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Sair da crise com o sardex
Prosperidade na Sardenha sem o euro

Aceitamos sardex
© Sardex S.p.A.

Riccardo Porta não precisa de gastar um único euro no momento em que compra farinha para a sua padaria no sudoeste da Sardenha. Nem para comprar as amassadeiras mecânicas, os fornos de cozer ou para pagar a remodelação do novo espaço de vendas. Porta paga em sardex, uma moeda alternativa, que está em uso na ilha desde 2010 e que dá às empresas aquelas oportunidades que elas num teriam tido num mercado fortemente abalado pela crise. 

Intercâmbio de créditos, sem banco

Os habitantes da ilha fundaram um clube de crédito e pagam os para bens e serviços entre si na moeda sardex, cuja taxa de câmbio é de um para um em relação ao euro. Em princípio existem quase 4000 empresas que se concedem créditos livres de juros entre elas e que não estão dependentes do estado e dos bancos. Ao mesmo tempo, essa rede oferece um acesso exclusivo a novos clientes. A dívida acumulada de sardex é liquidada por Porta ao vender o seu pão a membros do círculo sardex nessa moeda alternativa. O jovem gerente deste negócio de família, que festeja este ano o centésimo aniversário, foi um dos primeiros membros deste clube de crédito. "Quando os fundadores do grupo sardex tocaram à minha porta e me perguntaram se eu queria ser membro, pensei logo que era uma ótima ideia. Depois de ser membro perguntei quem é que também fazia parte do círculo. E eles disseram-me: até ao momento, apenas tu e nós," diz-nos Riccardo a rir.

Entretanto Porta troca aproximadamente 10% do seu lucro para a moeda sardex. "Graças aos sardex, conseguimos aumentar a nossa clientela e estamos em condições de fazer investimentos que de outra maneira seriam impossíveis.”, diz-nos Porta. Os membros deste clube de crédito também podem transferir para os seus empregados uma parte dos vencimentos em moeda sardex, desde que os colaboradores estejam de acordo. E desde há pouco tempo o círculo sardex está a testar um sistema de cartões de cliente, com o qual os consumidores podem receber pontos de bónus em sardex quando efetuam compras em euros. O sucesso deste clube de crédito é impressionante: desde a sua fundação, fizeram-se mais de 440.000 negócios com esta moeda de pagamento alternativa. Apenas em 2017 circularam na Sardenha mais de 80 milhões de sardex, ou sejam, 80 milhões de euros.
Entrada da empresa Sardex S.p.A.© Sardex S.p.A.

Força conjunta

Atrás do sardex estão quatro amigos da aldeia Serramanna, situada na Sud Sardegna, a província italiana mais pobre. Nenhum dos fundadores tinha experiência profissional ou formação na área de economia e finanças. Mas tinham uma ideia genial e o desejo de injetar nova vida na economia da Sardenha tão debilitada pela crise económica. "O nosso objetivo é ajudar especialmente as pequenas e médias empresas através de uma rede empresarial global", explica-nos Giuseppe Littera, um dos sócios fundadores da Sardex. "As dificuldades com as quais lutam as pequenas empresas são muitíssimo maiores do que as das grandes empresas. Com a rede sardex ajudamos as empresas a encontrar novos clientes, a concederem créditos umas às outras e a ajudar os empregados e consumidores, aumentando assim o seu poder de compra." Dez anos depois de ter disparado a crise financeira, a segunda maior ilha de Itália continua a sofrer as consequências. Perderam-se mais de 43 000 postos de trabalho desde 2007, e a taxa de desemprego é de 17%, sendo que no Sul 21% da população está desempregada. "Sentimos muito a crise e a liquidez está extremamente reduzida. Mas com o sardex podemos combater melhor a crise.", diz Porta.  A Sardex AG é financiada através de uma joia e de uma prestação anual dos membros. O valor das contribuições e linhas de crédito de cada membro depende da dimensão e da situação financeira de cada empresa. Não há moedas nem notas bancárias e o saldo de cada membro está registado numa conta online.  
Giuseppe Littera© Sardex S.p.A.

Mais rápido do que o euro

Como não se podem acumular juros com o sardex, não compensa fazer uma poupança. Assim, as empresas da rede ficam motivadas a gastar os sardex o mais depressa possíve.

Em consequência, a velocidade de circulação desta moeda paralela é bastante mais rápida do que a do euro. Segundo os registos da Sociedade Sardex, um sardex muda de proprietário durante um ano 11,5 vezes. Em comparação, um euro apenas circula 1,5 vezes. "Em média, os nossos membros gastam 4 a 5 euros quando efetuam pagamentos em euros. Se a compra é feita em sardex, a média está em 10 sardex, ou seja, 10 euros. Isto significa que nas compras com os sardex se está a gastar mais dinheiro", exemplifica Porta. Desde a fundação da Sardex numas águas furtadas da avó de Giuseppe Littera, em 2009, a empresa cresceu muito rapidamente. Para além do clube de crédito na Sardenha, existem ainda 11 redes de parceiros regionais no continente italiano com mais de 4600 membros. Desde 2016, a Sardex é uma sociedade por quotas, cujo volume de transações cresceu dez vezes nos últimos seis anos. Giuseppe Littera está convencido de que sem a sardex muitas coisas tinham sido impossíveis: "Os 50 postos de trabalho na Sardex AG em Serramanna, mesmo no meio da mais pobre província italiana, certamente não existiam. Nem tinham sido feitas as 400 000 transações em sardex, o que traduzido significa 400 000 apertos de mão."
A sede da Sardex S.p.A.© Sardex S.p.A.

confiante no sucesso 

Para Giuseppe Littera, o segredo do sucesso da sardex está na confiança mútua que os membros do círculo sardex devem demonstrar uns aos outros, porque todos eles são responsáveis pelo crédito em risco de cada um dos membros." Com um pouco de confiança consegue chegar-se bem mais longe. Em especial quando se trata de uma confiança dividida entre todos e quando as regras são aceitáveis para todos." Littera espera que a ilha esteja agora mais bem preparada para enfrentar uma nova crise financeira do que há 10 anos. "Quando de repente somos abalroados por um tsunami, temos uma maior possibilidade de sobreviver se estivermos juntos num barco, do que estando sozinhos no meio do mar."