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Séries de televisão alemãs
Babylon Berlin: Sinfonia de uma grande cidade

Volker Bruch é o comissário Gereon Rath em "Babylon Berlin"
Volker Bruch é o comissário Gereon Rath em "Babylon Berlin" | © Beta Films

Entre as séries alemãs mais populares hoje em dia, a que recebeu críticas mais efusivas foi sem dúvida Babylon Berlin. Baseada nos bestsellers policiais de Volker Kutscher, a primeira temporada da série acompanha um comissário da polícia pela vida noturna e pelas convulsões políticas de Berlim durante a República de Weimar. O generoso orçamento da série é bem visível no resultado final, mas a crítica destaca muito mais do que a dispendiosa produção cinematográfica.

De Mark Thompkins

Nesta extraordinária renascença das séries de televisão de língua alemã, Babylon Berlin representa a joia da coroa e um sucesso absoluto junto do público, tanto na Alemanha como no estrangeiro. A série está a ser transmitida em mais de 90 países, incluindo na Índia e em África, o que significa uma difusão nunca antes vista para uma série alemã. Apesar de não haver números oficiais, sabemos que a série foi um sucesso nas plataformas de streaming americanas, especialmente graças a uma torrente constante de excelentes recensões no jornal New York Times, na revista Vogue, no jornal New Yorker, na rádio NPR e na lista New York Review of Books.

Mas afinal, como é que uma história policial de cariz histórico, com legendas, pode atrair tantos espetadores? Uma possível resposta poderá ser que, nas mãos dos argmentistas e realizadores Tom Tykwer, Achim von Borries e Hendrik Handloegten, encontramos  uma certa “divine decadence” (para utilizar uma expressão de Sally Bowles do filme Cabaret), ou seja, uma decadência divina, que obriga os espetadores a fazer maratonas de visionamentos da série. 
 

vem ao cabaret, velho amigo

Quando Rath encontra na morgue o cadáver de um russo que apresenta claros vestígios de tortura, verifica que as chefias mostram um desinteresse total pelo caso. Mais tarde vem a descobrir-se que aquele cadáver seria a primeira vítima de uma conspiração, na qual estão envolvidos os embaixadores de Estaline, uma diva de um clube noturno onde as fronteiras de género são ténues, e ainda uma conspiração de aristocratas e generais prussianos.
 
Neste labirinto urbano aparece uma luz de esperança para Rath na pessoa da estenógrafa Charlotte Ritter, mais conhecida por Lotte (Liv Lisa Fries). O charme desta jovem mulher sobrepõe-se à sua verdadeira ambição de ser a primeira mulher detetive na polícia de Berlim. A corajosa Lotte tem origens na verdadeira classe operária. A terrível pobreza da sua família obriga-a a ganhar dinheiro como e onde pode, mesmo se para tal seja obrigada a levar uma vida dupla. Das nove às cinco, a versátil Lotte trabalha para a polícia, mas, depois da meia-noite, está ocupada a trabalhar num negócio menos respeitável dos clubes de sexo da cidade. O conhecimento íntimo da noite de Berlim faz dela a parceira ideal  para as investigações de Rath: ela leva-o até a todos aqueles habitantes locais que de outra maneira Rath nunca teria encontrado.

Isto não é a Ópera dos três vinténs

Inicialmente, a estratégia de comunicação de Babylon Berlin destacava o orçamento da produção. Com 40 milhões de euros, esta não é apenas a série mais cara filmada em língua alemã, mas possivelmente também a série mais cara produzida numa língua que não a inglesa. 

É bom saber que 40 milhões de euros foram bem usados. Visualmente, Babylon Berlin é espetacular. Os produtores claramente não pouparam custos ou esforços para recriar uma cidade de Berlim em 1929 e torná-la tão viva quanto o possível para os telespetadores, tal como o provam os grandiosos cenários e o guarda-roupa. No que diz respeito ao cenário, é especialmente impressionante o enorme bar noturno em estilo Art Déco da Berlim do ano 1929: o Moka Efti (que faz referência a um bar que existiu realmente, como se fosse um Berghain daquela altura), com muitos extras envergando roupas extremamente elegantes.

