Qual alemão? Alemão na aula de alemão como língua estrangeira Lecionar vários contextos

Vivemos na era da diversidade da mídia e de interesses heterogêneos de aprendizagem. Qual alemão é adequado em qual contexto? E: Como a aula de alemão como língua estrangeira (DaF, na sigla em alemão) deve reagir a essa mudança na cultura da comunicação e dos estilos de linguagem utilizados? Algumas sugestões.

Resumo

Através da mudança da cultura de comunicação e da nova diversidade de estilos de linguagem utilizados também nos meios de comunicação, a aula de alemão como língua estrangeira não pode mais se limitar, hoje em dia, à transmissão de uma variedade padronizada. Para poder desenvolver nos alunos de forma sistemática a consciência da “adequação comunicativa” de expressões idiomáticas no respectivo ambiente, os diferentes estilos e formas de comunicação deveriam ser tematizados e comparados explicitamente na aula de alemão como língua estrangeira.

Hoje, a pergunta sobre qual alemão deve ser lecionado aos alunos na aula de língua estrangeira e o que pode ser considerado certo ou errado neste caso, deve ser respondida de forma diferenciada. É claro que o alemão padrão escrito e falado, codificado em gramáticas e dicionários e difundido em importantes tipos de texto, continua desempenhando um papel importante em suas variantes nacionais na aula de línguas. Ele continua sendo adequado do ponto de vista funcional em muitos contextos formais, como na escola e na universidade ou em vários contextos profissionais e especializados. Além disso, é difundido nos meios impressos.
 
Entretanto, esses contextos mais formais se tornaram mais raros no debate público. Atualmente, eles já têm a necessidade de se reafirmar contra numerosos “biótopos” mais dinâmicos e variados.

VARIEDADE DE OPÇÕES LEVADA A SÉRIO

Hoje, uma grande variedade de blogs na Web assume cada vez mais funções que antes estavam reservadas a produtos impressos. Existem blogs culinários, políticos, esportivos, literários, de sátira e muitos outros. Os estilos de redação utilizados ali são diversificados, muitas vezes mais informais, em parte mais graciosos e mais criativos. O mesmo se aplica às mídias sociais. A variedade de opções se expande.
 
E justamente essas novas formas de comunicação são muito interessantes também para as aulas de língua alemã corrente, porque expandem enormemente as possiblidades de troca de ideias direta com outros alunos e falantes da língua alemã. Isso fez com que o campo das variedades da pronúncia e de formas de comunicação, que também devem ser transmitidas na aula de alemão como língua estrangeira, se tornasse mais indefinido. A consequência da didática da língua não pode consistir em ignorar novos estilos e formas de comunicação como sendo “contra as normas” ou “ruins”. Pelo contrário, deve ser lidar com as novas formas de comunicação com clareza e adequadamente, levar a sério suas especificidades e seu valor comunicativo ou simbólico e aproveitá-las de modo correspondente.
 
Dessa forma, os blogs na Web e as mídias sociais dão lugar a práticas comunicativas que são altamente interativas, colaborativas e multifuncionais. Os alunos têm, com isso, a possibilidade de uma participação muito maior, podem atuar em um contexto real autêntico e significativo e são incluídos em um intercâmbio comunicativo ativo.

INCLUSÃO DE JOGOS LINGUÍSTICOS E ORALIDADE

Nesses novos espaços comunicativos encontram-se muitas vezes encenações, quebras de estilo e trocas de linguagem (“code switches”), que devem gerar determinados efeitos. A aula deveria conscientizar para isso: Quais efeitos, qual grau de proximidade, que tipo de ironia ou de emoção posso alcançar com quais meios linguísticos?
 
Inclusive os recursos linguísticos regionais ou de linguagem dialética se tornam mais frequentes, principalmente na área linguística no sul do país. Esse tipo de utilização da linguagem nesses contextos é funcional e adequada e não deveria ser desvalorizada com a medida do padrão “correto” formal. Inclusive esses estilos e formas orais (mais formais e mais informais) deveriam ser tematizados na aula de alemão como língua estrangeira com base em textos de áudio e diálogos com linguagem realista.
 
