Alemão como língua estrangeira no ensino superior
Alemão como motor da internacionalização
Quem pensa de modo global fala inglês? Não necessariamente! Aprender uma língua estrangeira, como alemão, também facilita o acesso de estudantes a culturas e mercados de trabalho.
Cooperações de pesquisa, programas de intercâmbio, treinamentos de competências interculturais - desde a universidade de grande porte até a escola técnica superior familiar, provavelmente não há “alma mater” por aqui que não aproveite a sua rede de contatos globais como cartão de visita para divulgar a sua qualidade de pesquisa e educação. Internacionalidade é considerada a chave para a inovação. Por isso, escolas alemãs de ensino superior fazem campanha para o intercâmbio de estudantes, cientistas e funcionários administrativos. Elas cultivam o contato com seus ex-alunos internacionais e voltam o seu olhar para além das fronteiras do próprio país ao estruturar os seus currículos.
Economia forte, ciência forte
Neste âmbito, as escolas alemãs de ensino superior focam em parceiros científicos bem estabelecidos em países economicamente atraentes. Estes, por sua vez, têm objetivos semelhantes e atuam com estratégias idênticas. “Especialmente países anglo-saxônicos como os EUA, a Grã-Bretanha e Austrália são bastante visados. Mas também a Alemanha está se tornando gradualmente mais atraente nos últimos anos”, ressalta Ulrich Ammon, professor de Linguística Germanística, na universidade Duisburg-Essen. Segundo ele, sucesso econômico seria correlacionado a qualidade científica, de modo que engenheiros alemães, por exemplo, têm alto prestígio.Também nas instituições de ensino superior alemãs, em países não falantes de alemão, o contato com a Alemanha, apesar de muitas vezes ser feito na língua de trabalho inglês, valoriza os conhecimentos prévios de domínio da língua e o interesse em aprender alemão, favorecendo a implementação de cursos em alemão. “Na Hungria, existe uma minoria relativamente grande que fala alemão como língua materna e tem longa tradição na aprendizagem de alemão como língua estrangeira. Esse foi um motivo importante para a criação da Universidade de Budapeste de língua alemã. E o estabelecimento de universidades e cursos alemães nas cidades do Cairo e em Amã, certamente também foi condicionado pelo fato de haver alta demanda pelo domínio da língua alemã nessas regiões, pois cada vez mais pessoas acreditam que isso lhes proporcione vantagens nos estudos e na profissão”, segundo Ulrich Ammon. O interesse pela língua alemã ainda é reforçado, quando publicações em alemão são disponibilizadas ou quando são oferecidos intercâmbios em instituições alemãs de ensino superior parceiras no exterior.
“Inglês não basta”
Principalmente nas publicações técnicas e de ciências naturais o inglês era visto como sinal de orientação internacional. Atualmente, porém, é possível observar uma tendência oposta: Para assegurar a empregabilidade internacional de estudantes, instituições estrangeiras de ensino superior oferecem aulas de alemão técnico, mesmo em cursos que não tinham partes em alemão. No exterior não falante de alemão, há cursos superiores em alemão em diferentes áreas, desde gestão agrária até tecnologia ambiental e de ciências jurídicas a informática. No caso dos cursos superiores com conclusão dupla ou múltipla, a comunicação cotidiana e científica, muitas vezes, ocorre em duas ou mais línguas.O estudo Alemão como língua estrangeira no mundo todo publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, do ano 2015, concluiu que “em muitas regiões o interesse pela germanística tradicional está caindo, a demanda por alemão nos contextos técnicos e profissionais, porém, está aumentando”. Isso se aplica, principalmente, a países que consideram a Alemanha um centro econômico, que têm relações acadêmicas com a Alemanha ou oferecem oportunidades de formações especiais relacionadas à Alemanha. Para Annegret Middeke, diretora do Fachverband Deutsch als Fremd- und Zweitsprache (Associação Profissional de alemão como Língua Estrangeira e Segunda Língua), este fato mostra que a internacionalização verdadeira deve ser muito mais do que uma anglicização: “Talvez já estamos tão avançados no século 21 que saibamos: Só inglês não basta. Em vez disso, línguas, como a alemã, estão sendo valorizadas, especialmente, porque aumentam as chances no mercado de trabalho.”
Línguas estrangeiras promovem novos formatos de ensino
Annegret Middeke também está convicta de que a aula de alemão como língua estrangeira pode desenvolver a competência intercultural dos alunos e dar impulsos para o trabalho com formatos de ensino inovadores: “Na aula de língua estrangeira voltada para a comunicação e a ação, é importante usar materiais autênticos como dicionários digitais e aplicativos educacionais. Neste campo, as formas de trabalho colaborativo são muito usuais. “Mesmo que o ensino de alemão como língua estrangeira acontece relativamente isolado, os alunos podem aplicar técnicas de aprendizagem que aprenderam ali em outras disciplinas. Estudando alemão como língua estrangeira, estes formatos de aprendizagem também podem ser usados diretamente em disciplinas, nas quais ainda se estuda memorizando conteúdo de livros. O ideal seria que esta transferência de estratégias de aprendizagem das aulas de língua estrangeira para outras disciplinas fosse acompanhada por orientadores - por exemplo, através da didática do ensino superior ou num centro de línguas.Quem sabe, então até os departamentos de alemão, que não recebem muita atenção, aproveitarão a internacionalização como elemento central para o seu desenvolvimento de perfil institucional, tornando-se o motor de uma reforma do ensino superior urgentemente necessária. Organizações alemãs mediadoras podem desempenhar um papel fundamental neste contexto. Um exemplo disso é a rede da série DLL que foi desenvolvida pela cooperação de instituições líderes de ensino superior russas e do Goethe-Institut, a fim de modernizar a formação de futuros professores de alemão. DLL significa “Deutsch lehren lernen” (Aprender a ensinar alemão) e é um programa do Goethe-Institut. Cada Instituição de ensino superior que participa desenvolve um programa de suporte para um módulo e disponibiliza um(a) docente tutor que assessora on-line os estudantes de graduação da Licenciatura de alemão como língua estrangeira de todas as universidades.
Com a integração das unidades DLL no programa curricular, as instituições de ensino superior podem implementar a formação de Licenciatura de alemão como língua estrangeira ao patamar mais moderno e promover uma mobilização virtual de estudantes e professores. O Goethe-Institut é parceiro de direitos iguais nesta rede, disponibiliza materiais didáticos internacionalmente reconhecidos e une as universidades aos parceiros. “A cooperação com o Goethe-Institut é vista como grande chance de internacionalização pelas instituições de ensino superior”, segundo a professora Svetlana Tachtarowa, da Universidade Kasan. Um próximo passo seria a integração de parceiros estrangeiros.