Ace of Diamonds Streamings com coletivos de Salvador
Gravações produzidas para a Rádio CCTV de Berlim, apresentam-se três agentes culturais de Salvador: a revista independente “Gravidade”, o coletivo interdisciplinar de arte Casa Monxtra e o coletivo feminino de dancehall Punanny, que mostram, através de performances e discursos, suas estratégias para fortalecer coletivamente pessoas e posições feministas, negras e queer. As gravações foram realizadas com fundo de tela verde, que foi animada com material fornecido pelos artistas.
O filme celebra a visita da princesa Adedoyin Olosun, sacerdotisa de Osun em Osogbo, da Nigéria, ao Ilê Ayá Omin Axé Iyamassé, ou Gantois, em Salvador, em 16 de maio de 2018, dia do aniversário de Olosun. Realizado por Ana Hupe e Dr. Fantasma, com desenvolvimento manual de Melissa Dullius (Labor Berlin) e Ana Hupe e transferência de super 8mm para 4k de Pedro Maia (Korn Manufaktur).
Instalação audiovisual que reúne e compara diferentes formas de produção colaborativa de música em Salvador. A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) tem músicos entrevistados, com foco em cenas do processo musical que mostra o desenvolvimento de um conjunto e especificamente a sua linguagem estilística. Há também imagens nas praias da Barra, onde muitos diferentes grupos se reúnem para escutar música: ao utilizar caixas de som agudo, as várias peças fusionam para um único e alto tapete sonoro. A apropriação acústica do espaço público e a manutenção simultânea das vozes individuais leva a uma interação musical seguindo a sua própria ordem lógica – esta forma comum de produção de música pode ser entendida como uma orquestra, embora com uma estrutura mais caótica e idiossincrática.
O que acontece quando se combinam cartoon e street art de uma forma lúdica? Estranhas criaturas como macacos alucinógenos e postes de cimento falantes aparecem subitamente na cidade tropical. O resultado é um vídeo sequencial, que foi posteriormente musicado. Este projeto foi desenvolvido no âmbito da residência artística em Salvador com apoio da Kunststiftung Sachsen-Anhalt.
Isaac Julien Frantz Fanon – Black Skin, White Masks
Em 70 minutos, o documentário dramático reúne entrevistas, reconstruções e imagens de arquivo que contam a história da vida e da obra do altamente influente escritor anticolonialista Frantz Fanon, autor de “Black Skin, White Masks”. Fanon também foi aclamado por escrever “The Wretched of the Earth” e por sua atuação profissional como médico psiquiatra na Argélia durante sua guerra de independência com a França.
Espetáculo de teatro com encenação e texto de Aldri Anunciação, com cenografia de Jürgen Kirner ao lado de Erick Saboya, estreada em Salvador em 2016. A criação da cenografia foi uma atividade do residente Jürgen Kirner no Programa de Residência Artística Vila Sul. O espetáculo-solo é estrelado pela atriz baiana Iami Rebouças. Confinada na solidão abismal dos oceanos, uma mulher mora fantasticamente no fundo do mar. Através da coleta de marginalizados objetos-memória que caem da superfície dos mares, ela inicia um processo de reinvenção de identidade.
Produzido para a 4ª Berliner Herbstsalon, esta “filmitologia” retoma o ponto de partida do filme “Millis Erwachen/Millis Awakening”, também de Natasha A. Kelly, abrindo novas perspectivas narrativas sobre as realidades da vida das mulheres negras na Alemanha. O objetivo deste curta-metragem é quebrar hábitos visuais colonizados através de questões epistêmicas e descolonizar a estética europeia usando como exemplo o modelo Milli de Kirchner. Bio
Em 22 de março de 2019, Neo Muyanga foi atração do TOCA!, projeto musical realizado no Pátio do Goethe-Institut Salvador, realizado pela Dimenti Produções Culturais e o Inspire Music, em parceria com o próprio instituto e com o seu Haus Kaffee. O artista nascido em Soweto dividiu a noite com a banda baiana Afrocidade. Neo compõe óperas de câmara, peças e obras musicais para conjuntos grandes e mistos, empregando uma estética que faz referência aos modos tradicionais de música Basotho e Zulu, free jazz e música barroca ocidental. Atualmente, seus interesses de pesquisa e performance estão no estudo da estética da música de protesto em todo o sul global.
