O futuro da memória Montevidéu

A música talvez seja um dos testemunhos mais provocadores e duradouros de uma época. Em 1966, o musicólogo e pesquisador uruguaio Lauro Ayestarán produziu, ao  lado de Mario Handler e Eugenio Hintz, o curta-metragem “Juegos y rondas” (Jogos e rodas), que resgata várias canções tradicionais recitadas pelas crianças nas ruas, escolas e parques do Uruguai. Hoje, o curta volta à tona graças ao trabalho de restauração digital conduzido pelo Laboratório de Preservação do Arquivo Geral da Universidade da República.
 
A tensão entre o material analógico e o digital é precisamente o ponto de partida para o projeto, a ser realizado pelo coletivo Hornero Migratorio na Escola de ANCAP del Cerro, onde foram filmadas algunas cenas de “Juegos y rondas”. A ideia é fazer uma oficina com os alunos e professores deste colégio, a fim de criar uma nova canção, que fique documentada em vídeo e, além disso, integre o material compilado por Ayestarán há mais de meio século.
 
As famílias dos estudantes também estão convidadas a participar desta iniciativa com histórias e possíveis lembranças da infância registradas em fotos, fitas cassete, slides ou vinis. Este é, definitivamente, um trabalho colaborativo, que unirá vozes das crianças de ontem e hoje como pretexto para pensar sobre a memória coletiva e sobre a relação dialógica entre materiais audiovisuais de caráter duradouro e efêmero. 

Artistas e curadores

Hornero Migratorio © Sabina Harari/Hornero Migratorio Coletivo uruguaio, fundado por Francisco Lapetina e Sabina Harari, que se dedica à criação colaborativa de conteúdos audiovisuais. Partindo da premissa “jogar-criar-aprender”, este projeto social e artístico oferece oficinas em diversas escolas do país que buscam estimular a curiosidade dos estudantes. 
Archivo General de la Universidad de la República (AGU) © Archivo General de la Universidad de la República Serviço central fundado em 2002, que funciona ao mesmo tempo como uma unidade de apoio à gestão institucional e como espaço de pesquisa histórica e preservação documental, divide-se em duas áreas: administrativa e de pesquisa histórica. Sua principal missão é garantir a organização, o tratamento e o serviço de patrimônio documental da Universidade da República. 
Vania Markarian © Arquivo Geral da Universidade da República Responsável pela Área de Pesquisa Histórica do Arquivo Geral da Universidade da República. Doutora em História Latino-Americana pela Columbia University e graduada em Ciências Históricas pela Universidade da República, Markarian já deu aulas e realizou pesquisas nestas universidades, bem como nas de Nova York, Princeton, Universidade Nacional de General Sarmiento e no Centro Latino-Americano de Economia Humana (CLAEH). Tem numerosas publicações relacionadas ao período da Guerra Fria no Uruguai e na América Latina, entre elas o livro Idos y recién llegados: La izquierda uruguaya en el exilio y las redes transnacionales de derechos humanos, 1967-1984 (Idos e recém-chegados: A esquerda uruguaia no exílio e as redes transnacionais de direitos humanos, 1967-1984). Seu texto mais recente tem por título El 68 uruguayo: El movimiento estudiantil entre molotovs y música beat (O 68 uruguaio: O movimento estudantil entre coquetéis molotov e música beat). 
Julio Cabrio © Archivo General de la Universidad de la República Graduado em Artes, com habilitação em Fotografia, pelo Instituto Escola Nacional de Belas Artes, e mestrando em “Moving Image Archiving and Preservation” na Universidade de Nova York (NYU). Desde 2012 é assistente de pesquisa histórica do Laboratório de Preservação Audiovisual do Arquivo Geral da Universidade da República no projeto “Conservação preventiva e descrição para arquivos dos filmes do ICUR”. Atualmente, Cabrio integra o Grupo de Estudos Audiovisuais (Gesta) para o desenvolvimento de sua linha de pesquisa.
Mariel Balás © Cinemateca da Universidade do Chile Graduada em Comunicação pela Universidade da República, onde atualmente cursa mestrado em Estudos Latino-Americanos. É membro da equipe da Área de Pesquisa Histórica do Arquivo Geral da Universidade da República e faz parte do Grupo de Estudos Audiovisuais. Em 2008, recebeu o Fundo de Fomento do Instituto de Cinema e Audiovisual do Uruguai (ICAU) para coordenar o projeto de resgate e digitalização do arquivo em formato U-matic do Centro de Mídias Audiovisuais (CEMA). No decorrer do ano de 2013, Balás fez um estágio na Cinemateca da Universidade do Chile, onde trabalhou na inspeção física e catalogação de filmes em 16mm. Em 2016, recebeu uma bolsa de iniciação à pesquisa da Comissão Setorial de Pesquisa Científica (UDELAR) e também coeditou, junto com Beatriz Tadeo Fuica, o livro CEMA: arquivo, vídeo e restauração democrática.
Lucia Secco © Javier Calvelo/adhocFOTOS Graduada em Comunicação pela Universidade da República com pós-graduação em Gestão Cultural. Atualmente cursa um mestrado em Estudos Latino-Americanos na mesma instituição. Em 2010, participou do projeto Resgate do Arquivo CEMA e desde 2012 trabalha no Laboratório de Preservação Audiovisual do Arquivo Geral da Universidade da República, onde atua como docente e pesquisadora, além de realizar tarefas de conservação e digitalização de filmes. Em 2014, Secco fez um estágio na área de preservação no México e a seguir se aliou ao Grupo de Estudos Audiovisuais. Em 2015, ganhou uma bolsa de iniciação científica da Comissão Setorial de Pesquisa Científica (Udelar).

Hornero Migratorio na Escola de ANCAP do Cerro

O futuro da memória Montevidéu 1

Vídeo
A intimidade do arquivo

Visitar o passado através de fotos, cartas, publicações e filmes. Esta é uma antecipação da cooperação entre o Arquivo Geral da Universidade da República e o coletivo Hornero Migratorio. 

Juegos y rondas

Vídeo
Jogos e cantigas tradicionais do Uruguai

A tensão entre o analógico e o digital é evidente nesta comparação em vídeo do curta-metragem, produzido em 1966, por Lauro Ayestarán, Mario Handler e Eugenio Hintz.

Outras cidades