Blog da Berlinale 2020
Quo vadis, Berlinale?

Foto: Eibner / Juergen Biniasch
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Sem Dieter Kosslick, mas com Mariette Rissenbeek e Carlo Chatrian: Você pode sentir o “ar de mudança” com a nova direção do Festival Internacional de Cinema de Berlim? E, se sim, como ele se manifesta?

Gabriele Magro
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Gabriele Magro - Itália: Esta é minha primeira Berlinale, então é para mim difícil compará-la às edições anteriores. No entanto, posso afirmar duas coisas com segurança: que a atmosfera aqui é cheia de energia e que estou feliz em ver tantas pessoas italianas envolvidas no festival, desde a equipe até muitos cineastas, todos estão mostrando seu trabalho em Berlim.

Ieva Šukytė
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Ieva Sukyte - Lituânia: 
A principal mudança no festival deste ano é uma nova seção de competição, Encounters. Mas, com um total de 350 filmes, incluindo os curtas, é difícil ficar a par de todas as mudanças. A perda de um dos mais importantes cinemas da Berlinale, o Cinestar, no Sony Centre, fez com que fosse mais difícil que as pessoas da indústria e da imprensa conseguissem assistir a filmes dos programas paralelos. Mas este é o primeiro ano do novo diretor e da nova diretora e você pode ver como estão se movendo na direção certa, uma vez que os filmes da competição foram mais fortes neste ano do que nas edições anteriores.
 
Erick Estrada
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Erick Estrada - México:
 Não há dúvida de que a Berlinale, Berlim e o mundo estão mudando. O ano passado foi o meu primeiro no Festival e, sim, você pode perceber um ponto de vista diferente na Berlinale. Não tenho certeza se posso explicar isso corretamente, mas a sensação é de que há novas vozes e novas luzes nas histórias antigas que os filmes sempre nos trazem. Resumindo: novas cores nas mesmas velhas (e boas) histórias.
 
Sarah Ward
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Sarah Ward  - Austrália:
 Num evento do tamanho e da escala da Berlinale, a mudança não acontece apenas com duas novas pessoas na direção, especialmente num ano em que se comemora a longevidade, o legado e a história do festival, por ocasião de seu 70º aniversário. Mais do que um salto considerável em si, a Berlinale de 2020 parece antes ser uma espécie de precursora de uma mudança futura – apesar da edição da nova seção competitiva Encounters. Dito isso, o novo diretor artístico Carlo Chatrian é claramente diferente do antigo diretor Dieter Kosslick, demonstrando diferentes gostos, interesses e prioridades.
 
Javier H. Estrada
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Javier H. Estrada - Espanha: 
Tenho frequentado a Berlinale nos últimos 15 anos e posso honestamente dizer que esta edição foi a mais interessante, a que mais provocou reflexões e a mais estimulante. Na competição oficial, havia obras incríveis, como DAU.Natasha, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel, uma obra crucial na seção, que não acredito que houvesse sido selecionada nos anos anteriores. A seção Encounters também ofereceu uma chance para a descoberta de algumas das obras mais arriscadas e audaciosas do cinema contemporâneo.

Yun-hua Chen
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Yun-hua Chen - China: 
Gosto do fato de que o programa deste ano foi mais compacto e de se poder perceber sua abordagem cinéfila. Além disso, os diálogos da programação On Transmission trouxeram um ângulo inspirador ao festival. Mesmo que a fronteira entre a competição e a seção Encounters ainda não esteja clara, é estimulante observar a intercambialidade de certos filmes entre as categorias. Na verdade, o filme mais arrebatador que vi este ano fazia parte da nova seção, Encounters: The Trouble of Being Born. Com algum pesar, senti falta do urso da Berlinale, que não estava mais no design do cartaz.
 