O filme documentário acompanha o surgimento e a ascensão do estilo musical Mahraganat Shaabi, saído dos bairros mais pobres e favelas da cidade do Cairo, capital do Egito, para o topo das paradas. O longa-metragem mostra como, há poucos anos, o Mahraganat Shaabi foi rejeitado pela mídia e considerado vulgar e obsceno pela alta sociedade. A despeito disso, e ainda que seu único meio de divulgação tenham sido a internet e shows de rua, esta música foi capaz de alcançar milhões de pessoas, redefinindo a ideia de underground.
Nascido no Bronx há mais de 30 anos, o hip hop é um dos ritmos predominantes no mundo. O filme “Buenos Aires Rap” mostra a influência do hip hop em Buenos Aires e Buenos Aires no hip hop. Essa apropriação não está isenta de conflitos: exclusão e moda; consumismo, religião e resistência; fascínio pelo negro. Um documentário coral onde emerge uma grande cidade de mestiçagem underground.
Como parte de uma residência com dez dançarinos de Salvador selecionados em audição pública, Augusto Soledade reviveu obras de seu repertório coreográfico, como também criou um trabalho original para o elenco. O objetivo foi de proporcionar aos bailarinos uma experiência na linguagem de dança que Soledade vem desenvolvendo ao longo de sua carreira, e que ele chama de Afro-Fusão: uma abordagem que mescla vários estilos, desde o afro-baiano ao clássico, passando também pelo contemporâneo/moderno e o street dance.
O medo do outro é um fenômeno do nosso tempo. Fomentá-lo é o instrumento de poder preferido da nova direita populista, tanto na Alemanha como no Brasil. Além das velhas elites e dos militares, as igrejas neopentecostais estão cada vez mais ganhando influência no Brasil e fornecendo a base moral para uma política cada vez mais excludente, discriminatória e antidemocrática. “MEDO/ANGST” é uma exploração de possíveis formas de contrariar estas cargas sociais e políticas: no sentido de uma autointerrogação e de um interrogatório dos outros, um confronto e – se preferir – uma busca pela liberdade perdida na arte. O coreógrafo Ben J. Riepe colabora no palco e no backstage com dançarinos e dançarinas de Salvador e da Alemanha. Utilizando os meios da dança, da linguagem, da música e da estética afrodescendente e afrofuturista, embarcam na busca de uma ideia comum de identidade – independente de lugar, de tempo, de cultura e de religião.
Diol Mamadou O Teatro do Oprimido entre África e América Latina
Integrando a programação do Fórum Social Mundial 2018, este debate reúne o diretor de teatro Diol Mamadou, diretor artístico do Teatro Fórum Kàddu Yaraax e criador do Festival Senegalês de Teatro Fórum; o Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB); o Movimiento Popular La Dignidad (Argentina); e Julián Boal, praticante de Teatro do Oprimido fundado por seu pai, o teatrólogo brasileiro Augusto Boal, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional.
Em dezembro de 2016, Grada Kilomba realizou o terceiro e último encontro de uma série de conversas públicas na capital baiana. Nela, ela falou de “Futuro” a partir da performance ao vivo “Illusions” [Ilusões] (2016), que teve estreia na 32ª Bienal de São Paulo e mostrada pela primeira vez em Salvador. Com mediação da soteropolitana Goli Guerreiro, o evento aconteceu no Teatro Vila Velha. Em “Illusions”, Grada usa a tradição oral africana num contexto contemporâneo, para explorar esta coexistência de tempos, na qual o passado parece coincidir com o presente e o presente parece sufocado por um passado colonial que insiste em permanecer. Ela deixa transparecer uma sociedade narcisista, que dificilmente oferece símbolos, imagens e vocabulários para lidar com o presente: uma ilusão de tempos e espaços, que ela reconta através dos mitos de Narciso e Eco.