Para além disso, impressionam também as filmagens de exteriores, onde se recriaram bairros inteiros, e onde os efeitos especiais nem se notam. Aproximadamente 70 por cento da série foi filmada em 185 dias nos próprios locais e tudo parece realmente autêntico. O ambiente daquele tempo é tão forte como os sotaques. Não parece estranho, por isso, que o jornal Berliner Zeitung tenha descrito a série como "A grande prostituta na sua melhor forma". Os autores da série sabem como se deve criar uma cidade de Berlim bem viva em vez de um museu do passado. 

  • Liv Lisa Fries como Charlotte Ritter, Imagem da série Babylon Berlin © Frédéric Batier/X Filme
    Liv Lisa Fries como Charlotte Ritter / Imagem da série Babylon Berlin
  • Babylon Berlin: Bailarinas no Moka Efti / imagem da série Babylon Berlin © Frédéric Batier/X Filme
    Babylon Berlin: Bailarinas no Moka Efti / imagem da série Babylon Berlin
  • Charlotte encontra Gereon Rath desmaiado na rua, cena da série "Babylon Berlin" © Frédéric Batier/X Filme
    Charlotte encontra Gereon Rath desmaiado na rua / Cena da série Babylon Berlin
  • O lendário clube Moka Efti, cena da série "Babylon Berlin" © Frédéric Batier/X Filme
    O lendário clube Moka Efti / Cena da série Babylon Berlin
  • Volker Bruch é o inspetor Gereon Rath na série "Babylon Berlin". © Frédéric Batier/X Filme
    Volker Bruch é o inspetor Gereon Rath na série Babylon Berlin.

Algures sente-se o sorriso de Fritz Lang

Babylon Berlin transporta os espetadores mesmo para o meio do turbilhão das convulsões culturais e politicas. É um retrato da Alemanha do final dos anos 20 do século XX, que tem algumas surpreendentes semelhanças com a atualidade. No entanto, a série não se limita a satisfazer os prazeres da literatura pulp. Um crescente suspense, cliffhangers e um ponto culminante com um tiroteio num restaurante Art Déco chique dariam até a Michael Mann uma razão de orgulho. Ao longo de toda a série, a qualidade cinematográfica é bem mais original do que na maior parte das longas-metragens

Algum conhecimento da história da Alemanha entre as duas guerra pode dar uma ajuda para compreender a série, mas não é essencial. Saber que o nacional-socialismo irá varrer a Alemanha concede à série bastante suspense, mas os autores estão longe  de tomar partido sobre a história. No início de 1929, os nazis são apenas uma fração como  muitas outras, que anseia por ter alguma atenção no meio de uma paisagem político-cultural cheia de extremistas e loucos. Numa "Berlim Vermelha", o nacional-socialismo lutava para alcançar votos nas eleições de 1928. Assim, na maior parte dos 16 episódios que constituem as duas primeiras temporadas, os nazis nem sequer aparecem. Mas quando acabam por aparecer, as camisas castanhas provocam um momento de tensão e elevam as expectativas para a continuação da série.

Em outubro de 2018 tiveram início as filmagens da terceira temporada, que estreou a 24 de janeiro de 2020, e já se começa a falar numa quarta temporada. Todos os protagonistas e o trio creativo Tykwer, von Borries e Handloegten regressaram – uma notícia à qual brindamos com uma Berliner Weiße. Em Portugal, as três temporadas de Babylon Berlin estão disponíveis em streaming na HBO Portugal

Em busca dos anos 1920 em Berlim

No site visitBerlin.de, os visitantes de Berlim podem obter informações sobre a série e mergulhar no ambiente dos Loucos Anos Vinte. Quem procura o espírito de Weimar na Berlim de hoje, encontra nesta página temática muitas sugestões: passeios, pontos de destaque arquitetónicos, tais como as vilas modernistas de Berlim e o Arquivo Bauhaus, as datas das festas dos Anos Vinte, como a Bohème Sauvage, das noites de música swing na Clärchens Ballhaus e do Berlin Burlesque Festival, em novembro

Fonte: visitberlin.de