BLOG DA BERLINALE 2018
BOOM DE SÉRIES NA BERLINALE?

Ondes de choc – Journal de ma tête | Shock Waves – Diary of My Mind
Ondes de choc – Journal de ma tête | Shock Waves – Diary of My Mind | Foto: Jeanne Lapoirie © Bande à part Films

Será que o impacto do boom de séries dos últimos anos também chega à Berlinale, como, por exemplo, na escolha de temas ou na forma de representar? Os jornalistas e críticos do Blog da Berlinale respondem.

Philipp Bühler
Philipp Bühler – Germany: Há oito anos, a série policial de Dominik Graf Im Angesicht des Verbrechens (In Face of the Crime) era o destaque da Berlinale. Na televisão, depois, ninguém mais quis assisti-la. Este ano, pode ser que isso aconteça com Ondes de choc (Schock Waves), coprodução da emissora de televisão Arte, na qual as atuações de Kacey Mottet Klein e Fanny Ardant são realmente dignas de grandes filmes. Mas isso deve continuar sendo só um experimento. Nada de boom, por favor!


Camila Gonzatto
Camila Gonzatto – Brasil:
 O boom das séries reflete-se principalmente no European Film Market, que, desde 2015, aposta no CoPro Series. Nos filmes, a linguagem das séries ainda não está tão evidente, com algumas exceções, como por exemplo Isle of Dogs, de Wes Anderson, que tem uma estrutura episódica. O que também se percebe nos últimos anos é uma incorporação de outras linguagens nos filmes, como a dos games, criando narrativas com formas mistas.
 


Ahmed Shawky
Ahmed Shawky – Egypt:
 A tendência que mais muda o panorama cinematográfico atualmente é a oferta de novos serviços de streaming, como o Netflix, entre outros. As novas dinâmicas geradas por essas mídias melhoraram sensivelmente a qualidade das séries produzidas e também levaram vários grandes nomes da indústria cinematográfica a produzir séries para a televisão. Com todo esse processo, o setor está em fase de transformações. Sendo assim, a Berlinale não tem como ignorar as séries.


Sarah Ward
Sarah Ward – Australia:
 A discussão sobre uma possível ameaça da televisão com relação ao cinema já se tornou supérflua há muito tempo. Há, nas duas mídias, bastante espaço para histórias novas, emocionantes e inovadoras. Elas podem existir paralelamente. Ou podem se unir numa nova forma original, como, por exemplo, em Twin Peaks – The Return. O crescente reconhecimento da televisão na Berlinale é um símbolo dessa relação sinergética, mesmo que, em termos de filmes australianos, este ano haja mais produções de TV do que filmes na programação, como as séries para a TV  Picnic At Hanging Rock (um remake do filme de mesmo nome), Romper Stomper e a nova Safe Harbour.

Yun-Hua-Chen
Yun-hua Chen – China:
 Sim, muitos diretores famosos já fizeram séries para a TV também, dos Irmãos Coen (The Ballad Of Buster Scruggs) até Michael Haneke (Kelvin‘s Book). Mas, no momento, trata-se menos de uma competição acirrada entre televisão e cinema, e mais do fato de a fronteira entre as duas mídias estar progressivamente desaparecendo. Tanto faz se em Berlim, Los Angeles ou Pequim, o intercâmbio entre televisão e cinema nas áreas de elenco, equipe, financiamento e público está avançando. Não precisamos necessariamente nos preocupar com isso, mas, de qualquer forma, há um desafio: achar uma resposta para a questão “O que é um filme?”.

Gerasimos Bekas
Gerasimos Bekas – Greece:
 O interessante no boom das séries é a transferência de saber do cinema para as pequenas produções, acarretada por ele. Alguns dos cineastas com quem conversei já trabalham paralelamente com o formato série. Isso não se reflete tanto na escolha de temas, mas na fusão dos formatos e das abordagens.




Jutta Brendenmühl
Jutta Brendemühl – Canada:
No Festival Internacional de Cinema de Toronto, o nome é Primetime; na Berlinale, é Berlinale Series: o evento revolucionário já acontece há quatro anos. Damon D'Oliveira (Book Of Negroes), um dos dez produtores de maior sucesso no Canadá, está novamente no Berlinale Market, especialmente ativo no encontro Drama Series Days do European Film Market. Questionado a respeito das mais novas tendências, D’Oliveira revela: “Quase ninguém quer mais ver histórias sombrias, em que mulheres mortas e mutiladas são examinadas detalhadamente. Mas a era Trump parece evocar uma tendência a distopias, como The Handmaid’s Tail (O conto da aia). Além disso, atualmente há muita demanda por séries bem feitas sobre famílias e relacionamentos a dois”.

Grace Barber-Plentie © Foto: © privat Grace Barber-Plentie Foto: © privat
Grace Barber-Plentie – Great Britain: Há realmente muitas séries de TV no programa da Berlinale, mas ainda não vi nenhuma delas. Também não acredito que o boom da televisão tenha realmente chegado à Berlinale. Mas, depois que o festival acabar, vai ser bem interessante ver que filmes serão transmitidos via Netflix, pois as fronteiras entre o cinema e a televisão estão desaparecendo cada vez mais.
 

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