“#360baleado” é um projeto de arte que celebra comunidades trans em 360° de realidade virtual. A dupla de artistas iniciou esta criação em 2018, em Salvador, e continua desenvolvendo com participantes de outros locais do Brasil e Alemanha. O trabalho reúne corpos trans para jogar um jogo de bola simples e energético chamado baleado, que os artistas encontraram pela primeira vez nas praias da Bahia. A sonhadora e discotecante encenação destes jogos é capturada e mostra um mundo em que as regras do jogo são o respeito e a dignidade, e onde as diferenças nunca são marginalizadas. As 21 pessoas que participaram em Salvador foram claras em dizer que as suas comunidades precisam de estratégias internacionais que tornem visíveis as suas demandas. Este vídeo mostra mensagens daqueles que participaram no “#360baleado” na Alemanha, respondendo à pergunta “o que você gostaria de dizer aos seus amigos trans* no Brasil?”.
Performance in-situ envolvendo Ida Toninato, no saxofone barítono, Edbrass Brasil, na trombeta e outros instrumentos inventados, e Andrea May, na discotecagem de vinis e efeitos. O show de música experimental foi filmado por Lara Carvalho numa fábrica desativada localizada no bairro de Plataforma, em Salvador: a fábrica têxtil São Braz, conhecida como Fatbraz, numa realização do Goethe-Institut Salvador-Bahia em parceria com o Acervo da Laje e apoio do Conseil des arts et des lettres du Quebéc (CALQ).
O que acontece quando seis artistas de diferentes origens e culturas se unem para um dia de criação coletiva para, ao final, apresentar o resultado ao público? É isto que acontece em “CERNa”, realizado no Espaço Coaty, no Centro Histórico de Salvador, proposto pelo duo musical performático Klaus Janek e Milena Kipfmüller – ele, contrabaixista italiano; ela, artista sonora alemã-brasileira, ambos radicados em Berlim –, tendo como convidados os artistas Jean Souza, Heitor Dantas, Cristiano Figueiró e Edbrass Brasil. O nome do projeto, “CERNa”, se inspira na CERN, a Organização Europeia de Pesquisas Nucleares, que estuda a estrutura fundamental do universo. Já aqui, o foco está nas partículas artístico-acústicas, feitas para colidirem intencionalmente umas com as outras sem saber o resultado da experiência. A ideia é de que o processo, assim como na ciência, dê aos pesquisadores-artistas pistas sobre como as partículas interagem, promovendo insights sobre as leis fundamentais da natureza artística.
Ng’endo Mukii Yellow Fever / Retrato de Marielle Franco / Retrato de Wangarĩ Maathai
Três pequenos filmes da cineasta queniana aqui reunidos. “Yellow Fever” está interessado no conceito de pele e raça, e no que eles implicam. A ideia de beleza tornou-se globalizada, criando aspirações homogêneas e distorcendo a autoimagem das pessoas em todo o planeta. Aqui, o foco está na autoimagem da mulher africana, através de memórias e entrevistas. Curtas de animação resultantes de workshops realizados por Ng'endo Mukii, o filme “Retrato de Marielle Franco” foi produzido em Nairóbi, capital do Quênia, junto a jovens artistas que homenagearam a socióloga, ativista e vereadora brasileira. Já “Retrato de Wangarĩ Maathai”, que reverencia a queniana ativista de direitos humanos, ambientalista e feminista, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2004, resulta de oficina em Salvador.
A performance musical “se abandonar” foi apresentada em 17 de junho de 2019 na Casa de Castro Alves, no bairro de Santo Antônio. No coração desse projeto, está a ideia de sair da zona de conforto para crescer, aprender e estabelecer novos relacionamentos: substituir a mente fechada por aventura e exploração. E se “se abandonar” pode significar fragilidade, é também o que dá a permeabilidade necessária para evoluir através do contato e realmente viver experiências novas. A ação reuniu um coletivo de sanfoneiros, Gildo Arano, Daniel Neto, Kedson Silva, Pedro de Andrade Vieira e Teba Rocha, ao lado do próprio Giguère: todos, com seus históricos musicais diferentes, improvisaram e contribuíram no trabalho criativo. Assim, compartilharam suas identidades para criar um resultado que é maior que suas partes individuais, se expandindo pelo ambiente.
A instalação sonora “Ilulissat” vem da gravação d o uivo dos cães de trenó na cidade de Ilulissat, na Groelândia. Trata-se de uma instalação com doze locutores que já foi exibida em “Many voices, all of them loved”, Galeria John Hansard, Southampton (2020), Bienal de Jacarta (2017), “Whiteout”, KW Berlin (2017), e “The Vincent Award”, Gemeentemuseum Den Haag (2014).