O futuro da memória Buenos Aires

A plataforma Episódios foi criada por convite do Goethe-Institut como uma iniciativa coletiva entre cinco artistas-curadores que formam a equipe do Projeto Memória em Buenos Aires: Gabriela Golder, Marcelo Brodsky, Mariano Speratti e o coletivo Etcétera (integrado por Loreto Garín Guzmán e Federico Zukerfeld), em diálogo com diferentes espaços e instituições vinculados à memória e aos direitos humanos na Argentina: o Parque da Memória esma, localizado na  antiga Escola de Mecânica da Armada, onde funcionou um dos centros clandestinos de detenção, tortura e extermínio durante a última ditadura militar.

As obras e as intervenções do projeto estão organizadas em quatro episódios. A ideia é gerar relatos e ficções que surjam da intenção comum de vasculhar, errar, intervir, dialogar e imaginar a memória futura, ao interpelar a do passado e sua relação com o contexto atual. A pesquisa em curso está baseada no debate entre os artistas e o acesso a arquivos públicos e privados, a espaços, depoimentos, rastros digitais, restos e vestígios. Esse processo vai ser concluído em março de 2018, com uma mostra de obras-ações no Parque da Memória.

Os quatro episódios apresentados em forma de ficção teatral, vídeo, fotografia, performance ou intervenção vão girar em torno de eixos temáticos como o protagonismo das novas gerações (crianças e adolescentes) no “futuro da memória”; a narração oral como fonte testemunhal fundamental na construção da memória coletiva e a cumplicidade de empresas em questões de crimes contra a humanidade.

Essas temáticas se tornaram especialmente relevantes neste ano, quando a Argentina está sendo marcada por retrocessos das políticas de memória: desde o questionamento do número oficial de 30 mil desaparecidos na última ditadura militar, a prisão ativistas sociais antes de seus julgamentos, até a controversa decisão judicial que outorga o privilégio de redução da pena aos condenados por crimes contra a humanidade.

Nesse contexto histórico, as perguntas que permeiam o projeto se fazem ainda mais urgentes e os artistas precisam apelar para outras estratégias ao criar as obras. Assim, os especialistas e as instituições participantes debaterão e imaginarão o possível futuro da memória.

Artistas e curadores

Marcelo Brodsky © Iatã Cannabrava Artista e ativista político, precisou exilar-se em Barcelona durante o golpe militar do General Videla, na Argentina, em 1976. Estudou Economia na Universidade de Barcelona e Fotografia no Centro Internacional de Fotografia da mesma cidade. Em 1984, pouco depois do fim da ditadura, regressou à Argentina e deu início a seu projeto “Buena Memoria” – um ensaio visual que trata da memória coletiva durante os anos de ditadura, inspirado nas emoções e experiências pessoais de quem a viveu. Situada no limite entre instalação, performance, fotografia, monumento e memorial, a obra de Brodsky sempre esteve comprometida com a defesa dos direitos humanos. Hoje, várias de suas peças fazem parte das coleções do Museum of Fine Arts de Houston, da Tate Modern de Londres, do Museo Nacional de Belas Artes de Buenos Aires, entre outros.
Etcétera © Gisela Vola. 2010 Coletivo argentino integrado, desde 1997, por artistas provenientes do teatro, das artes visuais, da poesia e da música. Federico Zukerfeld e Loreto Garín Guzmán são os atuais coordenadores deste grupo especializado em desenvolver ações de arte de rua, intervenções públicas e performances. Desde sua fundação, o Etcétara participou de várias exposições internacionais, entre elas da 52ª edição do Salão de Outubro de Belgrado (2011), da 31ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo (2014) e da Stadtkuratorin de Hamburgo (2015). Em 2013, foram o vencedor da segunda edição do Prêmio Internacional de Arte Participativa em Bolonha, e em 2015 ganharam o Prêmio Príncipe Claus da Holanda.
Gabriela Golder © Arquivo pessoal Artista visual, curadora, professora e codiretora da Bienal da Imagem em Movimento (BIM), na Argentina. Especialista em cinema, vídeo e instalações. Suas obras colocam questões fundamentais relacionadas à memória, à identidade, aos deslocamentos e ao mundo do trabalho. Com uma ampla produção internacional, Golder recebeu vários prêmios, entre eles o Luis Espinal da Mostra Cine Trabalho, Brasil (2011); o Sigwart Blum da Associação de Críticos de Arte da Argentina (2007); e o Media Art Award do Centro de Arte e Tecnologia da Mídia (ZKM), na Alemanha (2004).
Mariano Speratti © Juan Risso Ator e dramaturgo. Formado em Artes Cênicas, foi aluno de professores como Rolf Larsson, Ricardo Bartís e Pompeyo Audivert. Como ator, participou de obras como “Marambio” (escrita em colaboração com o diretor Juan Pablo Gómez), “Los demás no existen” (Juan Pablo Gómez), “Yace al caer la tarde” (Maximiliano De la Puente) e “La cita” (Aldana Cal). Também participou de vários trabalhos da diretora argentina Lola Arias, entre esses “Mi vida después”, com várias apresentações em Buenos Aires e turnês pela Europa e América Latina. Além disso, atuou como diretor, dramaturgo e roteirista, em colaboração com Rafael Spregelburd, Rolf Larsson, Analía Couceyro e Casandra da Cunha. Speratti é também tradutor e DJ.

