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Romances de estreia
Novidades literárias

Capas dos livros: Miroloi, Nicht wie ihr, Der große Garten, Immerjahn
© Hanser, Kremayr & Scheriau, Matthes & Seitz, Hoffmann und Campe

A lista dos nomeados ao Prémio Alemão do Livro 2019 já é conhecida, e inclui muitos primeiros romances de jovens autores. Esta nomeação é uma grande honra para estes autores, mesmo quando as críticas não são consensuais.

De Holger Moos

Para além de autores já consagrados como Saša Stanišić, Nora Bossong, Ulrich Woelk e Marlene Streeruwitz, a lista de nomeados ao Prémio Alemão do Livro inclui este ano muitos jovens autores. Para o porta-voz do júri, Jörg Magenau, “o futuro da leitura e da escrita está assim assegurado". 

Um dos romances de estreia nomeados, Miroloi, de Karen Köhler's, foi muito discutido na imprensa. Este romance conta a história de uma mulher de uma ilha remota que tem a coragem de se libertar de uma sociedade patriarcal. As críticas a este livro foram muito distintas: Elke Schmitter, da revista Der Spiegel, considerou-o um “livro pouco usual”, o canal NDR  escolheu-o para “livro do mês”, e o canal MDR considerou que “é um romance de estreia de uma autora que mostra o mesmo potencial de Christa Wolf”.
 
Mas outros críticos que foram mais duros. Para Jan Drees, da rádio Deutschlandfunk, a autorreflexão da personagem principal “é muito infantil”. E quanto ao livro, que é o título principal da editora Hanser nesta temporada, considera que deve o seu sucesso apenas pelo seu tema, que apanha a boleia da "onda de feminismo atual”. Burkhard Müller, do jornal Zeit, também critica de forma esmagadora a escrita de Köhler: considera que falta imaginação à autora, que o seu estilo de escrita não convence, que as “personagens e os diálogos são fracos” e que a sua “autoconfiança árida” é irritante.

títulos exóticos

Kühmel: Kintsugi © S. Fischer Este ano parece haver um concurso paralelo para o título mais enigmático ou exótico. Para além de Miroloi, os membros do júri também nomearam Kintsugi, de Miku Sophie Kühmel, outro romance de estreia com um nome invulgar, que, inclusive já ganhou o prémio literário da Fundação Jürgen Ponto. Este romance sobre quatro pessoas cujas histórias se interligam fala sobre o sucesso e o fracasso das relações humanas. O júri da Fundação Ponto elogiou o multi-perspetivismo da história, e considera que "o romance mostra um profundo conhecimento da natureza humana e grandes poderes de observação". Para além disso, segundo a Fundação, é também uma leitura agradável.
 
Edelbauer: Das flüssige Land © Klett-Cotta Na lista dos nomeados encontramos cinco outros romances de estreia. O primeiro romance de Raphaela Edelbauer, Das flüssige Land, fala sobre memória e repressão. A personagem principal, uma física, viaja para seu país natal em busca dos recantos mais sombrios de sua história familiar. O livro tem uma  motivação política, como enfatiza a autora na sua página: "Dada a emergência do movimento identitário e a tendência para opiniões políticas de extrema-direita na Europa, senti que não podia fugir às questões levantadas no livro.”
 
Nicht wie ihr spielt, de Tonio Schachinger, joga num campeonato totalmente diferente. No livro, Ivo Trifunović é um jogador de futebol austríaco que ganha 100 mil euros por semana e que vive em Londres com a mulher e os filhos. De licença em Viena, reencontra Mirna, uma antiga namorada, que o conheceu quando ele ainda era um "mitra bronzeado com uma crista”. A crise pessoal de Ivo agrava-se quando o seu conselheiro decide vender o seu passe para a China.

 psiquiatras. vida no campo. desejo de viver

Lehner: Vater unser © Hanser Berlin Vater unser, de Angela Lehner, é um romance sobre psiquiatria onde a protagonista é, segundo os editores, uma "sabe-tudo manipuladora, mentalmente perturbada mas extremamente engraçada”. Segundo Elena Witzeck, do jornal FAZ,  a autora dominou a "arte do narrador não confiável", de tal forma que permite ao leitor identificar-se com a narradora.
 
