O futuro da memória Rio de Janeiro

O afã pelo progresso urbano, no lugar do bem-estar, geralmente traz políticas de urbanização excludentes. A comunidade da Vila Autódromo é um bom exemplo deste paradoxo. Em 2013, a prefeitura do Rio de Janeiro deu início a um processo para desalojar os habitantes daquele bairro, situado onde seria construído o Parque Olímpico da cidade, tendo em vista os Jogos de 2016. A maioria aceitou sair do local, mas outros fizeram o impossível para ficar. A batalha destes últimos foi justamente o pontapé para o “Monumento-Monumento”, ciclo de atividades a serem realizadas no Rio de Janeiro em torno da memória territorial, das lutas sociais e da perpetuação da violência.
 
A ideia é construir uma plataforma de resistência e diálogo a partir de três objetivos: apoiar os moradores na criação de um arquivo vivo; convidar artistas a discutir as noções de territorialidade e memória como consequência do desalojamento e da desapropriação; criar uma rede com outras comunidades que tenham passado por ou estejam vivendo uma experiência parecida com a da Vila Autódromo.

Curadores

João Paulo Quintella © Arquivo personal Mestre em processos artísticos contemporâneos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), faz parte da equipe de pesquisa da Casa França-Brasil. Curador de diversos projetos, entre eles “Além Terreno”, realizado pelo espaço independente Átomos, e “Remanso”, Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2015. Colaborador da revista SeLect e das Edições Sesc São Paulo, Quintella tem se dedicado a estudar as relações entre a arte, a arquitetura e a experiência, ao inverter os modos de expressão dessas disciplinas e mesclar suas linguagens.  
Shana Marques Prado dos Santos © Arquivo pessoal Advogada e coordenadora do projeto Memória, Verdade e Justiça do Instituto de Estudos da Religião (ISER). Mestre em Direitos Humanos, Sociedade e Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como integrante do Laboratório de Direitos Humanos desta universidade, trabalhou com temas como as ditaduras militares, o direito internacional e o multiculturalismo. Foi pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e consultora da Comissão de Anistia da Rede Latino-Americana de Justiça de Transição no tratamento de arquivos sobre direitos humanos. Também trabalhou no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no contexto da Comissão especial sobre mortos e desaparecidos políticos.  
Gleyce Kelly Heitor © Archivo personal Educadora e pesquisadora. Graduada em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre em Museologia e Patrimônio. Tem experiência com projetos de mediação cultural, educação e programas públicos em museus. Pesquisa as relações entre o museu, a arte contemporânea e a educação; as interfaces entre a museologia e o pensamento social brasileiro e as relações entre os museus e os movimentos sociais. Atualmente é coordenadora de educação no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea e professora de Mediação Cultural na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Foi co-curadora da convocatória artística do projeto Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos (2015-2016). Integrou a equipe de implementação da Escola do Olhar – Museu de Arte do Rio, e atuou como pesquisadora do Núcleo Experimental de Educação e Arte do MAM, Rio de Janeiro. 
Vidor © Arquivo pessoal Artista visual e educador. Após uma breve carreira como atleta profissional, passou os últimos anos investigando a relação entre o corpo e aspectos sociais e históricos e tem experiência na mediação cultural em museus, instituições e programas públicos. Seus trabalhos fazem parte de coleções como a do Museu de Arte do Rio e do Instituto Itaú Cultural. Em 2016, foi o primeiro brasileiro convidado a participar do International Fellowship Program pelo Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Seul (MMCA). Participação em mostras recentes incluem a primeira mostra “Imagem e movimento”, Casa França-Brasil, com curadoria de Lisette Lagnado; “A cor do Brasil”, MAR; “Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos” e OCA Ibirapuera, ambas com curadoria de Paulo Herkenhoff; “No Man’s Land”, MMCA Residence Changdong, com curadoria de Heejung e Yesul Park.    

Convidados

Guanabara O Estúdio Guanabara navega pelos campos da arquitetura, do urbanismo e do design. Do conceito à materialização de ideias, busca desenvolver projetos inovadores para a sociedade, que dialoguem com seus contextos específicos, lançando mão de diversas ferramentas a partir de uma visão do processo e de uma prática transversal. Faz parte da caixa de ferramentas do Estúdio: gestão ágil, aberta e participativa; diversas metodologias para cada tipo de projeto; articulação de redes multidisciplinares de colaboração; escolha de materiais e técnicas construtivas de baixo impacto ambiental; uma abordagem em inovação social, relevância para o campo da arquitetura e ressignificação do papel do arquiteto. A empresa foi fundada em 2012 por arquitetos e urbanistas formados pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ). 
Bogossian © Arquivo pessoal Arquiteta e urbanista formada pela FAU/UFRJ, cursou a Escola Nacional Superior de Arquitetura de Versalhes e é mestre em Urbanismo pelo PROURB-FAU/UFRJ. É cofundadora do Estúdio Guanabara e da Goma. Atua no desenvolvimento de pesquisas que debatem a cidade contemporânea e seus processos de construção, com foco em projetos da rua, mobilidade e ativação urbana sob a perspectiva da criação de espaços voltados para a coletividade. 

