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Qualidade do ar
Em busca de um ar mais limpo nas cidades

Poderá um sistema de teleféricos com cerca de 30 quilómetros transportar, em breve, passageiros sobre o Rio Reno em Colónia?
Poderá um sistema de teleféricos com cerca de 30 quilómetros transportar, em breve, passageiros sobre o Rio Reno em Colónia? | Foto (detalhe): © picture alliance/dpa/Federico Gambarini

As grandes cidades alemãs têm um problema: a infraestrutura urbana e as ruas cheias de trânsito das cidades estão prejudicar cada vez mais a qualidade do ar. Mas nos últimos anos, cada vez mais cidades estão a tomar medidas para melhorar a qualidade do ar, inspiradas em projetos de sucesso de outras cidades europeias.

De Nadine Berghausen

Proibição do uso de carros a diesel

A alta concentração de dióxido de nitrogénio é uma das principais causas de poluição do ar hoje em dia, e a exaustão do combustível diesel é a principal responsável. Em 2018, as cidades de Estugarda, Darmstadt e Hamburgo instituíram a proibição do uso de carros a diesel devido aos valores limite de óxido de azoto terem sido ultrapassados em muitas cidades. De forma a tentar melhorar a qualidade do ar, esta proibição restringe o acesso a zonas específicas e ao centro da cidade para carros e transportes pesados abaixo da norma de emissão Euro 5. A Greenpeace alemã tem uma postura crítica em relação a estas proibições, argumentando que só fariam sentido se bairros inteiros ou as zonas centrais das cidades estivessem totalmente livres das emissões causadas pelo combustível diesel. Segundo a Greenpeace, só trabalhando numa solução mais abrangente é que se conseguiria ter ar mais limpo nas cidades, o que implicaria uma mudança radical no sistema de organização do trânsito, complementado com autocarros, comboios e elétricos mais rápidos e confortáveis, bem como ciclovias mais seguras.
A emissão causada pelo combustível diesel é considerada a principal responsável pelos altos níveis de dióxido de nitrogénio nos centros das cidades alemãs A emissão causada pelo combustível diesel é considerada a principal responsável pelos altos níveis de dióxido de nitrogénio nos centros das cidades alemãs | Foto: © picture alliance/ZB/Sascha Steinach

Cidades-modelo

O governo federal da Alemanha também está a apostar no transporte público e apoia o projeto-modelo "Lead Cities" com um orçamento de 130 milhões de euros. As cidades-modelo de Bona, Essen, Mannheim, Herrenberg e Reutlingen candidataram-se com diversos projetos que têm como objetivo tornar o transporte público mais atrativo para tentar melhorar a qualidade do ar. A maior parte deste projetos aposta na criação de novos passes e tarifas flexíveis para os transportes, no aumento da frequência dos meios de transporte públicos e em sistemas ampliados de aluguer de bicicletas. Mannheim também está a tentar lidar com um problema muito específico e atual criado pela popularização do comércio online: o aumento do trânsito causado pelas entregas de encomendas. A cidade criou um projeto “Last mile” (última milha), onde as encomendas são transportadas em bicicletas de carga elétricas na última do percurso. Estes projetos-modelo têm um acompanhamento científico, para que a experiência ganha possa ser aplicada noutros projetos e noutras cidades no futuro.

Mais rápido de bicicleta

Encorajar as pessoas a andar de bicicleta também é uma forma de combater a poluição do ar. É saudável, barato e não causa poluição. Copenhaga, a capital dinamarquesa, é um dos grandes exemplos. Com uma rede de ciclovias de 400 quilómetros e mais bicicletas do que carros, a metrópole dinamarquesa é a verdadeira capital da bicicleta. O interessante é que os moradores declaram a sua preferência pelas bicicletas não por motivos ambientais, financeiros ou de saúde, mas sim porque as bicicletas lhes permitem chegar mais rápido ao destino, graças ao planeamento urbano que está pensado para as bicicletas. Já na Alemanha, mudar do carro para s bicicletas não é tão fácil: veículos estacionam nas ciclovias e o trânsito denso pode tornar o percurso perigoso. Por isso, os planos de proteção do clima do Ministério Federal dos Transportes pretendem tornar o transporte em bicicleta mais atraente, considerando, para isso, uma redistribuição do limitado espaço urbano.

