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SOCIAL BOTS
O PODER DOS ROBÔS QUE EMITEM OPINIÃO

Bots podem difundir slogans de campanhas eleitorais. |
Bots podem difundir slogans de campanhas eleitorais. | | Foto (detalhe): © fotohansel - Fotolia.com

Eles podem difundir notícias, interagir com usuários e até escrever textos. Será que os perfis programados de usuários nas redes sociais também são capazes de influenciar processos de decisão política?

Um partido quer mobilizar eleitores. Para isso, usa mídias sociais como Twitter e Facebook, de onde muitas pessoas extraem suas notícias. E para alcançar ali a maior presença possível, são implantados os chamados social bots, programas de computador que simulam o comportamento humano. Esses bots (diminutivo de robots) difundem slogans de campanhas eleitorais em uma escala de milhões e conferem a eles um peso tão grande na mídia, que os eleitores em potencial são realmente influenciados por eles.

Esse cenário inquietante já é em parte realidade hoje. Os social bots foram usados, por exemplo, na campanha eleitoral dos Estados Unidos. O projeto de pesquisa Political Bots, da Universidade de Oxford, provou que mais de 30% de todos os tweets pró-Trump e 20% dos tweets pró-Clinton após o primeiro debate televisivo entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos vieram de máquinas como essas, programadas para gerar opinião. Os bots também foram utilizados durante os debates sobre a questão do Brexit, no Reino Unido, e no contexto dos conflitos com a Ucrânia. Isso pôde ser provado, entre outros, por Simon Hegelich, professor de Ciência de Dados Digitais na Universidade Técnica de Munique.

OS POLÍTICOS ESTÃO PREOCUPADOS

Do ponto de vista meramente técnico, as habilidades dos bots vão do envio de notícias pré-geradas à redação própria de textos e à interação com usuários “reais”. Na maioria dos casos, eles são usados para alcançar um objetivo específico, como divulgação junto à imprensa, marketing e, cada vez mais, para propaganda política. Mas qual o poder real dos bots? No momento, isso ainda é difícil de avaliar. Simon Hegelich acha que o maior risco da influência dos programas está na manipulação dos chamados trends, as tendências nas mídias sociais. Através da enorme quantidade de mensagens enviadas por milhares de bots, geralmente organizados em redes, é possível emplacar deliberadamente certos temas. Esse fenômeno, denominado bot effect, alcança teoricamente uma grande dimensão. “Teoricamente”, pois, como admite Hegelich em sua tese elaborada para a Fundação Konrad Adenauer e publicada em setembro de 2016, efeitos desse tipo são muito difíceis de comprovar empiricamente.

Políticos e empresas de mídia na Alemanha levam a influência em potencial dos social bots muito a sério. No dia 24 de setembro de 2017 será eleito um novo Parlamento. Tendo em vista a campanha eleitoral do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), marcada pela provocação e pela simplificação, muitos políticos estão preocupados com a possibilidade de que os social bots confiram ainda mais força a essa estratégia. Segundo a tese publicada pela Secretaria do Parlamento Alemão para Avaliação dos Efeitos da Tecnologia (TAB, na sigla original), os bots têm potencial de influenciar o resultado de processos de decisão política. Em casos extremos, até de comprometer a confiança na democracia.

BOTS NA CAMPANHA ELEITORAL

Na Alemanha, a utilização de bots não é proibida, mas vem sendo discutida a necessidade de identificá-los. No entanto, todos os partidos, inclusive a Alternativa para a Alemanha (AfD), colocam-se, por motivos éticos, contra o uso desses programas durante a campanha eleitoral. O ministro do Interior, Thomas de Maizière, também já se pronunciou sobre o assunto. “Vou pleitear para que, na Alemanha, todos os partidos que participarem da próxima eleição para o Parlamento declarem publicamente que não vão recorrer a esse tipo de ação”, declarou de Maizière em entrevista coletiva sobre o tema segurança cibernética em novembro de 2016.

Apesar disso, pode ser que os social bots assumam um papel importante na campanha eleitoral alemã. Segundo matérias publicadas pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung em fevereiro de 2017, as redes de bots já difundem conteúdos populistas de direita no Twitter e no Facebook. Isso não quer dizer, segundo o jornal, que a AfD, como partido, seja a operadora dessas redes, mas que ela tira proveito disso. Para verificar como o fenômeno social bots é avaliado, o Parlamento Alemão os convidou especialistas para uma discussão em janeiro de 2017. O interessante é que a maioria dos convidados alegou não haver motivo para pânico. Linus Neumann, membro da associação de hackers Chaos Computer Club, declarou até estar admirado com a quantidade de atenção que a política e a mídia estão dando aos social bots, como relata o portal Netzpolitik.org: em sua opinião, o problema não são os bots, mas a perda de confiança dos cidadãos na política e na mídia. Os bots podem até ser capazes de reforçar tendências xenófobas, afirma, mas isso pode ser negligenciado, diante do baixo número de usuários do Twitter na Alemanha. Neumann não vê razão para o temor de manipulação das eleições.

OTIMIZAÇÃO DE ACORDO COM O NÚMERO DE CLIQUES

Outro aspecto importante na discussão sobre os social bots na Alemanha são os mecanismos em que se fundamentam as grandes plataformas de mídia social. Cada vez mais pessoas usam o Facebook como fonte de notícias. Ali, a seriedade jornalística dos conteúdos apresentados desempenha até agora um papel secundário; o critério principal para a relevância dos conteúdos é o número de cliques. Hoje, o próprio Facebook já admite que tal constelação pode favorecer tendências manipulativas, e anunciou que pretende cooperar com empresas alemãs de mídia. Elas ajudariam o Facebook, por exemplo, a rastrear notícias obviamente falsas, as chamadas fake news – tipo de conteúdo que costuma ser difundido de preferência pelos social bots.

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