Arte IMÓ - MOSTRA 2ª BLACK

Segunda Black Divulgação

3ª, 27.11.2018 -
dom, 02.12.2018

SESC Copacabana

Rua Domingos Ferreira, 160
Copacabana
Rio de Janeiro

Mostra, com programação totalmente gratuita, conta com uma masterclass com a professora Leda Maria Martins e interface crítica das performances com Aza Njeri – Doutora em literaturas africanas de língua portuguesa

A SEGUNDA BLACK nasce no Rio de Janeiro com o compromisso de garantir que centenas de profissionais da arte preta encontrem um espaço para performances e estudo; promovendo um espaço de concentração, representatividade e troca. Inspirado nos projetos como “A Cena tá Preta” (SSA), Segunda Preta (BH) e Segundas Crespa (SP), o Rio será palco mais uma vez do movimento que visa unir os pensantes da arte preta.
 
Com apoio do Goethe-Institut Rio de Janeiro, a mostra acontece no Sesc Copacabana como parte do projeto IMÓ, que visa construir momentos de reflexão sobre as questões relacionadas a afro descendência e garantir sua representatividade. A programação totalmente gratuita conta com uma masterclass com a professora Leda Maria Martins e interface crítica das performances com Aza Njeri, doutora em literaturas africanas de língua portuguesa.
 
A Mostra terá ainda uma série de performances seguidas de debates em torno das obras, tendo como principais eixos a territorialidade, gênero, ancestralidade e a música como manifestação fundamental das narrativas do teatro negro.  Doze performances foram selecionadas. Além das apresentações haverá oficinas voltadas para processos de novas narrativas para o teatro negro e encontros para discutir ações conjuntas dos coletivos.

Grade de programação / Performances

29/11, a partir das 19h

Confraria do Impossível - Rádio Voz da Senzala 
Através de músicas e cenas “A Voz da Senzala” propõe ser um grande ritual de sobrevivência e renascimento. Elementos e referências ancestrais se misturam com o Afro-Futurismo, na música de morte e na música de vida. A história é recontada, desta vez sob nosso ponto de vista. A escuta precisa ser trabalhada, o povo de rua também é convidado. É de onde fomos silenciados que a Voz agora ecoa. Um show de reparação e cobrança.
 
Licinio Januário Reinaldo Jr e Breno Ferreira - Não deixe o samba morrer
Muriquinho antes de morrer passou aos Griot urbanos Reinaldo Junior e Licínio Januário a missão de espalhar a importância do tambor e da ancestralidade como escudo para aliviar as dores do nosso povo. “Não deixe o Samba Morrer” é um ritual de cura para fechar os Zungus com uma mensagem de amor para o povo preto e ao mesmo tempo pede para não esquecermos as nossas raízes (samba rural) que a cada dia que passa vem sendo substituídas por raízes artificiais.
 
30/11, a partir das 19h

Dandara Vital - Diva da Sarjeta
Diva Sarjeta uma performance baseada em fatos. Trata-se de uma jovem Travesti muito conhecida por seu padrão de beleza, porém seus sentimentos eram ignorados. Os homens a desejavam na mesma intensidade do preconceito que tinham, era maior e mais forte que qualquer amor que Ela pudesse sentir.  Consequentemente sua vida se tornou insignificante, insuportável, fria e vazia; fazendo com que ela enxergasse, de forma distorcida, uma suposta única saída. Inspirada em Camila de Castro, surge essa performance que abrange tantas outras vivências Trans. Diva da Sarjeta é o primeiro estudo do Projeto “A Solidão da Mulher Trans”, que tem como base dar importância a real história afetiva dessas mulheres. 
 
Tatiana Henrique – Vera Crucis
Vera Crucis fabula o abandono de uma mulher preta em um manicômio na década de 70. Verdades caladas sobre mulheres negras jogadas nas antigas casas de "doença" mental em plena ditadura. Tatiana Henrique diz SriLaroyê! antes de entrar em qualquer palco, pede ajuda às Iyabás para cuidar de seus filhos Agnes e Apolo, tenta contar histórias com a mesma memória que Orumilá guarda seus odus e agradece a Om Obatalá todos os dias por ser sua filha e atravessar as voltas que o mundo-samsara dá.
 