No entanto, nas regiões onde alemão é a língua oficial, os estilos orais mais formais também são marcados muitas vezes por influências regionais. Isso pode ser detectado no vocabulário (“Samstag”/”Sonnabend”, “Brötchen”/”Semmel”, “Aprikose”/”Marille”), em parte no gênero (“das”/”die” E-mail; “das”/”die” Cola) e com muita frequência na pronúncia. Além disso, a língua falada próxima ao padronizado se diferencia da língua escrita por uma extensa série de características, como, por exemplo, pela suavização ou eliminação das sílabas finais (“das könn’ wir mach’n”; “ich mach’”), pela omissão de artigos e pronomes (“ich hab’ ’ne tolle Nachricht”; “ich mach’s später”) e, às vezes, também por um posicionamento “mais verbal” de palavras como nas frases com “weil” (“ich kann das jetzt nicht machen weil das würde zu viel Zeit brauchen”). Essas características da oralidade estão presentes inclusive em textos relativamente formais, por exemplo, em palestras científicas ou em conversações de testes. Os alunos devem ser conscientizados sobre essas características empregando materiais mais autênticos. Para aprender a língua, a suavização das terminações também significa que é mais difícil ouvir certas diferenças gramaticais, como o uso dos adjetivos e isto exige mais atenção. Em situações de conversas descontraídas, essas características não devem ser consideradas desvios ou até mesmo erros.
 
Nesse meio tempo, existe uma série de representatividades da língua com exemplos em áudio e sua forma de escrita, que podem ser usadas como base para exercícios autênticos. Entre elas estão a “Forschungs- und Lehrkorpus Gesprochenes Deutsch“ (FOLK - Órgão de ensino e pesquisa de alemão falado) do Instituto de língua alemã (IdS) em Mannheim, ou o órgão de língua científica “GeWiss” do Instituto Herder da Universidade de Leipzig.

PREPARAÇÃO PARA CONTEXTOS UNIVERSITÁRIOS E PROFISSIONAIS

Considerando que um número cada vez maior de estudantes de alemão como língua estrangeira vêem uma ligação direta entre a língua alemã e melhores oportunidades profissionais ou de especialização, nos últimos anos, as competências linguísticas específicas da profissão e da formação profissional também ganharam mais importância em muitos contextos. Aqui é imprescindível saber bem quais são as premissas profissionais dos alunos: Quais são as competências profissionais ou técnicas que têm na sua língua materna?
 
Caso já existam competências correspondentes e conhecimento técnico, é possível aproveitar ambos e dar início à transmissão da terminologia em alemão. Apesar disso, será necessário preparar os alunos de alemão como língua estrangeira para as práticas sociais, formas de trabalho, rotinas idiomáticas e formas de atuação que são habituais nos países de língua alemã e se diferenciam, em parte claramente das de outros países. Se os alunos não tiverem ainda formação profissional, eles precisam ser preparados não só em termos de língua e comunicação, mas também especialmente para os contextos-alvo ou então receber acompanhamento. Para isso, a colaboração de professores e professoras de línguas com profissionais das outras áreas adquire grande importância.
 
As bases para esse tipo de preparação para contextos de estudos e profissionais constituem análises de necessidades que descrevem quais temas e competências de atuação são relevantes no contexto profissional e de estudos e quais habilidades, rotinas linguísticas e recursos léxicos e idiomáticos devem ser transmitidos para isso.

 

Literatura

Becker-Mrotzek, Michael / Schramm, Karen / Thürmann, Eike / Vollmer, Helmut (Hgg.): Sprache im Fach. Sprachlichkeit und fachliches Lernen. Münster 2013.

Fandrych, Christian / Thurmair, Maria: Textsorten im Deutschen. Linguistische Analysen aus sprachdidaktischer Sicht. Tübingen 2011.

Moraldo, Sandro M. (Hg.): Einführung in die Tendenzen der deutschen Gegenwartssprache. Rom 2011.

Reinfried, Marcus / Volkmann, Laurenz (Hgg.): Medien im neokommunikativen Fremdsprachenunterricht. Einsatzformen, Inhalte, Lernerkompetenzen. Frankfurt am Main 2012.

Schneider, Jan Georg: Sprachliche „Fehler“ aus sprachwissenschaftlicher Sicht. In: Sprachreport 1-2/2013, 30-37.