O futuro da memória Santiago do Chile

Todas as cidades possuem histórias para contar. Suas ruas, parques e prédios são testemunhos e museus vivos de alguns dos acontecimentos mais importantes de uma sociedade. O AppRecuerdos é um aplicativo que pode ser baixado por qualquer pessoa gratuitamente, e que propõe justamente uma nova forma de passear por Santiago do Chile e ouvir a cidade. Desenvolvido pelo coletivo chileno SonidoCiudad e pela companhia alemã Rimini Protokoll, este aplicativo consiste em mais de 100 áudios, ativados por geolocalização cada vez que o usuário passar por algum dos pontos marcados no centro da capital chilena.
 
Os relatos são testemunhos cotidianos de pessoas que direta ou indiretamente viveram o contexto político e social do país entre os anos 1970 e 1990. As vozes incluem desde um ex-ministro da Economia até a dona de uma banca de revistas, sendo todos protagonistas de uma época. A ideia é que o usuário possa escutar suas histórias no lugar exato onde elas aconteceram, de forma que a cidade se converta em uma espécie de teatro mental. O AppRecuerdos foi lançado no início de 2017 durante o Festival Internacional Santiago a Mil e continua sendo hoje um convite para pensar o vínculo entre a memória, o espaço urbano e seus protagonistas. 

Artistas e curadores

SonidoCiudad © AppRecuerdos Coletivo interdisciplinar de artistas e pesquisadores, formado por Mauricio Barría Jara, Verónica Troncoso e Gonzalo Dalgalarrando Haritçalde. A equipe surgiu a partir do Núcleo Arte Política e Comunidade, pertencente ao Departamento de Teatro da Universidade do Chile, com o objetivo de desenvolver o AppRecuerdos em parceria com a companhia alemã Rimini Protokoll.
D Mauricio Barria © Archivo personal ramaturgo e pesquisador teatral. Doutor en Filosofia, com especialização em Estética e Teoria da Arte pela Universidade do Chile. Pesquisador e membro do Núcleo Arte, Política e Comunidade. Sua obra volta-se para pesquisas sobre os vínculos entre a palavra e a sonoridade, com ênfase nos formatos de peça radiofônica e arte sonora. Seus últimos trabalhos neste campo foram: “Irredentos” (2013), “KafCage para Mall” (2015) e “RadioMigrante” (2016). 
Veronica Troncoso © Francisca García Artista visual. Mestre em Artes Visuais e pesquisadora do Departamento de Artes Visuais da Universidade do Chile. Troncoso tem pesquisado e produzido obras a partir do arquivo como paradigma e objeto de estudo, com especial atenção às violações dos direitos humanos durante a ditadura civil-militar chilena (1973-1990).
Gonzalo Dalgalarrando Haritçalde © Arquivo pessoal Ator, artista e pesquisador cênico. Membro do Núcleo Arte, Política e Comunidade da Universidade do Chile e das companhias Acción Residente e La Malinche Teatro, de Valparaíso. Autor de pesquisas, montagens e intervenções em torno de problemáticas como a memória, a identidade e a violência.

Territórios deslocados

O futuro da memória Santiago do Chile 1

Territórios deslocados é um encontro de criação coletiva no espaço público, que acontece a partir do intercâmbio entre criadores oriundos das sete cidades da América Latina que integram o projeto O futuro da memória.
 
O nome deste laboratório interdisciplinar alude ao espaço habitável e habitado como receptáculo de diversas camadas que coexistem em diferentes temporalidades e territórios. Os artistas e curadores escolhem uma série de materiais sonoros, todos eles sujeitos a dois conceitos centrais: o “ainda presente” e o “esquecido”.
 
O “ainda presente” é uma espécie de eterno retorno do passado e uma sensação de que este nunca se encerra por completo. O “esquecido”, por sua vez, começa com a ação de produzir memória no presente. Isso significa que cada vez que se volta para trás, algo é esquecido. Mas o que se esquece exatamente?
 
Os assistentes do laboratório Territórios Deslocados trabalharão sobre três eixos temáticos em torno da revitalização de San Borja, um conjunto arquitetônico emblemático, localizado no centro de Santiago do Chile. O primeiro desses eixos, intitulado Memória urbana, engloba o antigo hospital San Borja e as novas comunidades surgidas nas passarelas verdes, que servem de hortas urbanas, e nos espaços públicos transformados em pistas de dança.
 
O segundo eixo temático é intitulado Violência contra as minorias sexuais e inspira-se no caso de Daniel Zamudio, jovem chileno transformado em símbolo contra a violência homofóbica no país, depois de ser atacado e torturado até a morte no Parque San Borja em 2012. O terceiro eixo, Ditadura militar, tem seu enfoque na queima de livros, por parte do Exército, que aconteceu nas torres de San Borja no dia 23 de setembro de 1973.
 
Esses temas são o ponto de partida para o intercâmbio transversal e colaborativo entre artistas, curadores e demais assistentes do laboratório, que terminará com uma instalação no Parque San Borja.

Arquivo

Sobrepor e deslocar: açoes sonoras no parque San Borja

  • Territorios desplazados 1 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 2 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 3 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 4 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 5 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 6 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 7 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 8 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 9 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 10 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 11 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
  • Territorios desplazados 12 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile
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  • Territorios desplazados 14 Foto: © Cristián Muñoz/Goethe-Institut Chile

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