Acesso rápido:

Ir diretamente para o conteúdo (Alt 1)Ir diretamente para a navegação secundária (Alt 3)Ir diretamente para a navegação principal (Alt 2)

Metas do movimento pela justiça climática
Força na Pluralidade

Com esperança: "Um outro mundo é possível" desenharam ativistas em letras enormes e com imagens na Oberbaumbrücke de Berlim.
Com esperança: "Um outro mundo é possível" desenharam ativistas em letras enormes e com imagens na Oberbaumbrücke de Berlim. | © Fridays For Future Berlin

O que é que o movimento pela justiça climática pretende? Muitos grupos do movimento parecem ter objetivos diferentes. Mas será mesmo este o caso? Não estarão todas as perspetivas associadas?

O que era mesmo a justiça climática?

A justiça climática, contrariamente à proteção climática ou à proteção ambiental, não considera a crise climática em primeira mão como uma crise ecológica, mas sim como resultado do nosso sistema económico, da sua origem e das injustiças e relações de poder que traz associadas, isto é, como uma questão complexa de justiça social. Para nós ativistas*, não se trata apenas de cumprir os objetivos climáticos, mas também da forma como tal é feito.

Mas não terão todos no movimento os mesmos objetivos e abordagens?

A justiça climática significa, assim, refletir sobre as ligações entre, a título de exemplo, o racismo, o nosso sistema económico capitalista, o classismo, a crise climática e muitos outros problemas. Isto pode ser abrangente, complexo e, por isso, em parte de difícil compreensão. Tal leva que alguns grupos do movimento pela justiça climática definam áreas de foco diferentes - alguns em projetos individuais ou campanhas, outros em geral – dado ser praticamente impossível considerar todos os contextos ao mesmo tempo.

Onde estão as diferenças?

Como exemplo destas diferenças de conteúdo, tomemos o Black Earth Collective e o Fridays for Future Alemanha. O Black Earth Collective debruça-se sobre a justiça climática de uma perspetiva anticolonial e interseccional e concentra-se fortemente na emergência histórica e interligação destas questões - uma perspetiva que muito embora tenha ganhado relevância no Fridays for Future Alemanha desde que este foi criado, acaba por não ser dominante no seu impacto externo. Em vez disso, muitos projetos são orientados pelos desenvolvimentos, decisões e eventos políticos atuais. Raramente são definidas perspetivas explícitas sobre a justiça climática. A falta de uma perspetiva histórica e, portanto, anticolonial sobre a crise climática pode ser criticada no ramo alemão do Fridays for Future – ainda assim as diferenças de orientação são importantes. Existem algumas outras diferenças, tanto entre estes grupos como entre diversos outros - não só nos conteúdos, mas também, por exemplo, nas formas de ação ou na composição dos membros.

Porque é que orientações diferentes são importantes?

Através de prioridades diferentes, cada grupo pode concentrar-se mais intensamente nas áreas para as quais dispõem maiores competências e trabalhar especificamente sobre estes temas. E ainda assim cada grupo deveria preocupar-se em compreender estas diferentes abordagens e perspetivas: como tal, são sobretudo os grupos dominados por brancos, por exemplo, que devem familiarizar-se com perspetivas antirracistas - algo que muitas vezes foi negligenciado no passado. Os grupos do movimento têm de estar unidos por meio de um intercâmbio ativo, de uma solidariedade mútua e de apoio. De preferência, coordenariam as suas ações para beneficiarem uns dos outros e assim tornar o movimento climático num todo mais forte. Esta abordagem poderá assegurar que as diferentes perspetivas sejam representadas de forma adequada.

As diferenças, tanto entre grupos diferentes como em cada individualmente, não são uma fraqueza. Não se deveria tentar negar a legitimidade de uma posição no seio do movimento pela justiça climática - desde que se enquadre na esfera da justiça climática.

Na próxima semana, a Victoria Berni vai mostrar o quão diferentes podem ser as atitudes e os antecedentes das pessoas nos grupos. Nós como ativistas temos de aprender a tirar força desta pluralidade, ao complementarmo-nos e não tentar de forma alguma superar-nos uns aos outros. Caso contrário, não teremos êxito a longo prazo enquanto movimento.

 
* Na língua alemã, a palavra “ativista” é variável em género, pelo que o autor escolheu utilizar o termo “aktivisti”, que é neutro em termos de género, para designar pessoas envolvidas em algum tipo de ativismo.