Dembaia - Mandé
Dembaia é um grupo artístico, residente e resistente no Rio de Janeiro, fundado em 2014 a partir da reunião e dedicação de artistas que pesquisam a dança e a rica musicalidade de países da África do Oeste e da diáspora africana nas Américas. Em susu, língua da etnia Susu, Dembaia significa 'família'. Atuando de forma independente, realiza a transmissão dos aprendizados que tiveram ao longo dos anos de pesquisa sobre a cultura ancestral africana. Entre as propostas estão as oficinas de percussão e dança, espetáculo-performance e vivências-rituais que tem como foco, as mulheres, crianças e homens, respeitando o debate sobre questões raciais e de gênero.
Na performance 'Mandé' buscamos expressões corporais que mostram de forma subjetiva a ligação com o ancestral, a Terra, o sagrado e o feminino. Saudamos a MANDINGA através do som e da dança referenciando a diáspora que navegou entre África e as Américas. O espetáculo busca expressar os elementos da natureza através do som, movimento e poesia dos corpos negros femininos em ação.
 
1/12, a partir das 19h

Coletivo Tropeço (BH) - Apologia III e Unha postiça
“Em Apologia III me aproprio do uso pejorativo da palavra pêra que usavam para me ofender e da famigerada frase “você se parece muito com seu pai” para compor a cena. A apropriação e (re) interpretação corporizada dessas memórias translada o passado ao aqui agora da cena, reatualizando a possibilidade de gerar nova memória sobre os mesmos eventos e a criação de outras poéticas.”  Soraya Martins.

Unha postiça - Criada a partir de memórias pessoais, e ao mesmo tempo coletivas, e procedimentos estéticos como a repetição, tempo expandido, e algumas ações cotidianas, a cena procura dialogar com as solidões que atravessa a atriz/performer no seu dia a dia.

Kelson Succi - Rolê bala perdida (extraída da peça Cuidado com Neguin)
Baseado nas andanças e experiências do ator pela cidade, o espetáculo mostra um pouco da visão crítica e artística de "Neguin", um personagem jovem, negro, pobre e favelado que sai do morro para encarar diariamente o asfalto. Mas a identidade de "Neguin" não é única: ele é a pessoa de Kelson e a de muitos outros indivíduos que se encaixam nesse perfil e passam o dia fora de suas comunidades — no caso do ator, seu ponto de partida e chegada é o Complexo do Alemão, localizado na Zona Norte. Se arriscando como dramaturgo pela primeira vez, ele usa a peça com o objetivo de denunciar abusos e mostrar a beleza desses espaços marginalizados.  
 
Orquestra Pretos Novos - Desculpa perguntar
É um grupo formado a partir da reunião de artistas negros que tem em comum a atuação na área do teatro musical. Atores, instrumentistas, cantores e outros que venham se agregar. O grupo surge com objetivo de pensar uma dramaturgia e uma cena para o teatro musical que represente verdadeiramente diversos aspectos dos artistas negros contemporâneos. A cena que será apresentada é um exercício de união da linguagem literária e musical, a partir de um texto de Allan da Rosa e de uma canção de André Muato, idealizador do projeto. Dois artistas de processos muito distintos, dois angoleiros apaixonados por sua prática.
 
2/12, a partir das 19h

Rodrigo França - Nota Fiscal
É inspirada no vídeo que mostra a abordagem policial a três homens negros em São José dos Campos, que teve mais de 10 mil compartilhamentos.
 
O educador social e servidor público Claudinei Corrêa, de 45 anos, seu filho Jefferson Corrêa, de 20 anos e o genro Fabiano Augusto Pereira dos Santos, de 18 anos - todos negros -  foram abordados pela PM depois de terem comprado um par de calçados. Segundo o pai, Jefferson saiu alguns segundos antes do estabelecimento e foi agredido por um dos PMs.
 
Rodrigo França explana o racismo estrutural e institucional que assola o Brasil. Mesmo a população negra tendo um grande potencial de consumo (R$1tri e 600bi por ano) a sua presença não é bem vista na lojas. Ainda somos perseguidos por seguranças. Centro e trinta anos após a suposta abolição, o Brasil continua tendo os seus valores escravocratas.
 
Magano e Sonata – A hora do show
Dedicados ao universo do riso Marcelo Magano e Patrick Sonata, acharam na comédia o seu lugar de expressão mais potente. Com humor ácido e inteligente gostam de provocar o pensamento enquanto fazem ri. Cuidado com o carisma deles pode ser uma armadilha pra fazer piada                    
Extratos do primeiro show da dupla. Inspirados nos comediantes do show business afro americano, misturam stand up comedy e talk show, dando um ar de ostentação mas com humor de rua e charlatanismo que é a marca registrada da dupla. Hora do show são as várias histórias vivida pela dupla e o show vai se fundindo a um baile conduzido por algum Dj convidado, terminando em festa. Os assuntos são variados falando de periferia, relacionamentos, amizade, família, racismo e sexo.
 