Egor Moskvitin
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Egor Moskvitin - Rússia: 
Esta é apenas minha terceira Berlinale até agora, então temo não poder avaliá-la com tanta competência. Mas me parece que a nova equipe de programação permanece leal aos princípios, à estrutura e à lógica dos festivais anteriores. Os filmes selecionados para a competição principal continuaram focados na exploração da complexidade de nosso mundo a partir da perspectiva de artistas com históricos culturais e nacionais diferentes. Ainda há alguns filmes atemporais (First Cow e Days) que não remetem ao espírito da época ou a conflitos atuais, mas à própria essência da natureza humana. E ainda há filmes que funcionam como “agents provocateurs”, selecionados para encorajar o público do festival a discutir o que é o mais importante quando contamos histórias: a ética ou a estética? Então parece que a Berlinale continua seguindo o curso que escolheu e que precisaremos de mais tempo para sentir as mudanças.
 
Anjana Singh
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Anjana Singh - Índia:
 Não senti nenhum “ar de mudança” devido à mudança da diretoria neste ano! A seleção da programação foi muito boa. O Festival em si estava tão bem organizado quanto na época de Dieter Kosslick. Apenas o aplicativo da Berlinale foi cancelado, infelizmente.

Andrea D'Addio
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Andrea D’Addio - Itália: 
Esta é minha 13ª Berlinale. Não vejo uma ruptura em relação às edições anteriores, me parece que uma continuidade está emergindo entre a nova e a antiga diretoria artística. Acho que é preciso mais tempo para ver os frutos deste “ar de mudança”, e só posso notar que há menos filmes que antes. E há mais tempo para conversar sobre os filmes com colegas e espectadores, o que é uma boa coisa.
 
Hyunjin Park
Foto: © arquivo pessoal.
Hyunjin Park - Coreia: 
É positivo o fato de as seções estarem organizadas claramente este ano. Também gostaria de reconhecer os esforços da nova diretora e do novo diretor para trazer aspectos de sustentabilidade e diversidade ao Festival. Em particular, acho que houve um progresso importante em termos de equidade de gêneros. Quero aplaudir estes esforços, uma vez que este é o primeiro ano da mudança executiva.
 
Philipp Bühler
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Philipp Bühler - Alemanha: 
O sol de Locarno ainda não está brilhando na Potsdamer Platz, até agora a mudança da liderança só se manifestou num programa mais enxuto. No que diz respeito à competição, com Berlin Alexanderplatz, DAU.Natasha, filmes de Christian Petzold, Abel Ferrara e Sally Potter – provavelmente o antigo diretor do Festival Dieter Kosslick não teria deixado nenhum destes filmes de fora. Acho que as mudanças mais importantes ocorrerão nos próximos anos, em negociações complicadas com as outras seções. A interessante competição Encounters já é um primeiro sinal.

Camila Gonzatto
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Camila Gonzatto - Brasil: A Berlinale está, sim, de cara nova. Uma nova curadoria sempre traz um novo olhar. Isso traz novos ares, embora a nova divisão entre as seções ainda seja um pouco confusa. As mudanças também acontecem para além das telas. Com exibições mais espalhadas pela cidade, há menos concentração de espectadores na Potsdamer Platz. A sensação de estar circulando entre o público de um festival acaba, assim, se perdendo um pouco.


Jutta Brendemühl
Foto (detalhe): © Goethe-Institut
Jutta Brendemühl - Canadá: “O festival não precisa de mudanças drásticas”, afirmou Chatrian antes da 70ª Berlinale. Mas houve, sim, algumas, voluntárias e involuntárias: liderança dupla, nova equipe, 15% menos filmes. Cortes: muitas entrevistas coletivas, duas seções. Novidade: uma segunda competição, como em Cannes e Veneza. Por fim, a seleção de filmes não foi tão consistentemente “arthouse” como se esperava, infelizmente menos filmes indígenas do que o esperado. “Plus ça change”, mas um festival somente ainda não constitui uma era. Parabéns, Mariette e Carlo, pela audácia!
 

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