Inclusão no ensino e na aprendizagem
Inclusão de gênero na linguagem usada no ensino do alemão como língua estrangeira
As línguas e também o aprendizado de línguas estão intimamente ligados à identidade. Já nos estágios iniciais os/as alunos/as falam sobre si mesmos/as, suas experiências e suas relações com outras pessoas. Como podemos ajudar nossos alunos/as a expressar identidades de gênero extrapolando a bipolaridade masculino-feminino?
Por que precisamos de uma linguagem inclusiva de gênero no ensino de língua alemã?
Não são todos os alunos/as nos cursos de língua que se identificam com as categorias binárias “masculino” e “feminino”. A classificação social de gênero dos seres humanos deve, na verdade, ser compreendida como um espectro amplo. Mas como expressar este espectro no alemão? Fora do âmbito das normas oficiais da língua alemã, há muitas possibilidades de usar a língua com inclusão de gêneros. O/a o/a professor/a/a pode, no decorrer das aulas, contribuir para a sensibilização em relação a uma línguagem inclusiva de gênero chamando a atenção dos alunos/as para ela.Tornar visíveis identidades de gênero
Ao aprender uma língua é preciso utilizar substantivos que se referem a pessoas. Nesse contexto, a língua alemã segue a divisão binária tradicional, em masculino e feminino, de compreender os gêneros. Mas há algum tempo, ela oferece também algumas possibilidades de tornar visível um largo espectro de identidades de gênero. Novas alternativas de grafia foram criadas na tentativa de substituir o genérico masculino. Mas essa nova forma também só consegue representar um constructo binário. Duas alternativas mais inclusivas são a lacuna de gênero (gender-gap) (Herrmann 2003) (Student_in) e o asterisco (Student*in). A lacuna e o asterisco representam o espectro das identidades de gênero. Na aula, podemos tornar as tarefas mais inclusivas em relação às identidades de gênero. Outra alternativa são fotos, para comunicar a inclusão de forma visual. Para isso existem bancos de dados com imagens incríveis, como por exemplo o “Disabled And Here Collection” ou “The Gender Spectrum Collection”
Utilização de alternativas neutras quanto ao gênero
O asterisco o e gender-gap tornam mais fácil criar variantes gênero-inclusivas de substantivos, por exemplo o substantivo masculino “Freund” e o substantivo feminino “Freundin” transformam-se em “Freund*in”. Mas tanto para os/as alunos/as quanto para os/as o/a professor/aes/as surgem daí certos desafios, porque às vezes perdem-se informações gramaticais. Se escrevermos "Ich sehe eine*n Köch*in", não fica claro para o o/a aluno/a que a forma do masculino singular é "Koch", e não "Köch". O problema pode ser contornado ensinando-se formas neutras do ponto de vista do gênero, como "estudante", ou "o/a aluno/a". Não há, para um substantivo, no uso corrente da língua, uma alternativa neutra quanto ao gênero,? Nesse caso, mostre aos seus o/a aluno/as como eles podem evitar construções binárias, por meio do uso criativo da língua: simplesmente transformar "der*die Teilnehmer" (o participante) em "die teilnehmende Person", "a pessoa que participa" , ou "der*die Chef*in" , "o/a chefe" em "die Führungskraft", "a pessoa que lidera".Utilização em sala de aula
Os o/a aluno/as recebem uma lista de 3-4 substantivos (por exemplo der*die Sänger*in; der*die Arbeiter*in; der*die Fernsterreiniger*in). Eles devem transformar estes substantivos com asterisco em formas neutras do ponto de vista de gênero. Por exemplo "der*die Sänger*in" se transforma em "die singende Person", "a pessoa que canta", ou "der*die Fensterreiniger*in" se transforma em "die Fensterreinigungskraft", "a pessoa que limpa janelas". Nos estágios iniciais também se pode dar uma tarefa de pesquisa, onde os/as alunos/as buscam alternativas neutras de gênero para uma lista de substantivos, por exemplo no site https://geschicktgendern.de.
Inclusão de gênero além dos substantivos
O ensino inclusivo de gênero naturalmente não se restringe aos substantivos. Frequentemente se usa também o pronome pessoal xier, que surgiu na comunidade trans alemã. Há explicações detalhadas sobre o uso desses pronomes no site de Anna Heger. Da mesma forma que no caso dos substantivos, o mais importante é criar nos/nas alunos/as uma consciência para estes pronomes. Isso não quer dizer que seja necessário introduzi-los e discuti-los detalhadamente. O tema da escolha de pronomes pode, por exemplo, ser tematizado numa rodada de apresentação, fazendo-se a pergunta "Qual é o seu pronome?" Assim, inclusão de gênero se tornaparte do uso ativo da língua. Quando os/as alunos/as encontram regularmente tanto pronomes quanto substantivos, no contexto de uso normal da língua, seu uso se normaliza, o que contribui em muito para a inclusão de pessoas não-binárias.
Mas nada disso está no dicionário "Duden"!
O uso inclusivo de gênero da língua está intimamente relacionado a discussões mais amplas sobre o tema da identidade de gênenero e de sexo. Os/as professores/as de alemão que lecionam em diferentes contextos culturais, têm que encontrar uma forma de harmonização entre as condições locais e discursos culturais sobre o tema do gênero e a apresentação de uma imagem moderna e inclusiva da Alemanha. Muitas dessas estruturas linguísticas ainda não estão registradas oficialmente no dicionário Duden. Uma das nossas tarefas mais importantes como professor/a, entretanto, é criar uma atmosfera de aprendizagem onde todos os/as alunos/as se sintam representados/as. E ensinar formas linguísticas de expressão das diversas identidades de gênero, é uma parte importante dessa inclusão.Referências bibliográficas
- Herrmann, Steffen (2003): Performing the Gap – Queere Gestalten und geschlechtliche Aneignung. Arranca! Ausgabe 28, November, S. 22 - 26.
- Djavadghazaryans, Angineh. ’Please Don’t Gender Me!’ Strategies for Inclusive Language Instruction in a Gender-Diverse Campus Community.” Diversity and Decolonization in German Studies. Hrsg. Regine Criser and Ervin Malakaj. New York: Palgrave, 2020. 269–287.