Blog da Berlinale 2017
Cinema e outras artes
“Pendular” e “Vênus – Filó a fadinha lésbica”, filmes exibidos na Mostra Panorama, trabalham na intersecção entre dança, escultura e poesia.
Em Pendular, filme dirigido por Julia Murat, as relações entre o cinema e outras artes são exploradas na tela através da própria temática do filme. A narrativa é dividida em quatro partes, refletindo os estágios do relacionamento entre um escultor e uma bailarina. Os dois se mudam para um galpão industrial abandonado, onde, além de morar, eles têm o ateliê dividido por uma fita alaranjada grudada no chão. Essa marca no chão, que vai sendo mexida, reflete sobre a ocupação do espaço físico, além de funcionar como uma metáfora da ocupação do espaço íntimo dos personagens. O filme trabalha com uma tensão física e emocional durante o desenrolar da história, expressa tanto no desenvolvimento do trabalho dos protagonistas, quanto nas cenas de sexo, cuja intensidade varia de acordo com os quatro capítulos da história. A materialidade dos corpos e das esculturas é explorada em planos fechados, nos quais os olhos do espectador praticamente tocam as superfícies em quadro. Pendular tem no elenco os artistas Neto Machado e Jorge Alencar, que fazem parte do Dimenti, coletivo residente do programa Vila Sul do Goethe-Institut Salvador.
Vênus – Filó a fadinha lésbica é um curta-metragem de animação 2D baseado na poesia homônima de Hilda Hilst. Com direção de Sávio Leite, o curta erótico explora o desejo e as fantasias sexuais dos cidadãos de um vilarejo (a Vila do Troço), que fazem fila para se encontrar com Filó. O curta explora a ideia de identidades sexuais, ao apresentar como protagonista uma fada lésbica, que à noite vira “fera” e também tem um falo, deixando uma estrela em todos que toca. A técnica de animação 2D, com desenhos em traços simples, e cenários em cores quentes, contribuem para a atmosfera de imaginação evocada pelo curta.