   
Daemon © Arquivo pessoal Arquiteto e Urbanista formado pela UFRJ com formação complementar em Design de Mobiliário pelo Istituto Europeo di Design (IED). É cofundador do Estúdio Guanabara e da Goma. Atua no desenvolvimento técnico de projetos e em pesquisas de sistemas construtivos e materiais.
Danilo © Arquivo pessoal Arquiteto e Urbanista formado pela FAU/UFRJ, com especialização em Geografia, Cidade e Arquitetura pela Escola da Cidade.  É cofundador do Estúdio Guanabara e da Goma. Atua em pesquisas e projetos relacionados habitação social junto a associações indígenas e movimentos urbanos. Investiga questões relativas à autogestão e transferência de tecnologia.

Terceira Margem “Terceira Margem: Arquitetura e Singularidades” é um coletivo que trabalha de forma transdisciplinar para estruturar um habitar com mais sentido, seja na casa, no trabalho ou na cidade. Com uma metodologia colaborativa, o Terceira Margem acredita que o ambiente construído pode estar a serviço de quem habita e que as soluções inovadoras partem do próprio território – físico e existencial. Este coletivo realiza uma série de oficinas sensoriais para pensar o espaço e trabalha com projetos artísticos, arquitetônicos e urbanísticos.
Natália Cidade © Arquivo pessoal Arquiteta e urbanista. Parceira do escritório de arquitetura Terceira Margem. Graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Natália Cidade realizou intercâmbio na École Nationale Supérieure d’Architecture de Toulouse, na França. Atualmente é mestranda em Urbanismo no Prourb-UFRJ. Entre 2013 e 2015, atuou na empresa Rio Verde Engenharia e Construções, desenvolvendo experiência em acompanhamento de obras e projetos. Também tem experiência de 15 anos com danças orientais.
Iazana Guizzo © Arquivo pessoal Arquiteta e urbanista. Cofundadora do escritório de arquitetura Terceira Margem. Doutora em Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Institut d’Urbanisme de Paris, e mestre em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Guizzo é coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula e professora do Mestrado de Gestão do Trabalho para a Qualidade do Ambiente Construído. Além de trabalhar com intervenções urbanas, participou no curso técnico de Bailarino Contemporâneo pela Angel Vianna.

Ribas © Arquivo pessoal Trabalha como artista, pesquisadora e curadora e concebe projetos de estética e política na forma de residência artística, pesquisa militante e pedagogia radical. Ribas é doutora pelo Departamento de Artes do Goldsmiths College University of London. Em 2005, desenvolveu a pesquisa “Arquivo de emergência”, que em 2011 transformou parte de seu acervo na plataforma online Desarquivo.org. Recentemente, realizou junto a outros autores o “Vocabulário político para processos estéticos”. Ribas também faz parte da rede de pesquisadores Conceitualismos do Sul. 







Sargentelli © Arquivo pessoal Artista. Atualmente cursa o mestrado em Artes Visuais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também atua como editor e designer gráfico de livros, depois de estudar na Escola Superior de Desenho Industrial. Em 2015, foi residente do programa “Capacete Entretenimentos” e, em 2016, participou do curso de pós-graduação para artistas da Universidade Torcuato Di Tella, em Buenos Aires. Sargentelli investiga o território de megacidades latino-americanas em sua dimensão pública, com especial atenção aos nexos entre instituições e subjetividade.

Kammal © Arquivo pessoal Graduado em Comunicação Visual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), com pós-graduação em Psicomotricidade Somática pelo Instituto Anthropos. Facilitador do projeto Cadernos e Caminhos, que pesquisa práticas artísticas e somáticas através de viagens. Trabalha como artista plástico e ilustrador, com mais de uma dezena de livros publicados por diversas editoras. Destaca-se o livro O tempo sem tempo pela A Bolha Editora, no qual investiga os limites entre o traço gráfico e o escrito. Kammal João participa de exposições e residências com frequência, das quais destacam-se do 45 Salão Novíssimos-IBEU, RJ (2016); “Cadernos do corpo”, Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), RJ (2015); “Permanências e destruições”, Praça XV (2014); Residência RAM, Minas Gerais (2013); Salão Arte Pará-Belém e Residência IDPOOL, Portugal (2012). 

Godoy © Arquivo pessoal Mestre em Processos Artísticos Contemporâneos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Desde 2009, desenvolve a série “Vídeo-críticas”, trabalho que busca provocar percepções e gestos associados às praticas videográficas e o pensamento crítico.

Pollyana © Arquivo pessoal Historiadora e crítica de arte. Foi coeditora da revista Usina e pesquisadora e curadora adjunta da Casa França-Brasil. Também trabalhou no Museu de Arte do Rio e no Museu da Chácara do Céu. Quintella é graduada em História da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestranda em Arte e Cultura Contemporânea pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com pesquisa sobre Mário Pedrosa. Foi curadora das exposições “9+1 - laboratório aberto”, “Antesala”, “Insistência”, entre outras. É colunista do jornal Agulha.

Espacialização

Como espacializamos a luta? Como demarcamos a existência da Vila Autódromo?  Como a tornamos visível? 

Essas são algumas questões que guiam o debate sobre a ocupação territorial desta comunidade. Para desenvolver uma estrutura de visibilidade que demarque sua existência, os artistas e curadores no Rio de Janeiro trabalham de maneira coletiva com os moradores e atores locais.

O futuro da memória Rio 1

Vila virtual
















Intervenções artísticas na Vila Autódromo

O futuro da memória Rio de Janeiro 2

Outras cidades