Cooperativas de habitação
Comunidade em vez de propriedade
A Alemanha está a crescer. As rendas e os preços das casas estão aumentar a olhos vistos em centros urbanos dinâmicos como Berlim, Estugarda e Munique. Cada vez menos pessoas conseguem viver nas cidades em que trabalham. Mas agora há uma alternativa que garante não só rendas acessíveis, mas também uma habitação própria: as cooperativas de habitação. Em 2016, a cooperativa de habitação mais radical da Alemanha, wagnisART, de Munique, recebeu o Prémio Alemão de Construção Urbana (Deutscher Städtebaupreis).
Mesmo de longe, as janelas, distribuídas irregularmente ao longo da fachada, saltam à vista dos visitantes. Se chegarmos ao espaço aberto entre os cinco edifícios vindos da rua, temos a sensação de estar num outro mundo.
No quarto andar, amplas pontes de concreto estendem-se de casa para casa como braços sobre os ombros de bailarinos dispostos em círculo, ajudando a criar um espaço para a comunidade que dá uma sensação de segurança e permite, ao mesmo tempo, uma vista enquadrada dos arredores.
A partir do quarto andar, fica-se acima dos telhados da cidade e tem-se uma vista panorâmica que se estende, a Sul, até aos distantes Alpes. Andando de ponte para ponte, é possível encontrar loggias privativas, um estúdio de um artista, ou o vasto "terraço champanhe", perfeito para celebrações comunitárias ao pôr-do-sol.
Este é o quinto projeto realizado pela cooperativa de habitação de Munique Wagnis, que, desde a sua fundação há 16 anos, tem acumulado muita experiência. Apesar disto, o processo de desenvolvimento dos complexos wagnisART é sempre único.
Aqui, os arquitetos são mais moderadores do que designers. Num workshop, os membros da cooperativa conceptualizaram os cinco edifícios dispondo caixas de sapatos em círculo e ligando-as com traves de madeira, que representam um símbolo da comunidade: tiveram aqui a sua origem as pontes que, apesar de alguma resistência e de custos adicionais, mantiveram-se centrais no planeamento dos diversos elementos do complexo. Até mesmo a disposição das janelas ficou a cargo dos residentes: cada membro da cooperativa pôde decidir para que parede iria poder olhar de dentro do seu apartamento.
O valor das contribuições e as rendas variam de residente para residente, visto que apenas 30 por cento dos apartamentos têm financiamento privado. O governo do estado da Baviera apoia 30% dos apartamentos consoante o rendimento de cada pessoa (EOF - einkommensorientierte Zusatzförderung), e outros 40% com o chamado "modelo de Munique".
A Genossenschaftliche Immobilienagentur (agência de imobiliária cooperativa /GIMA) de Munique conta, entre os seus membros, com 23 associações de construção imobiliária sem fins lucrativos. Por toda a Alemanha, e em especial desde a Lei sobre Cooperativas de 1889, as cooperativas começam a ter um renascimento; mais de três milhões de pessoas são agora membros de mais de 2000 associações de cooperativas imobiliárias, ou já vivem em uma das mais de 2,3 milhões de casas cooperativas.