acontecimiento”, proyecto de activación de la memoria corporal de la artista brasileña Lygia Clark, compuesto por 65 entrevistas en video. Rolnik también es autora de textos como Manifeste anthropophage: Anthropophagie zombie, y Cartografía sentimental. Transformaciones contemporáneas del deseo. 
Ivan Orzoco Foto: © Santiago Sepúlveda Advogado pela Pontifícia Universidade Javeriana, com especialização em Direito Constitucional e Teoria do Estado pela Universidade de Mannheim, e doutorado em Ciência Política pela Universidade de Mainz. Como pesquisador, trabalhou nas Universidades dos Andes, Nacional da Colômbia, de Kassel, Augsburgo e de Notre Dame. Ex-assessor do Alto Comissariado para a Paz durante as negociações em Havana, Orozco é autor de contribuições fundamentais sobre Direitos Humanos e a Justiça na Colômbia. 
​Alejandro Valencia Villa Foto: © Santiago Sepúlveda Advogado, trabalha atualmente como professor e consultor nas áreas de direitos humanos, direito humanitário e justiça transicional. Foi membro do grupo interdisciplinar de estudos independentes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos para o caso de Ayotzinapa, no México. Foi perito perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos e consultor do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, além de ter trabalhado com as Comissões da Verdade do Equador, Paraguai, Peru e Guatemala. 
​Adriana Urrea Foto: © Santiago Sepúlveda Filósofa. Professora da Universidade Javeriana e do Mestrado de Teatro e Artes Vivas da Universidade Nacional, combinou sua vida acadêmica com o trabalho nos setores editorial, de artes e cultura.  Seu trabalho teórico desenvolveu-se no âmbito da estética e da poética, da filosofia da arte e política, bem como de sua relação com a literatura, especialmente com a obra do escritor Roberto Burgos Cantor, de Cartagena. Fundadora da primeira agência literária na Colômbia, La Bicicleta Invisible, Orozco foi também subdiretora de fomento às artes e às expressões culturais do antigo Instituto Distrital de Cultura e Turismo.  

Arquivo

29 de março

  • laboratorio mnemofilia 1 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 2 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 3 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 4 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 5 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 6 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 7 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 8 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 9 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 10 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 11 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 12 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 13 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 14 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 15 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 16 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 17 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 18 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 19 Foto: © Felipe Moreno

30 de março

  • laboratorio mnemofilia 20 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 21 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 22 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 4 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 24 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 25 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 26 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • laboratorio mnemofilia 27 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 28 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 29 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 30 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 31 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 32 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 33 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 34 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 35 Foto: © Felipe Moreno
  • laboratorio mnemofilia 36 Foto: © Felipe Moreno

Performance Fábrica do comum: memórias conflitantes e territórios

O futuro da memória Bogotá 2

O futuro da memória culmina em Bogotá com a apresentação de “A fábrica do comum”, concebida e dirigida pelo coletivo Kom.post. As memórias conflitantes e o território são colocados em um dispositivo performático de conversa, do qual participam todas as pessoas interessadas em debater acerca desta dimensão da memória.
 
O dispositivo cênico consiste em reuniões heterogêneas em várias mesas, nas quais interlocutores distintos trocam seus saberes e práticas, a fim de criar juntos uma experiência. “A fábrica do comum” é escrita a partir de palavras e linguagens singulares, visto que os gestos, os corpos em movimento e as atitudes das pessoas também “falam”. Este ciclo, proposto no contexto do Ano Colômbia-França, começou em fins de janeiro em Cartagena, com continuação em cidades como Bogotá e Barranquilla. 

Artistas

kom.post Foto: © Kom.post Coletivo criado em Berlim em 2009, que reúne artistas e pesquisadores de diversas disciplinas e diferentes países. Seu projeto “A fábrica do comum” estreou em 2010, no centro artístico Le 104, em Paris. Desde então, foi apresentado em diversos encontros internacionais, como o Festival Internacional de Buenos Aires (FIBA), a Bienal de Moscou, o Festival de Avignon, os festivais Tanz im August, Transmediale e Tanznacht, em Berlim, o Eleventh plateau em Atenas e a Ilha de Hidra, entre outros.
​Camille Louis Foto: © Marie Preston Dramaturga e filósofa francesa. Vive e trabalha entre Bruxelas, Paris e Atenas. É docente nas Universidades de Paris 8 y 7. Como artista dramaturga, trabalhou com diferentes diretores e coreógrafos internacionais, entre eles Pascal Rambert, Robert Cantarella e Rachid Ouramdane. Em 2010, recebeu a “Villa Medicis Hors les Murs” e foi também contemplada com uma residência de um ano e meio na Cité internationale des Arts, em Paris. Durante a temporada de 2016-2017, foi dramaturga-associada do centro artístico La Bellone, em Bruxelas. Para o ciclo de “A fábrica do comum”, Louis colabora com Amalia Boyer. 
​Amalia Boyer Foto: © Arquivo personal Filósofa. Passou a vida entre a França, a Colômbia e a Inglaterra, onde fez sua graduação nas Universidades de Warwick e de Anglia Ruskin. Boyer mora na Colômbia desde 2001, onde atuou como docente e pesquisadora nas áreas de filosofia francesa contemporânea, filosofia política, filosofia feminista, o pensamento do Caribe e estética. É atualmente professora da Universidade de Rosário e coordena o grupo interinstitucional (Universidades de Rosário, Andes e Nacional) de pesquisa em estética e política. 

Arquivo

  • Memorias Conflictuales y Territorios 1 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • Memorias Conflictuales y Territorios 2 Foto: © Santiago Sepúlveda
  • Memorias Conflictuales y Territorios 3 Foto: © Felipe Moreno
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 4 Foto: © Felipe Moreno
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 5 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 6 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 7 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 8 Foto: © Felipe Moreno
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 9 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 10 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 11 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 12 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 13 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 14 Foto: © Santiago Sepúlveda
  •  Memorias Conflictuales y Territorios 14 Foto: © Santiago Sepúlveda

Outras cidades