Dica prática
Declarar o objetivo como caminho: Ensino pluricêntrico de conhecimentos gerais na aula de alemão (DaF)
Moin, Servus ou Grüezi? Möhren, Karotten ou Rüebl? O que é correto: die ou das Mail? Todos estes termos e formas são corretos e mostram quão heterogêneo é o espaço geográfico onde se fala alemão, tanto em termos linguísticos quanto culturais – e essa realidade também deveria se refletir nas aulas de alemão como língua estrangeira. Mas como colocar isso em prática?
O Princípio DACH
Estudos de conhecimentos gerais sobre um país e aprendizagem intercultural fazem parte da aula de alemão como língua estrangeira, pois são parte integrante do ensino de línguas estrangeiras. Porém, o termo “Landeskunde” (estudos ou ensino de conhecimentos gerais de um país ou de uma região) é complexo e tem diferentes abordagens. E em relação ao alemão ainda existe uma particularidade adicional a ser considerada – o pluricentrismo: uma língua “falada em ao menos dois países onde tem o status oficial de língua nacional, segunda língua nacional ou língua regional com normas próprias [...]” é denominada como ‘língua pluricêntrica’. (Shafer, et al., 2020 pág. 118). Alemanha, Áustria e Suíça são considerados os três centros integrais da língua alemã, mas também em Liechtenstein, Luxemburgo, no leste da Bélgica e no sul do Tirol, alemão é a língua oficial ou uma das línguas oficiais. A partir daí se pode deduzir que existe o estudo de conhecimentos gerais pluricêntrico que deveria ser integrado nas aulas.O Princípio DACH foi desenvolvido em 2008 para reforçar este objetivo. DACH é o acrônimo para Alemanha (D) – Áustria (A) – Suíça (CH) e representa o reconhecimento do pluricentrismo do alemão e, portanto, do estudo pluricêntrico de conhecimentos gerais. No âmbito deste texto usaremos o termo ‘estudo de conhecimentos gerais pluricêntrico como sinônimo do Princípio DACH’.
Pesquisas mostram, no entanto, que nas aulas de alemão esse princípio muitas vezes é praticado sem convicção ou mesmo ignorado. Por que isso acontece? Um dos motivos certamente é que na formação de professoras e professores de alemão como língua estrangeira o pluricentrismo do alemão, e com ele o ensino de conhecimentos gerais dos diferentes países e regiões de língua alemã, recebe pouca atenção. A meu ver, outro motivo para a pouca aplicação do Princípio DACH nas aulas é que, frequentemente, ele é considerado o ‘objetivo’ e, tragicamente, esse modo de ver parece ser um fator muito mais impeditivo do que favorável para se alcançar esse objetivo. Em vez disso, proponho declarar o ‘objetivo’ como o caminho: a meta da aula de idiomas é alcançar uma tarefa-objetivo voltada para a ação, e a prática do Princípio DACH é um caminho possível para alcançar essa tarefa-objetivo. Como, então, é possível implementar esse princípio com sucesso?
Integrar o ensino pluricêntrico de conhecimentos gerais nas aulas
A base da aula é o planejamento de trás para frente. Este prevê que a primeira etapa do planejamento da aula seja a definição do objetivo global de aprendizagem que, por sua vez, deve ser voltado para a ação! O próximo passo é a definição dos objetivos parciais de aprendizagem, ou seja, as etapas intermediárias que são necessárias para se alcançar o objetivo global. Com base nesses objetivos parciais de aprendizagem se elabora e compõe as atividades e os materiais da aula. O procedimento através do qual o Princípio DACH deve, então, ser integrado na aula é bem simples. A partir da tarefa-objetivo, a professora/o professor se faz as duas perguntas seguintes:- Onde/Como os conhecimentos gerais estão presentes na tarefa-objetivo e/ou nos objetivos parciais de aprendizagem?
- Onde/De que maneira eu, como professor/a posso ampliar o ensino de conhecimentos gerais, contido na tarefa-objetivo e/ou nos objetivos parciais de aprendizagem, aplicando o Princípio DACH através de materiais didáticos?
A implementação do Princípio DACH já começa antes da aula em si. Na fase de aquecimento da aula, as alunas e os alunos têm a oportunidade de ‘imergir’ no alemão através de algumas perguntas de conversação. Essa fase de aquecimento já pode ser aproveitada para aplicar o Princípio DACH, por exemplo, com as seguintes perguntas:
- Quais cidades e lugares na Alemanha/Áustria/Suíça você já visitou?