Produção de projetos

O futuro da memória Buenos Aires 1

Os artistas e os curadores apresentam os primeiros resultados de sua pesquisa sobre o possível futuro da memória no sábado (12/08). Interpelando a memória do passado no contexto atual e, após meses de discussão coletiva, cada um contribuirá com sua visão do que poderia ser parte constitutiva da memória do futuro.

A ação começa com diferentes intervenções no Parque da Memória esma e desloca-se, em seguida, para uma caminhada conjunta acompanhada de intervenções, leituras e performances, à Casa por la Identidad (Abuelas). Nela, acontece a apresentação oficial dos quatro episódios, descritos abaixo.

Reverberações do futuro | Mariano Speratti
Ano 2076. Por ocasião do centenário do Golpe Cívico Militar, o Estado decidiu colocar à disposição do público uma seleção de arquivos desclassificados. As crianças são as encarregadas de controlar e administrar a memória.

Deriva através da memória extrativa | Grupo Etcétera
Um percurso imaginário pelo Museu do Neoextrativismo, que estabelece vínculos entre os crimes contra a humanidade durante a última ditadura e o presente neoextrativo, e produz fugas imaginárias ao futuro.

Lá estavam eles, dignos, invisíveis | Gabriela Golder
Performance a partir da coleção Cartas de la Dictadura da Biblioteca Nacional. Essas correspondências foram escritas de diversas prisões do país, do exílio ou da clandestinidade.

Arquivo vivo | Marcelo Brodsky
Uma leitura narrativa por meio de fotografias, com intervenções, do material visual e textual dos arquivos do Centro de Estudos Legais e Sociais (cels).
 
Ao finalizar, o público tem a oportunidade de conversar com os artistas-curadores, bem como com os organizadores da ação.

Arquivo

  • ESMA © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 2 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 3 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 4 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 5 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 6 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 7 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 8 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 9 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 10 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 11 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 12 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 13 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 14 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
  • ESMA 15 © Gustavo Correa/Goethe-Institut Buenos Aires
Episodios

Vídeo
Quatro episódios

Marcelo Brodsky, Mariano Speratti, Gabriela Golder e o Grupo Etecetera, integrado por Loreto Garín e Federico Zukerfeld, resumem os avanços do trabalho durante o percurso performático no Espaço Memória e Direitos Humanos (ex-ESMA). 

Work

Vídeo
Apresentação do 'work in progress'

Artistas e curadores apresentam no Espaço Memória e Direitos Humanos (ex-Esma) os primeiros resultados de sua investigação artística em torno da possível evolução da memória.

Cine y debate

Vídeo
Cinema e debate

Após ver 'Austerlitz', as diretoras Nora Hochbaum, do Parque da Memória, e Alejandra Naftal, do Sitio de Memória ESMA, refletem, ao lado de da cineasta Albertina Carri, sobre os espaços de memória do futuro.

O futuro da memória Buenos Aires 2

Exposição de episódios

Outras cidades