Em meio a uma pandemia de proporções globais, como criar formas de trabalho artístico que, a despeito das distâncias, permitam o intercâmbio criativo e novas estéticas? Essa foi a questão da iniciativa Processos Criativos a Distância, que fomentou trocas a distância entre artistas da América do Sul, com oito projetos no tema. Confira-os agora!
#01 | Dançaremos a distância
Países: Brasil, Alemanha
Equipe do projeto
O projeto investigou a distância e a ausência do outro como condição do encontro no processo criativo da dança. Dessa forma, os artistas se colocaram a questão: se dançamos ao mesmo tempo sobre dois pontos do globo, por que não estaríamos dançando, ainda que a distância, no mesmo espaço? Para explorar a problemática, eles cumpriram, a distância, um programa de tarefas ao longo do projeto. Na página do Instagram do projeto, deixaram pílulas do caminho. No minidocumentário acima, resumem a experiência.
Murillo Basso, Anita Twarowska, Luciana Botelho, Ian Iordanu
Países: Venezuela, Panamá, Peru, Argentina, Equador, Colômbia, Espanha, Chile
Voz en Tránsito consistiu em um espaço virtual que refletiu sobre a ideia de escuta ampliada. Teve suas bases conceituais nas artes visuais e na psicologia e fez uso de mesas de trabalho por meio de WhatsApp e reuniões virtuais. Entre as propostas finais estava o desenvolvimento de uma plataforma para hospedar intercâmbios experimentais. Também foi feito um filme de produção coletiva e em breve uma série de peças sonoras que serão transformadas em podcast. O projeto prepara sua próxima chamada e propõe ações públicas em seu site e Instagram.
Atuando em apoio com rádios locais, o projeto compilou histórias de vida, que deram resultado a uma grande narrativa. Utilizaram, para tanto, redes sociais e as rádios locais comunitárias e mantiveram um diário de viagem, em papel e multimídia, com entrevistas gravadas, histórias, registros gráficos e paisagens sonoras. O relato final da experiência pode ser consultado no site do projeto (clique em Saber mais).
Cecilia Bustince, Catalina Figini, Inno Sorsy, Angela Emlise Mansilla, FM Sur 97.3
O projeto investigou o lugar da ficção em um mundo dominado por fake news, teorias da conspiração e outros fenômenos sociais contemporâneos. Seu objetivo final foi criar um website interativo e uma performance relacional. O principal enfoque esteve no intercâmbio de metodologias de criação entre as companhias latino-americanas Opcional e A Ursa de Araque, que têm na distância a condição central de seus trabalhos e se interessam pela articulação entre documento e ficção na cena teatral.
Vinicius Coelho, André Felipe, Ana Luiza Fortes, Aristeo Mora
Países: Paraguai, Bolívia, Suíça, Argentina, Inglaterra, México, Brasil, Chile, Venezuela
Equipe do projeto
Rastrums realizou o vínculo entre criadores do mundo, promovendo o intercâmbio de pensamento. Nesse sentido, os artistas construíram narrativas audiovisuais coletivamente. A documentação se deu por gravação e anotações de reuniões de trabalho via Zoom, blog de ideias, esboços, textos e WhatsApp. Ao final, os trabalhos finalizados foram publicados no Instagram e no Facebook.
COLLAGE 3+8 consistiu em projeto de colagem artística e experimental de três artistas, por meio de interferências que se deram em oito trocas remotas. O grupo usou Instagram, Zoom, registros de tela e site para divulgar e documentar o processo criativo. Ao final, as obras geradas foram colocadas à venda na Internet, com lucro revertido para instituições sociais dos dois países, e o processo criativo virou um minidocumentário.
Diego Prosen, Juanito Jaureguiberry, Pat Cividanes
O projeto retoma a façanha contada por Werner Herzog em “From Walking on Ice”, quando o autor viajou 900 km para se encontrar com a crítica Lotte Eisner. Com base nisso, os participantes fizeram uma simulação virtual de viagem a pé, de quase 1.500 km, entre Argentina e Chile. Para tanto, utilizaram um site com mapa, no qual avançaram até chegarem a um ponto equidistante aos dois. A experiência foi narrada em blog, com o objetivo de que pudéssemos vivenciar viajens em que realidade e ficção se alimentam.
A proposta promoveu o intercâmbio entre artistas a partir da intersecção entre design colaborativo, gamificação e ambientes virtuais livres de hierarquias e limitações espaciais ou físicas, utilizando o ambiente do Minecraft. O objetivo foi pensar propostas que ajudem a pensar cidades inclusivas, seguras e resilientes - em linha com o ODS11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis.
Fabián Barros, Déborah Szwedzki, Universidad ORT Uruguay