passe a um euro por dia

Uma capital europeia é a patrona desta medida. Em Viena, é possível explorar a cidade inteira de autocarro ou de metro com um passe que custa apenas um euro por dia. Desde a introdução deste passe de 365 euros, o número de passageiros com passe dos transportes mais do que duplicou, passando de 373 mil para 780 mil. As Lead Cities alemãs também esperam por uma mudança semelhante, estimando um número maior de passageiros e uma melhoria da qualidade do ar com a implementação títulos de transporte a preços mais baixos. No entanto, Críticos alertam para o facto de que o aumento dos passageiros irá obrigar ao aumento da frequência de comboios e de autocarros. Se os elétricos tiverem atrasos frequentes de 30 minutos e, ainda por cima, andarem lotados, é de esperar que muitos passageiros voltem a utilizar os seus automóveis.
Com bilhetes mais baratos para autocarros e metros, as cidades europeias podem contar com mais passageiros nos transportes públicos e uma melhoria da qualidade do ar. Com bilhetes mais baratos para autocarros e metros, as cidades europeias podem contar com mais passageiros nos transportes públicos e uma melhoria da qualidade do ar. | Foto: © picture alliance/ZB/Monika Skolimowska

Semáforos insteligentes para um trânsito mais fluído

Ligar o carro, acelerar, parar de semáforo em semáforo: esta rotina diária prejudica tanto os nervos dos trabalhadores, como a qualidade do ar. Para tentar melhorar o fluxo do trânsito, as cidades de Hagen e Wuppertal estão a apostar na modernização dos semáforos. O projeto faz parte do plano-diretor “Mobilidade Sustentável”, uma iniciativa do Ministério Federal de Transportes da Alemanha. Ao longo da circular interna da cidade, foram instalados nos semáforos vinte detetores que registam dispositivos com bluetooth, como smartphones nos automóveis. Estes detetores permitem medir quanto tempo os veículos demoram entre os diversos pontos da cidade, permitindo assim avaliar quão lento ou rápido é o fluxo de trânsito num determinado momento. O próximo passo será instalar o chamado circuito inteligente de semáforos: um computador central irá adaptar as fases verdes dos semáforos ao respetivo fluxo do trânsito. A cidade de Hagen assegurou também que não serão recolhidos pessoais dos telemóveis durante este processo.

Sistemas inteligentes de semáforos controlam o trânsito nas cidades de Hagen e Wuppertal. A medida deverá contribuir para a diminuição das filas de trânsito Sistemas inteligentes de semáforos controlam o trânsito nas cidades de Hagen e Wuppertal. A medida deverá contribuir para a diminuição das filas de trânsito | Foto: © Adobe

City Trees – florestas urbanas

Os centros urbanos precisam de um pulmão verde. No entanto, nas cidades com grande densidade demográfica há pouco espaço para criar parques amplos. Mas e se um único banco com uma parede de musgo tivesse o mesmo efeito que várias árvores? A startup de Berlim Green City Solutions desenvolveu esta alternativa. A sua City Tree (Árvore Urbana) é na verdade uma parede de quatro metros de altura onde crescem 1.600 tipos diferentes de musgo. O musgo tem uma superfície mais extensa que árvores, e por isso estas “árvores” assim conseguem captar mais partículas e filtrar o pó com maior eficácia: cerca de 240 toneladas de poluentes por ano. As City Trees já estão implementadas em muitas cidades alemãs e europeias. As empresas de transporte público de Leipzig gerem um projeto semelhante, tendo instalado plantas nos telhados das paragens de autocarros. Tal como no caso das City Trees, estas paragens estão assim efetivamente a filtrar as partículas do ar. Em breve, as 900 paragens de autocarros na Saxónia irão também ficar mais “verdes”, com a instalação de plantas suculentas.

o caos do trânsito visto de cima

Estruturalmente esgotadas, as regiões centrais das cidades têm poucas possibilidades de experimentar com conceitos alternativos de trânsito nas ruas. Inspirados pelos teleféricos sul-americanos, como, por exemplo, em La Paz, na Bolívia, o grupo de eleitores GUT, de Colónia, apresentou uma proposta para a construção de um sistema de teleféricos com cerca de 30 quilómetros de extensão. Num percurso em ziguezague, estes teleféricos poderiam transportar até 300 mil passageiros por cima do Rio Reno, evitando congestionamentos e semáforos. Bona, Wuppertal e Munique têm planos semelhantes.