O futuro da memória São Paulo

Os desfiles, festas, feriados e esculturas públicas são rituais que servem para que as sociedades recordem suas histórias. O projeto “Contramemórias” desafiará esses mecanismos de memória e esquecimento a partir da experiência de três movimentos sociais: as Mães de Maio, uma associação fundada em 2006 por mulheres que perderam seus fihos em consequência da violência policial em São Paulo; os Secundaristas em Luta, um grupo de estudantes que enfrentaram a Secretaria de Educação da cidade; e a comunidade Tenondé Porã do povoado indígena guarani Mbya, uma aldeia semiurbana de mais de 2 mil habitantes assentados no extremo sul de São Paulo.

Cada um destes movimentos escolherá uma data, com a colaboração de artistas e pensadores, para desenvolver um contrarritual – em forma de marcha, ação, intervenção, passeio… – como expressão da luta política e simbólica pela memória. Inspirado na “Experiência Nº 2”, do arquiteto e artista plástico brasileiro Flávio de Carvalho, este projeto não só pretende gerar uma plataforma teórica, mas também levar o conhecimento à prática. O processo de trabalho e a ação final estarão abertos ao público por meio de encontros, oficinas e debates. 

Curadores

Clara Ianni © Tomas Rafa Artista. Graduada em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo, é mestre pela Universidade Livre de Berlim. Seu trabalho trata da relação entre arte e política, com atenção especial à história e à construção da memória. Sua pesquisa reflete as contradições entre o proceso de modernização do Brasil e as estruturas arcaicas do passado colonial ainda subjacentes no país. Através do vídeo e da instalação, sua obra concentra-se nos aspectos omitidos pelas narrativas hegemônicas. Já expôs seus trabalhos entre outros na “Bienal de Jacarta” (2015),  na “31ª Bienal de São Paulo” (2014), no “Yebisu Festival”, Tóquio (2015),  entre outros. Foi residente do AIR Laboratory, Varsóvia (2017), do HIWAR-Conversations em Amman, Jordânia (2013), da Culturia, Berlim (2011), do Museu da Pampulha, Belo Horizonte (2011) e da Casa Tomada, São Paulo (2010).
Benjamin Seroussi © Sofia Colucci Curador, editor e gestor cultural. Diretor da Casa do Povo, uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada há mais de 60 anos no bairro Bom Retiro, em São Paulo. Seroussi é mestre em Sociologia pela Escola Normal Superior de Paris e pela Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais, e em Gestão Cultural pelo Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po). Trabalhou como curador-convidado do projeto Vila Itororó, Canteiro Aberto, para projetar um centro cultural neste conjunto de prédios do bairro Bela Vista. Além disso, foi editor de várias publicações e realizou diversas pesquisas no Brasil.

Artistas

Escobar © Arquivo pessoal Formado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e pós-graduando em Estudos Brasileiros: sociedade, educação e cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política. Desde 2009 atua com educação não formal em contextos de vulnerabilidade social ou de disputas políticas, como Fundação Casa, Cracolândia e Albergues. Partindo das noções de público e privado, lugar e não-lugar, centro e margem, sua produção se utiliza de objetos, ações e situações corriqueiras do cotidiano urbano. Escobar participou de exposições como “Metropole: experiência paulistana” na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2017); OSSO, Exposição-apelo ao amplo direito de defesa de Rafael Braga, Instituto Thomie Othake, São Paulo (2017); “Totemonumento”, Galeria Leme, São Paulo (2016); X Bienal de Arquitetura de São Paulo (2013); “A alma é o segredo do negócio, Funarte, São Paulo (2013). Também participou de residências artísticas como Red Bull Station, São Paulo (2016), “Muros: territórios compartilhados”, Salvador (2013), e “Obras em construção”, Casa das Caldeiras, São Paulo (2011). 

Conversas com artistas, especialistas e representantes de movimentos sociais

O futuro da memória São Paulo 1

Oficinas, experimentos e discussões

O futuro da memória São Paulo 2

Contrarrituais

O futuro da memória São Paulo 3

Ma’ety Reko: Alimentos Sagrados

Multiplicar as sementes do milho Guarani e o plantio tradicional das comunidades Guarani Mbya como ato de re-existência cosmopolítica. Essas sementes milenares possuem a força de não se deixar contaminar pelas sementes transgênicas e as técnicas de plantio tradicionais preservam e respeitam a vida e o tempo do solo. Juntas, tem a força de acordar um entendimento cosmocoropolítico da realidade. Com essa Corografia/Mutirão/Oficina vamos juntos, Guarani e Juruas (não-indígenas), Celebrar e Cultivar o milho Guarani, símbolo de vitalidade, saúde, alimentação, mas principalmente manutenção dos saberes ancestrais Guarani Mbya, fortalecendo sua Re-Existência e apoio à luta pela Demarcação de Terras e a garantia do direito à Terra.
 
A aldeia Kalipety faz parte do Território da TI Guarani Mbya Tenondé Porã, localizada no extremo Sul de São Paulo, no distrito de Parelheiros, a 40 km do centro da cidade, demarcada em 1987 junto da aldeia Krukutu, em uma extensão de apenas 26 hectares cada. Em 2012 a demarcação foi revista e reconhecida uma área de 16.000 hectares. A aldeia Kalipety faz parte da retomada das Terras Guarani junto de outras 6 novas aldeias, sendo a Kalipety a que tem o trabalho mais consolidado com o plantio tradicional.
 
O Terreyro Coreográfico é uma encruzilhada onde se encontram arquitetos, coreógrafos, dançarinos, poetas, afins de trabalhar em coro no sentido de dar voz aos espíritos dos Lugares, em acordes com sua força de ser Público e o sentimento sagrado de pertencimento à Terra, através de coreografias, celebrações, disseminários, cursos, projetos urbanos e arquitetônicos.
 

Outras cidades