Lilian Valeska - Lilian Valeska Preta
Performance musical buscando enaltecer e engrandecer os autores brasileiros que falam sobre a nossa essência evolução e resistência. Canções escolhidas e reformuladas pela cantora para o palco da 2aBlack.

 
Classificação indicativa: 16 anos

 
 
Oficinas:
 
27 e 30 /11

Narrativas Negras - Oficina para Dramaturgos
Rodrigo França, por alinhar a sua produção textual a temáticas relacionadas à sua militância pelos direitos individuais e coletivos da população negra, tem uma grande preocupação em estabelecer narrativas que não corroborem com estereótipos criados pior “mãos” que sempre falaram pela população negra, sem preocupação de ouvi-la ou oportunizá-la para falar de si.

A oficina desenvolve com mais detalhamento e profundidade as tendências e movimentos das novas narrativas e as diferentes maneiras de escrever de forma assertiva, utilizando a temática negra como eixo. São dois encontros que se dividem entre teoria e prática; com leitura, discussão de textos e análise do contexto da realidade da população negra, a cultura de matriz africana e afro-brasileira. Entenderemos como fugir de uma escrita estereotipada, a fim de obtermos uma escrita criativa, respeitosa e crítica.
 
Classificação indicativa: 16 anos
Horário: 14h às 18h

 

27/11

Nova Visão - Oficina
A oficina de teatro e vídeo ministrada pelo Coletivo Preto tem como objetivo principal instrumentalizar artistas negros para que estes tenham competitividade no mercado de trabalho. Nova Visão trata de técnicas de vídeo e teatro, mercado de trabalho, como se preparar para um teste, marketing pessoal, autoprodução e incentiva a escrita e a criação de novas narrativas. A oficina cria não só um espaço de troca de conhecimento, mas também de acolhimento, no qual podemos tratar de nossas especificidades enquanto artistas negros.
 
Classificação indicativa: 16 anos
Horário:  9h às 13h e 14 às 18h

 

Debate: 
 
29/11 a 02/12  

Aza Njeri – Doutora em literaturas africanas de língua portuguesa.
Marcos Alexandre (BH) - Professor da UFMF especialista em teatro negro do Brasil e de Cuba.
Classificação indicativa: 16 anos
Horário: 21h (após as performances)
 
01/12  

Professora Leda Maria Martins (BH) uma das maiores especialistas em performance negra do Brasil Professora doutora em literatura s performance.
 
Classificação indicativa: 16 anos
Horário: 11h às 13h

 

Exposição: 27/11 a 2/12
 
Exposição Fotográfica: ÌTÀN narrativas do corpo negro 
Fotografias de Leandro Cunha
Local: Foyer do Teatro Arena
A Exposição Fotográfica ÌTÀN Narrativas do Corpo Negro, com fotografias de Leandro Cunha remonta as histórias ancestrais dos orixás do candomblé através das relações corporais de 31 artistas.

Itàn, palavra nagô, designa o conjunto de mitos, canções, histórias e recitações da cultura iorubá que circulam há milênios no continente africano. Na diáspora afro-brasileira, os Ìtàn são transmitidos fundamentalmente através da tradição oral dentro das expressões religiosas de matriz africana.

A exposição busca valorizar a experiência contemporânea do corpo negro no Brasil e a cultura de ma­triz africana. Além disso, como um instrumento crítico, propõe-se suscitar o debate sobre o tratamento histórico pejorativo e desigual do negro, da cultura afrodiaspórica, a resistência por representações culturais, bem como, os crimes de racismo religioso.

O projeto nasce da pesquisa e da vivência do fotógrafo com a mitologia africana dentro de seu ILÊ AXÉ, o ILê Omiojuarô. E sob a orientação de seu babalorisà Adailton Moreira, o artista constrói conceitos-chave ou particularidades dos Orixás, que permitiram a construção das imagens fotográficas. Por exemplo, o Itàn de Omulu está relacionado à aridez, e/ou com uma luz intensa que de tão forte ofusca a imagem da figura.

As fotografias que constroem a exposição são digitais e foram feitas por Leandro Cunha em técnica de longa exposição. Os performers foram fotografados nus, de forma que somente a experimentação e a mobilização de energias a partir do corpo, sem elementos adicionais, pudessem ser exploradas. Cada um dos 17 Orixás têm duas imagens, conformando um total de 34 fotografias.
 
Classificação indicativa: 16 anos
Horário: 10h às 22h

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