Lola Randl já era conhecida como cineasta e argumentista. Há alguns anos, comprou uma casa grande no meio de Gerswalde, uma aldeia na região de Uckermark, no nordeste da Alemanha. Como consquência desta mudança, o romance, Der grosse Garten, fala sobre o êxodo urbano e a romantização da vida rural. Segundo escreve Verena Auffermann, na Deutschlandfunk Kultur, “trata-se de uma escrita sardónica, polvilhada de informações técnicas sobre a vida rural, a natureza, a horticultura e, acima de tudo, sobre a compulsão neurótica dos urbanistas psicologicamente instáveis, que procuram ‘encontrar-se’ no campo.
 
Maeß: Gelenke des Lichts © Wallstein Gelenke des Lichts, de Emanuel Maess, é apregoado pelos editores como uma "mistura mágica de romance picaresco e de narrativa de amadurecimento". No romance, a personagem principal vê uma rapariga numa praia da Alemanha Oriental durante o verão, e nunca mais consegue parar de pensar nela. Esta compulsão intensifica-se à medida que os seus caminhos se vão cruzando ao longo dos anos. Para Gustav Seibt no jornal SZ, o romance  felizmente não é "um daqueles relatos dolorosos sobre a reunificação alemã e a Alemanha pós-reunificação". Pelo contrário, homenageia habilmente a tradição da narração romântica e conta uma história de amor intemporal.

Em breve saberemos se algum destes novos autores figura na short list do prémio.

Outras estreias dignas de nota

Para além dos livros que foram nomeados para o Prémio Alemão do Livro, há outros romances de estreia que merecem destaque, como por exemplo Immerjahn, de Barbara Zeman, que fala sobre o herdeiro de um fabricante de cimento que pretende mudar a sua vida de luxo, mas que acha que a mudança não é fácil – nem mesmo para um milionário. Para Melanie Weidemüller, da Deutschlandfunk, o romance "aborda questões estéticas e sociais, mas acima de tudo vale a pena ler pela sua poderosa voz narrativa e pelos seus detalhes originais". Paul Jandl, da NZZ, considera que o livro é um “deleite para os olhos”.
 
Dinić: Die guten Tage © Zsolnay No romance de estreia de Marko Dinić, Die guten Tage, o narrador apanha o autocarro "Gastarbeiter Express" de Viena para Belgrado, na sua primeira viagem de regresso a casa após uma década na Áustria. A morte da avó obriga-o a lidar com a família e com o passado, com as guerras jugoslavas dos anos 90 e, em particular, com os bombardeamentos da NATO na ex-Jugoslávia em 1999. "É um livro exigente.", afirma Christiane Irrgang, da NDR. "Dificilmente se lê uma única página sem hesitar perante a intensidade do ódio, da raiva e do anseio. Um livro sobre ser um estranho, mesmo na própria vida, escrito com virtuosismo incrível." 

Kühmel, Miku Sophie: Kintsugi
Frankfurt a.M.: S. Fischer, 2019. 304 S.
ISBN: 978-3-10-397459-1

Köhler, Karen: Miroloi
Berlin: Hanser, 2019. 464 S.
ISBN: 978-3-446-26171-6

Edelbauer, Raphaela: Das flüssige Land
Stuttgart: Klett-Cotta, 2019. 350 S.
ISBN: 978-3-608-96436-3

Schachinger, Tonio: Nicht wie ihr
Wien: Kremayr & Scheriau, 2019. 304 S.
ISBN: 978-3-218-01153-2

Lehner, Angela: Vater unser
Berlin: Hanser Berlin, 2019. 284 S.
ISBN: 978-3-446-26259-1
Este livro está disponível  para empréstimo na biblioteca digital Onleihe

Randl, Lola: Der Große Garten
Berlin: Matthes & Seitz, 2019. 320 S.
ISBN: 978-3-95757-709-2

Maeß, Emanuel: Gelenke des Lichts
Wallstein, 2019. 254 S.
ISBN: 978-3-8353-3439-7
Este título está disponível para empréstimo na biblioteca digital Onleihe

Zeman, Barbara: Immerjahn
Hamburg: Hoffmann und Campe, 2019. 288 S.
ISBN: 978-3-455-00495-3
Este título está disponível para empréstimo na biblioteca digital Onleihe

Dinić, Marko: Die guten Tage
Wien: Zsolnay, 2019. 40 S.
ISBN: 978-3-552-05911-5
Este título está disponível para empréstimo na biblioteca digital Onleihe