- De quais você mais gostou e recomendaria para uma viagem?
- Quais cidades e lugares na Alemanha/Áustria/Suíça você gostaria de visitar?
IMPLEMENTAR O PRINCÍPIO DACH – EXEMPLOS PARA DIVERSOS NÍVEIS LINGUÍSTICOS
O primeiro exemplo é de um curso de A1. Nele é realizado um encontro com a seguinte tarefa-objetivo: No final da aula vocês irão às compras para comprar uma roupa nova. A compra será feita no site de uma loja de departamentos alemã. Uma sugestão é escolher lojas de departamentos de diferentes países. Inicialmente, essa tarefa de fato não parece muito inovadora, mas, olhando com mais atenção, a tarefa-objetivo abrange conhecimentos gerais adicionais: eles estão presentes no preço – e de duas formas: primeiro, no valor do preço e, segundo, na moeda (euro x franco suíço). A Suíça muitas vezes é considerada um país de preços elevados, mas será que é mesmo? Esse clichê será confirmado ou não através das compras on-line ‘na Suíça’? Para responder a essa questão basta complementar a tarefa-objetivo com um pequeno detalhe:- No final da aula vocês irão às compras para comprar uma roupa nova. Faça uma comparação de preços.
- Reúna ideias práticas de como se pode viver “mais verde”.
Inicialmente, também essa tarefa parece não conter muitos conhecimentos gerais sobre a região, mas olhando com mais atenção para os objetivos parciais de aprendizagem, rapidamente fica claro que existem, sim, informações gerais sobre o país que, por sua vez, possibilitam a aplicação do Princípio DACH. A separação de lixo (Müll-/ Abfalltrennung) certamente é semelhante, mas não igual nos diferentes países. Isso é muito apropriado para fazer comparações entre diferentes países/regiões DACH, por exemplo, através de gráficos que mostram o que é reciclado, como e quão bem.
Outra possibilidade especialmente boa para aplicação a partir do nível B2 é dar às alunas/aos alunos a tarefa de casa de lerem notícias em alemão, como preparação para a fase inicial da aula. Para isso, a/o docente indica alguns portais de notícias da região DACH, por exemplo, ARD/ZDF, ORF, SRF etc. Na fase de aquecimento da aula, as alunas e os alunos conversam sobre o que leram. Essa atividade naturalmente pode ser aplicada também nos níveis C1/C2.
O seguinte vale para cada nível linguístico: o objetivo da aula de idiomas é realizar uma tarefa-objetivo voltada para a ação com base no planejamento ‘de trás para frente’. O ensino pluricêntrico de conhecimentos gerais de um país ou de uma região, ou seja, o Princípio-DACH não é, portanto, o objetivo da aula de idiomas, mas é um caminho possível para alcançá-lo. Não se deve considerá-lo como tema separado a ser transmitido além dos conhecimentos linguísticos, mas sim, sempre como parte integrante da aula de idiomas.
Bibliografia:
Demmig, Silvia, Hägi, Sara und Schweiger, Hannes. 2013. DACH-Landeskunde. Theorie - Geschichte - Praxis. München: Iudicium, 2013.
Schweiger, Hannes, Hägi, Sarah und Döll, Marion. 2015. Landeskundliche und (kultur-)reflexive Konzepte. Impulse für die Praxis. Fremdsprache Deutsch 52. 2015, S. 3-10.
Shafer, Naomi, et al. 2020. Weitergedacht. Das DACH-Prinzip in der Praxis. Göttingen: Universitätsverlag, 2020.
Demmig, Silvia, Hägi, Sara und Schweiger, Hannes. 2013. DACH-Landeskunde. Theorie - Geschichte - Praxis. München: Iudicium, 2013.
Schweiger, Hannes, Hägi, Sarah und Döll, Marion. 2015. Landeskundliche und (kultur-)reflexive Konzepte. Impulse für die Praxis. Fremdsprache Deutsch 52. 2015, S. 3-10.
Shafer, Naomi, et al. 2020. Weitergedacht. Das DACH-Prinzip in der Praxis. Göttingen: Universitätsverlag, 2020.